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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Passeio da Pascoela à Senhora da Esperança (Torre de Moncorvo)

"Depois da Páscoa [na segunda-feira da oitava da Páscoa], muitos habitantes de Torre de Moncorvo deslocavam-se, a pé, até à Senhora da Esperança, mas, sobretudo, à Senhora da Teixeira [Sequeiros, Açoreira], carregados com os seus farnéis". - Padre Joaquim M. Rebelo, A terra trasmontana e duriense, ed. Câmara Municipal de Torre de Moncorvo/Associação Cultural de Torre de Moncorvo, 1995.

Esta tradição foi progressivamente caindo no esquecimento até que há dois anos, em 2008, a Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo a resolveu retomar, com bastante sucesso. Apesar de muitos participantes (sobretudo os mais idosos) se deslocarem de transporte colectivo disponibilizado para o efeito, alguns caminheiros continuam a utilizar o velho caminho medieval, desde as Aveleiras até ao Cuco.
Grupo de caminheiras, pelo caminho velho, com a vila em pano de fundo.

Aproximação à capela de Nossa Senhora da Esperança - não seria possível enterrar os inestéticos cabos eléctricos e telefónicos que desfeiteiam a paisagem?

Momento de devoção. A capela-mor é resguardada por uma grade e um arco de estrutura românica.

Altar principal da capela, com a Senhora amamentando o Filho, com Esperança na redenção do mundo...

Hora da merenda, vendo-se os folares e outras iguarias oferecidas pela Junta de Freguesia.

Ao fundo, a Presidente da Junta, Milú Pontes, não dá mãos a medir - e em primeiro plano, à direita, até um turista francês provou do nosso "fromage tarrinchô"

Um pórtico ainda de inspiração gótica sob o rústico alpendre que seguramente albergou milhares de viandantes e outros tantos devotos moncorvenses, ao longo dos séculos...
(Fotos de N.Campos)

domingo, 11 de abril de 2010

Passeio da Pascoela - é hoje!!

Retomando uma velha tradição moncorvense, em boa hora reactivada pela Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, vai voltar a realizar-se hoje o Passeio da Pascoela, com concentração de todos os interessados defronte do cine-teatro, pelas 14;30h, para os caminheiros que pretendam seguir a pé (o que se recomenda, pois assim era antigamente e o bom tempo convida), o trajecto passará pelo velho caminho das Aveleiras (por cima da Estrada Nacional 220) até à estrada da Açoreira e daqui até ao adro da Senhora da Esperança. Aqui, depois da visita à capela, as pessoas poderão participar num torneio de jogos populares, com merenda e convívio no final.
Como se sabe, noutros tempos, este costume, em que as pessoas iam pelos campos em jornada de peregrinação e convívio, entre amigos e em família, desfazendo o folar e folgando, acontecia na segunda-feira da Pascoela. Ainda em Freixo de Espada-à-Cinta (ou em Espanha, como por exemplo em Salamanca) assim é. Só que isto era quando as pessoas ainda eram um pouco donas do seu próprio tempo. Hoje, as leis ditadas pelo centralismo obrigam ao trabalho neste dia, razão pela qual este tipo de convívios ou desapareceram, ou recuaram no calendário.
Em Felgueiras, por exemplo, a festa dos folares na Santa Marinha fez-se no sábado. Em Torre de Moncorvo, depois de ter desaparecido, retomou-se agora ao domingo. Valha-nos que em Urros parece que a festa da Pascoela ainda se vai fazer na segunda-feira, ao que nos disseram!
Bem, importante mesmo é que este convívio que metia muito de celebração da Mãe-Natureza e da Primavera, dando bençãos para que a nova colheita fosse propícia, não se perca de todo.
Por isso, mais logo, não se esqueçam: todos à Senhora da Esperança, esperando um tempo melhor, de maior fartura em tempos de crise!...
- N.Campos

Para ver como foi no ano anterior, clicar sobre os seguintes links:

http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/04/passeio-da-pascoela-para-desfazer-o.html

http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/04/pascoela-na-senhora-da-esperanca.html

domingo, 4 de abril de 2010

Folares da Páscoa

Folares a cozer no interior do forno, no Felgar (foto de Tozé Carneiro, 2008)

Páscoa em Trás-os-Montes sem folar, não é Páscoa. Depois do jejum da Quaresma (noutros tempos só se podia comer carne neste período desde que se pagasse a "bula" à Igreja), no domingo de Páscoa era dia de se "desfazer o folar". Os folares faziam-se nos fornos comunitários ou, no caso das famílias mais ricas, em fornos particulares.

Folares já prontos, mantendo-se o borralho, em 1º. plano num forno de abóbada (foto de Tozé Carneiro -Felgar, 2008)

Água, farinha, ovos, azeite, fermento, manteiga, sal q.b., para se fazer a massa, carne de porco e enchidos para o recheio, em camadas, era depois de tudo muito bem amassado e "adormecido", metido no forno, em tabuleiros, onde horas depois se produzia o milagre apetitoso. Antes era o folar pincelado com gema de ovo, para se lhe dar uma aspecto mais "envernizado".

Folar de carne e bolos da Páscoa (foto N.Campos - Moncorvo, 2010)

Além dos folares de carne faziam-se também os "folares doces", ou bolos da Páscoa, também confeccionados com farinha e ovos, aguardente e açúcar muito pouco, pois este era sobretudo aplicado no cimo do bolo, onde depois formava uma espécie de crosta estalada.
Ainda em Moncorvo, neste período, não se podiam esquecer as indispensáveis e famosas amêndoas que se davam aos afilhados, tal como o folar, os quais levavam o ramo enfeitado aos padrinhos e madrinhas.
Infelizmente, nestes tempos de consumismo, o "folar" dados aos afilhados traduz-se mais numa nota de X Euros, conforme as possibilidades e mãos-largas dos padrinhos/madrinhas.
N.Campos

Páscoa e Folares do Felgar

Recebemos do nosso amigo Tozé Carneiro algumas fotos da Páscoa felgarense. Aqui ficam, com o nosso agradecimento:
Aspecto da procissão.
Fazendo a massa, em família.
Ainda batendo a massa, na masseira.


Aquecendo o forno.
Os folares doces prontos a cozer.

Os afamados e saborosos folares doces.


O verdadeiro folar de "chicha".

Fotos de Tozé "Pisco".