segunda-feira, 19 de abril de 2010

Flores da época

Cynoglosum officinale

Fotografada em Sequeiros - Açoreira
Torre de Moncorvo

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Realizou-se ontem, a nível local, um passeio comemorativo do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, dedicado ao Património Rural das Freguesias de Adeganha e Cardanha. Embora não integrados nas comemorações oficiais, esta digressão adoptou a mesma temática recomendada pelo ICOMOS para o corrente ano, e visou "tomar o pulso" ao estado de conservação do nosso património dito vernacular.

Uma bela casa abandonada, na Póvoa

O evento foi organizado sob proposta da Junta de Freguesia de Adeganha ao PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo), no seguimento da recepção de documentação do IGESPAR sobre este assunto. A iniciativa contou ainda com o apoio do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo e do município. Apesar dos aguaceiros que se fizeram sentir, um grupo de mais de 20 pessoas acabaria por percorrer vários pontos do planalto da "Fragada", com início no Miradouro de S. Gregório, passando depois pelos Estevais da Vilariça, Póvoa, Cardanha e Adeganha.

Póvoa: uma das poucas casas ainda habitadas.

Constatou-se o avançado estado de degradação e de ruína de muitas destas construções tradicionais, além de inúmeros atentados à estética e à linha de coerência deste tipo de património, apesar de haver algumas tentativas de intervenção positivas. Outras poderiam melhores se fossem devidamente acompanhadas por técnicos especializados. Continua a ser preocupante a intervenção baseada no arrazamento puro e simples (como se viu na Adeganha, onde já desapareceu a chamada "casa do Conde"!), com reconstruções descaracterizadoras, ou, no mínimo, com "pastiches" feitos com revestimento a pedra.

Casa de habitação, que terá sido a residência paroquial, na aldeia de Adeganha.

Este é um assunto a merecer uma reflexão mais alargada sobre o futuro das nossas aldeias, por parte de quem de direito, a começar pelas pessoas que ainda vivem e resistem nestes cenários, passando pelos (re)construtores de casas de fim de semana e pelos decisores (autarcas, técnicos de património, operadores turísticos, etc.).

Para poder visualizar reportagem alargada do evento, consultar: http://parm-moncorvo.blogspot.com/.

(fotos N. Campos e Rui Leonardo)

domingo, 18 de abril de 2010

Nos 725 anos do foral de Torre de Moncorvo, concedido por D. Dinis

Realizou-se no passado sábado, no Centro de Memória, a sessão comemorativa dos 725º aniversário da concessão do foral a Torre de Moncorvo, pelo rei D. Dinis, em 12 de Abril de 1285.

Ao mesmo tempo, foi feita uma homenagem a várias personalidades que de algum modo contribuíram para diversas obras no concelho.

Ao abrir a sessão, o Presidente da Câmara, Engº. Aires Ferreira, explicou que o foral só é comemorado de 5 em 5 anos, pelo que na próxima comemoração já não estará em funções autárquicas (por força da lei de limitação de mandatos), razão por que quis que a presente comemoração fosse também uma oportunidade para agraciar um conjunto de individualidades que deram o seu contributo, de algum modo, para obras ou outras vantagens para este concelho, ao longo dos seus diversos mandatos.

Quanto ao foral, salientou a presença do pergaminho em exposição na sala (num cavalete protegido por um vidro), do treslado que do mesmo foi feito em 1288 e que foi temporariamente cedido pelo Arquivo Distrital de Braga, onde se encontra arquivado.

Disse ainda que se aproveitou também o contexto desta comemoração para se proceder à reedição do livro publicado em 2005 (o qual incluía o estudo e transcrição dos forais de 1285 e do foral manuelino de 1512), que se encontrava esgotado.

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Foram inicialmente anunciadas 15 personalidades, mas destes apenas puderam estar presentes seis, apresentados por ordem alfabética: D. António Rafael (antigo bispo de Bragança e Miranda), Engº. Mota Andrade (deputado do PS pelo distrito de Bragança), Engº Pedro Serra (ex-presidente do Instituto de Estradas e actualmente a presidir à empresa Águas de Portugal), Engº. Ricardo de Magalhães (ex-Secretário de Estado do Ambiente e actual Chefe da Missão do Douro), Dr. Silva Peneda (ex-Ministro do Emprego e Segurança Social e presentemente a presidir ao Conselho Económico-social) e, por fim, um moncorvense, o General Tomé Pinto, que, na qualidade de antigo comandante geral da GNR conseguiu que se fizesse o novo quartel desta força de segurança em Torre de Moncorvo. Os homenageados, além de uma medalha distintiva receberam um exemplar do livro dos Forais de Torre de Moncorvo em encadernação de luxo.

De seguida, o Sr. Presidente da Câmara apresentou a ilustre conferencista, Profª. Doutora Maria Alegria F. Marques, professora da Universidade de Coimbra, autora da transcrição dos forais de D. Dinis (de 1285) e de D. Manuel (de 1512) que integram o livro, bem como do respectivo estudo introdutório e glossário. A investigadora salientou que o foral original, passado em Lisboa, desapareceu, mas que ficou esta pública-forma, ou cópia autenticada, por tabelião local (João Fernandes de seu nome), na presença de dois juízes, o que lhe acrescenta importância, pois revela o zelo das entidades locais desse tempo em terem em seu poder uma cópia do documento fundador do novo concelho, o qual era a sua lei de base, ou seja, o regulamento da sua vida social, económica e política. Fez, de seguida, uma caracterização da época e do conteúdo dos forais incluídos no livro, com especial ênfase para o foral dionisino.

No final houve uma actuação da Tuna Popular da Lousa, sempre em grande nível, com o repertório tradicional que estes músicos conseguiram resgatar do esquecimento.

