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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Jovem de Torre de Moncorvo vence prémio “Melhor Jovem Agricultor de Portugal 2016”


Jovem de Torre de Moncorvo vence prémio “Melhor Jovem Agricultor de Portugal 2016”
O prémio “Melhor Jovem Agricultor de Portugal 2016” foi atribuído pela CAP a uma jovem de Torre de Moncorvo. Catarina Martins tem 24 anos e começou em 2013 a desenvolver um projecto de produção de hortícolas no vale da Vilariça.
A jovem estudante de engenharia agronómica mostrou-se surpreendida com a distinção, que lhe dá mais motivação para o trabalho, e acredita que pode incentivar outros jovens a dedicarem-se à agricultura. “Não estava nada à espera, fiquei completamente surpreendida. Acho que pode ser que assim os jovens de hoje em dia pensem melhor na sua vida profissional e naquilo que é realmente importante. Outras profissões são importantes mas a nossa alimentação é a base de tudo, porque acho que nós sem alimentação não podemos ensinar, não podemos cantar, não podemos fazer nenhuma actividade se não nos alimentar-mos”, salienta a jovem.
A dimensão da exploração de 10 hectares e a construção de um armazém, bem como o investimento, contribuíram para que o projecto de Catarina Martins fosse distinguido. “Dei início à actividade  em 2013, começando por produzir dez hectares de hortícolas. Tive de construir um armazém de mil metros quadrados, ou seja a construção de condições de trabalho, logística, algo inovador . A atribuição do prémio é fundamental e é bom, claro”, acresnetou.  
A jovem agricultora vai agora levar o seu projecto a Bruxelas, para representar o país num concurso europeu, o que considera uma grande responsabilidade. “Agora vou pensar no que vou levar para Bruxelas, visto que vamos concorrer a nível europeu. Espero levar o projecto mais consolidado e com algo inovador a apresentar, para que possamos representar Portugal da melhor forma”, referiu Catarina Martins.     
O “Prémio Jovem Agricultor” foi entregue a Catarina Martins pelo eurodeputado Nuno Melo na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém.

Jornalista: 

sábado, 1 de maio de 2010

Transfiguração

"Junto dum seco, fero, estéril monte,
inútil e despido, calvo, informe,
da natureza em tudo aborrecido,
onde nem ave voa ou fera dorme,
nem rio claro corre ou ferve fonte,
nem ramo verde faz doce ruído..."
- Luís de Camões
E por alguém ter falado em "cicatrizes", aqui fica o registo do começo da "transformação" do cabeço da Portela ou da Derruída... Aí será construído o chamado "contra-embalse" (ou barragem de jusante do sistema hidroeléctrico do Baixo-Sabor), com respectiva subestação. Teremos ainda a nova estrada (IP-2) a atravessar o Sabor neste ponto, cortando o monte do lado esquerdo. Esta paisagem será profundamente tranfigurada, com betão, alcatrão, postes e cabos de alta tensão. Guardem, por isso, a memória do que era.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ainda o Vale Maravilhoso

A propósito do repto do post anterior, realmente faltam pinturas que expressem na tela, os sentimentos vividos ao ver/estar neste vale. Mas existem algumas gravuras. E esta digamos que capta um belo momento, no período mais avançado das vindimas, no Rego da Barca, vislumbrando-se o Rio Douro e a Foz do Sabor.

Esta gravura data do último quartel do séc. XIX, e foi publicada na obra maior do Visconde de Vila Maior, "O Douro Illusttrado. Album do Rio Douro e Paiz Vinhateiro", publicado no Porto em 1876.

"Promised Land"

Vales do Douro e Vilariça, vendo-se as Quintas do Rego da Barca (à direita), a Foz do Sabor (à esquerda) e o troço do IP-2. Um novo troço, paralelo ao existente, esteve projectado até há bem pouco tempo, o que, a fazer-se, seria uma gritante agressão à serenidade desta bucólica paisagem, pelas feridas irreversíveis nas encostas dos cabeços que bordejam estes vales.

