O prémio “Melhor Jovem
Agricultor de Portugal 2016” foi atribuído pela CAP a uma jovem de Torre de
Moncorvo. Catarina Martins tem 24 anos e começou em 2013 a desenvolver um
projecto de produção de hortícolas no vale da Vilariça.
A jovem estudante de engenharia agronómica mostrou-se surpreendida com a
distinção, que lhe dá mais motivação para o trabalho, e acredita que pode
incentivar outros jovens a dedicarem-se à agricultura. “Não estava nada à
espera, fiquei completamente surpreendida. Acho que pode ser que assim os
jovens de hoje em dia pensem melhor na sua vida profissional e naquilo que é
realmente importante. Outras profissões são importantes mas a nossa alimentação
é a base de tudo, porque acho que nós sem alimentação não podemos ensinar, não
podemos cantar, não podemos fazer nenhuma actividade se não nos alimentar-mos”,
salienta a jovem.
A dimensão da exploração de 10 hectares e a construção de um armazém, bem
como o investimento, contribuíram para que o projecto de Catarina Martins fosse
distinguido. “Dei início à actividade em 2013, começando por produzir dez
hectares de hortícolas. Tive de construir um armazém de mil metros quadrados,
ou seja a construção de condições de trabalho, logística, algo inovador . A
atribuição do prémio é fundamental e é bom, claro”, acresnetou.
A jovem agricultora vai agora levar o seu projecto a Bruxelas, para
representar o país num concurso europeu, o que considera uma grande
responsabilidade. “Agora vou pensar no que vou levar para Bruxelas, visto que
vamos concorrer a nível europeu. Espero levar o projecto mais consolidado e com
algo inovador a apresentar, para que possamos representar Portugal da melhor
forma”, referiu Catarina Martins.
O “Prémio Jovem Agricultor” foi entregue
a Catarina Martins pelo eurodeputado Nuno Melo na Feira Nacional de
Agricultura, em Santarém.
Jornalista:






Se as "rebofas" (cheias periódicas do vale da Vilariça, que se verificavam anualmente) podiam ser maléficas para a agricultura, por outro lado também tinham as suas vantagens, pois os nateiros constituíam um excelente fertilizante natural. No entanto, no passado, estas "rebofas" originavam constantes demandas entre os proprietários, como anota N.Campos: "acontecia que a ribeira (incluindo o rio Sabor), mudava de leito, com repercussões na propriedade da terra, sendo fonte de graves litígios entre os proprietários. Como primeiro passo para se remediar a situação, Filipe III mandou fazer um Tombo das parcelas, em 1629" mas "só mais tarde, em 1655, com D. João IV, foi expedida ordem para se 'encanar' o leito da ribeira, seguramente através do plantio de árvores ao longo das margens, o que deveria efectuar-se à custa dos interessados (provisão de 1656)". - cf. Nelson Campos, "A evolução da paisagem agrária no Douro Superior" in Viver e saber Fazer. Tecnologias tradicionais na região do Douro. Estudos preliminares (coord. de Prof. Doutora Teresa Soeiro), edição do Museu do Douro, Peso da Régua, 2003 [1ª. ed.].

