
As quatro silhuetas do conjunto vaguearão pelo palco sincronizando os movimentos com o ritmo da nova canção. O chalrar das guitarras subirá de tom. O vocalista anunciará a próxima. A quarta será lenta, convidará ao enlace de corpos. A massa infrene que há pouco deambulava pelo terreiro, e porque não tem par feminino, desaparecerá, aproveitará para matar a sede, que é sempre muita, no bar improvisado da comissão de festas.
E porque já passa da meia-noite e não de detectam sinais de estrondos lacrimejantes o mordomo-principal chamará ao alto-falante, e pela terceira vez consecutiva, o sr. pirotécnico. E os AND SO ON, como que para se fazerem ouvir, aumentarão o som, agora ao ritmo de um medley de influência brasileira.
– Atenção ao Sr. pirotécnico… atenção ao Sr. pirotécnico… – e o fogueteiro como que a criar impaciência combinada de véspera, ou evitar que o povo arrecolha à choça antes de tempo, não dá sinal de vida.
E o conjunto, sem descanso… sem parar… voltará aos ritmos animados. Voltará o bailarico, a às vezes a borrachice.
De repente, um morteiro.
- PUM!
As consciências, acrisoladas no tempo longo de monotonia e solidão, voltarão a ser postas à prova. O outão da Igreja iluminar-se-á pelo clarão. O povoléu, como que em transumância, afastar-se-á das paredes de cantaria, procurará locais centrais que lhe permitirão ver melhor a tão anunciada descarga.
-PUM! – Ribomba outro.
(Continua)
ANTÓNIO SÁ GUÉ