Uma "terra prometida" foi como já foi designado este ubérrimo vale, com as suas "courelas" verdejantes e pequenas povoações e quintas, como se fossem pequenas ovelhinhas pastando nos seus viços. O Sabor tranquilo, em primeiro plano, quase a chegar ao Douro. Ao fundo, a encosta sombria do planalto da Lousa/Cabeça Boa, como uma onda que vem desenrolar-se nesta praia de castanho e verde.
Como notou Campos Monteiro, onde está um pintor que venha captar esta beleza?
(Fotos de N.Campos e R.Leonardo)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Primavera na Vilariça

Pessegueiros em flor, no vale da Vilariça, 21.03.2010 (foto de Engº. Afonso Calheiros e Menezes)
"Vi já a Primavera, de contente,
de mil cores alegres revestia
o monte, o rio, o campo alegremente..."
(Luís de Camões, Elegias)

quinta-feira, 4 de março de 2010

A "rebofa" voltou à Vilariça:

"- Então? - perguntou por fim - Lá em baixo, como vai isso?
António Sugão ergueu a fronte, que apoiara nas mãos.
- Lá por baixo - respondeu - vai o inferno! Calamidade assim, há muitos anos que se não viu. Nem os velhos se lembram de coisa igual!
- A rebofa? [1]
- De monte a monte, e cada vez maior. Isto em Maio, quando já toda a Ribeira [2] estava semeada, e as novidades cresciam que era um gosto vê-las!
- E a nossa courela? [3]
-Perdida sem remédio! Tem bons três metros de água em riba dela, e, quando a rebofa descer, nem sombras de meloal, nem de feijão, nem de milho, nem de coisa nenhuma! Lôdo e pedregulho é o que havemos de colher."

[1] Rebofa: termo regional por que é conhecida a cheia da Vilariça.
[2] Ribeira: designação genérica de todo o vale.
[3] Courela: trato de terreno de aluvião na parte mais funda da planície. Chamam-se barrais as terras das margens só excepcionalmente inundadas; e cabeceiras as de mais alta cota, aonde a cheia não chega".

CAMPOS MONTEIRO, A Rebofa, in: "Ares da minha serra", reed. da CMTM, 1995 [1ª. ed. 1933]

Se as "rebofas" (cheias periódicas do vale da Vilariça, que se verificavam anualmente) podiam ser maléficas para a agricultura, por outro lado também tinham as suas vantagens, pois os nateiros constituíam um excelente fertilizante natural. No entanto, no passado, estas "rebofas" originavam constantes demandas entre os proprietários, como anota N.Campos: "acontecia que a ribeira (incluindo o rio Sabor), mudava de leito, com repercussões na propriedade da terra, sendo fonte de graves litígios entre os proprietários. Como primeiro passo para se remediar a situação, Filipe III mandou fazer um Tombo das parcelas, em 1629" mas "só mais tarde, em 1655, com D. João IV, foi expedida ordem para se 'encanar' o leito da ribeira, seguramente através do plantio de árvores ao longo das margens, o que deveria efectuar-se à custa dos interessados (provisão de 1656)". - cf. Nelson Campos, "A evolução da paisagem agrária no Douro Superior" in Viver e saber Fazer. Tecnologias tradicionais na região do Douro. Estudos preliminares (coord. de Prof. Doutora Teresa Soeiro), edição do Museu do Douro, Peso da Régua, 2003 [1ª. ed.].
Com a construção das barragens, este fenómeno da "rebofa" deixou de se verificar tão amiúde, e só em anos muito chuvosos (como foi o caso desta invernada), quando se esgota a capacidade de retenção das barragens, tal volta a acontecer. Assim aconteceu no passado fim de semana, com a abertura das comportas do Pocinho, tendo igualmente voltado as cheias na zona ribeirinha da Régua e da Ribeira, na cidade do Porto.
Aqui se vê, na foto acima, um barco a flutuar sobre o pontão da Foz do Sabor, povoação que ficou isolada da sede do concelho.
Os sinais de trânsito ainda emersos, ficaram, desta feita, a orientar o tráfego fluvial...

Trânsito cortado para a Foz do Sabor, na zona da "ponte seca".

Fotos de Higino Tavares e de Camané Ricardo (a última da sequência) - em 28.02.2010