Uma bela casa abandonada, na Póvoa
O evento foi organizado sob proposta da Junta de Freguesia de Adeganha ao PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo), no seguimento da recepção de documentação do IGESPAR sobre este assunto. A iniciativa contou ainda com o apoio do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo e do município. Apesar dos aguaceiros que se fizeram sentir, um grupo de mais de 20 pessoas acabaria por percorrer vários pontos do planalto da "Fragada", com início no Miradouro de S. Gregório, passando depois pelos Estevais da Vilariça, Póvoa, Cardanha e Adeganha.
Póvoa: uma das poucas casas ainda habitadas.
Constatou-se o avançado estado de degradação e de ruína de muitas destas construções tradicionais, além de inúmeros atentados à estética e à linha de coerência deste tipo de património, apesar de haver algumas tentativas de intervenção positivas. Outras poderiam melhores se fossem devidamente acompanhadas por técnicos especializados. Continua a ser preocupante a intervenção baseada no arrazamento puro e simples (como se viu na Adeganha, onde já desapareceu a chamada "casa do Conde"!), com reconstruções descaracterizadoras, ou, no mínimo, com "pastiches" feitos com revestimento a pedra.
Casa de habitação, que terá sido a residência paroquial, na aldeia de Adeganha.Este é um assunto a merecer uma reflexão mais alargada sobre o futuro das nossas aldeias, por parte de quem de direito, a começar pelas pessoas que ainda vivem e resistem nestes cenários, passando pelos (re)construtores de casas de fim de semana e pelos decisores (autarcas, técnicos de património, operadores turísticos, etc.).
Para poder visualizar reportagem alargada do evento, consultar: http://parm-moncorvo.blogspot.com/.
(fotos N. Campos e Rui Leonardo)
Realizou-se no passado sábado, no Centro de Memória, a sessão comemorativa dos 725º aniversário da concessão do foral a Torre de Moncorvo, pelo rei D. Dinis, em 12 de Abril de 1285.
Ao mesmo tempo, foi feita uma homenagem a várias personalidades que de algum modo contribuíram para diversas obras no concelho.
Ao abrir a sessão, o Presidente da Câmara, Engº. Aires Ferreira, explicou que o foral só é comemorado de 5 em 5 anos, pelo que na próxima comemoração já não estará em funções autárquicas (por força da lei de limitação de mandatos), razão por que quis que a presente comemoração fosse também uma oportunidade para agraciar um conjunto de individualidades que deram o seu contributo, de algum modo, para obras ou outras vantagens para este concelho, ao longo dos seus diversos mandatos.
Quanto ao foral, salientou a presença do pergaminho em exposição na sala (num cavalete protegido por um vidro), do treslado que do mesmo foi feito em 1288 e que foi temporariamente cedido pelo Arquivo Distrital de Braga, onde se encontra arquivado.
Disse ainda que se aproveitou também o contexto desta comemoração para se proceder à reedição do livro publicado em 2005 (o qual incluía o estudo e transcrição dos forais de 1285 e do foral manuelino de 1512), que se encontrava esgotado.
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Foram inicialmente anunciadas 15 personalidades, mas destes apenas puderam estar presentes seis, apresentados por ordem alfabética: D. António Rafael (antigo bispo de Bragança e Miranda), Engº. Mota Andrade (deputado do PS pelo distrito de Bragança), Engº Pedro Serra (ex-presidente do Instituto de Estradas e actualmente a presidir à empresa Águas de Portugal), Engº. Ricardo de Magalhães (ex-Secretário de Estado do Ambiente e actual Chefe da Missão do Douro), Dr. Silva Peneda (ex-Ministro do Emprego e Segurança Social e presentemente a presidir ao Conselho Económico-social) e, por fim, um moncorvense, o General Tomé Pinto, que, na qualidade de antigo comandante geral da GNR conseguiu que se fizesse o novo quartel desta força de segurança em Torre de Moncorvo. Os homenageados, além de uma medalha distintiva receberam um exemplar do livro dos Forais de Torre de Moncorvo em encadernação de luxo.
De seguida, o Sr. Presidente da Câmara apresentou a ilustre conferencista, Profª. Doutora Maria Alegria F. Marques, professora da Universidade de Coimbra, autora da transcrição dos forais de D. Dinis (de 1285) e de D. Manuel (de 1512) que integram o livro, bem como do respectivo estudo introdutório e glossário. A investigadora salientou que o foral original, passado em Lisboa, desapareceu, mas que ficou esta pública-forma, ou cópia autenticada, por tabelião local (João Fernandes de seu nome), na presença de dois juízes, o que lhe acrescenta importância, pois revela o zelo das entidades locais desse tempo em terem em seu poder uma cópia do documento fundador do novo concelho, o qual era a sua lei de base, ou seja, o regulamento da sua vida social, económica e política. Fez, de seguida, uma caracterização da época e do conteúdo dos forais incluídos no livro, com especial ênfase para o foral dionisino.
Seguiu-se um beberete com a excelente confeitaria da nossa terra, extensivo ao numeroso público que nem mesmo em dia de aguaceiros deixou de estar presente.
N.Campos
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Fotos: alguns momentos do evento.

Quresmas: Pormenor dos pequenos bolbos
Quaresmas (Saxifraga granulata)
As pinceladas brancas e amarelas que neste altura cobrem os muros devem-se essencialmente a estas duas plantas. Além disso, os bolbos da raiz da quaresma são utilizados como fármaco para combater os cálculos renais.
Fazendo jus ao velho adágio, parece que a chuva voltou...


Assunção Anes, Isabel Mateus e A. M. Pires Cabral

Isabel Mateus nas suas considerações sobre os 22 contos e o espaço rural que lhes serviu de suporte.
Aos que bebem a terra em sulcos e rasgam o tempo veloz, para nos ensinar calma.
Algures em Torre de Moncorvo, em Abril de 2010, para memória futura, com os meus agradecimentos à pessoa retratada.
J.Costa
No próximo Domingo, dia 18 de Abril, comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, um dia especialmente dedicado ao Património, por indicação do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios), um organismo da UNESCO (ver: http://icomos.fa.utl.pt/ ; http://www.icomos.org/). Em cada ano é designado um tema específico, dentro do vasto campo que é o Património cultural material. No presente ano, foi escolhido como tema o património relacionado com a actividade agrícola e com o mundo rural em geral (arquitectura vernacular, como sejam as habitações tradicionais, palheiros, eiras, pombais, etc.).
A nível local, o entusiasmo do Presidente da Junta de Adeganha associou-se a outras vontades (Município, Museu, PARM), no sentido de se realizar uma digressão pelo maciço planáltico da Fragada, de onde se contemplam também o ubérrimo vale da Vilariça, com as suas quintas e um rico património de várias épocas.
Ver mais em: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2010/04/dia-internacional-dos-monumentos-e.html