Seguiu-se um beberete com a excelente confeitaria da nossa terra, extensivo ao numeroso público que nem mesmo em dia de aguaceiros deixou de estar presente.

N.Campos

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Fotos: alguns momentos do evento.

Pincéis dos muros


Botão-de-ouro ( Ranunculus repens)

Quresmas: Pormenor dos pequenos bolbos

Quaresmas (Saxifraga granulata)

As pinceladas brancas e amarelas que neste altura cobrem os muros devem-se essencialmente a estas duas plantas. Além disso, os bolbos da raiz da quaresma são utilizados como fármaco para combater os cálculos renais.

Abril, águas mil...

Fazendo jus ao velho adágio, parece que a chuva voltou...
Pela calada da noite molhada, brilham as calçadas e os lampejos de luz amarela tornam de ouro as pedras da velha igreja que parece catedral. Não sei porquê, talvez pela luz dourada, ou pela humidade do pavimento, ou pela imponência do monumento, ocorreu-me Santiago... Sim, essa, a compostelana, a do Caminho... Ah, e como este pequeno largo poderia ser o Obradoiro, ou, no mínimo, A Quintana.
De Torre de Moncorvo para Santiago - que foi teu orago primeiro - voa-me o pensamento, por estas horas da noite.
E já chove em Santiago...
como em Torre de Moncorvo.

Txt. e foto de H. de Campos

sábado, 17 de abril de 2010

Quadros da transmontaneidade (5)


Ainda não andava nos dezoito quando partiu. Por lá andou, também foi daqueles que insatisfeito com a avareza da terra partiu à cata de melhor sorte. Não esperava encontrar nenhuma mina de ouro como aqueles que andaram lá pelos “Brasis”, mas “aldemenos” que desse para “adubar” com largueza o caldo. E conseguiu-o, depois de uma dúzia de anos aos “impontões” de uns e de outros, quer dizer depois de aturar filhos de muitas mães. Com os primeiros francos pagou caro umas oliveiras ao Dr. Armando, depois “mercou” um amendoal no Vale do Corcho, depois uma horta, refez o “cardenho” que foi o único “herdanço” do pai, que “Deus tem” e, por fim, voltou. Não quis café nenhum, isso é para mandriões. Voltou às raízes, ao princípio, se é que alguma vez de lá saiu. Voltou a embrenhar-se nos modos de vida ancestrais. Voltou a reger-se pelas leis do tempo. O apego à terra era um sentimento que não sabia explicar. Sim!, ela nunca lhe deu nada, bem pelo contrário, até a infância lhe tirou, mas havia uma atracção atávica, dir-se-ia imorredoura, que o puxava para aqueles montes.

ANTÓNIO SÁ GUÉ

Matriz

Esta é a fachada mais fechada aos turísticos olhares, numa perspectiva de peso.
J. Costa

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Explosão de cor

Candidato a património rural.

Aqui me apresento, garnizé, por vezes, de um só pé. Nasci de ovo verdadeiro e de chocadeira natural, contrariamente a outros da minha espécie, espetados, desde o ovo pelos nitrofulanos.
E esta capa vistosa devo-a à geada, vento, sol e orvalho que me abrigam e obrigam a debicar o tempo de uma paisagem transmontana.
Só muito depois serei brasa ou cabidela, quando o sabor iguala a minha cor.
J. Costa

725 anos da atribuição de Carta de Foral a Torre de Moncorvo


(clique na imagem para aumentar)

Fauna com letras



“… o ouriço olfactava a manhã e rebolava-se por baixo da figueira frondosa, que também sorvia a seiva do ribeiro. Os picos, assim cravejados de frutos, competiam com a cesta carregada de figos que as mulheres, à hora do almoço ou no final da tarde, transportavam à cabeça, para casa.”

Isabel Mateus, O Ouriço - Cacheiro, in O Trigo dos Pardais

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um pouco mais de azul ...

Iris germanica
J. Costa

O Voo do "Trigo dos Pardais"

Isabel Mateus apresentou, ontem, o seu " Trigo dos pardais" na Escola Secundária de Vila Pouca de Aguiar, durante a parte de tarde. Já pelas 21.30h, fê-lo em Vila Real, no Grémio Literário Vilarealense. Neste local, Pires Cabral fez uma curta apresentação da autora, seguindo-se uma coloquial e agradável exploração da obra por Maria da Assunção Anes Morais. Já no final, depois das palavras de Isabel Mateus, lembraram-se os sabores moncorvenses com uns tragos de licor de vinho e umas crocantes amêndoas.


Assunção Anes, Isabel Mateus e A. M. Pires Cabral

Isabel Mateus nas suas considerações sobre os 22 contos e o espaço rural que lhes serviu de suporte.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ainda

Aos que bebem a terra em sulcos e rasgam o tempo veloz, para nos ensinar calma.

Algures em Torre de Moncorvo, em Abril de 2010, para memória futura, com os meus agradecimentos à pessoa retratada.

J.Costa

terça-feira, 13 de abril de 2010

Rural e idades

Uma língua entre as fragas.


Suores partilhados.

Imagens e legendas
João Costa

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios é no domingo:

(clique na imagem para aumentar)

No próximo Domingo, dia 18 de Abril, comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, um dia especialmente dedicado ao Património, por indicação do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios), um organismo da UNESCO (ver: http://icomos.fa.utl.pt/ ; http://www.icomos.org/). Em cada ano é designado um tema específico, dentro do vasto campo que é o Património cultural material. No presente ano, foi escolhido como tema o património relacionado com a actividade agrícola e com o mundo rural em geral (arquitectura vernacular, como sejam as habitações tradicionais, palheiros, eiras, pombais, etc.).

A nível local, o entusiasmo do Presidente da Junta de Adeganha associou-se a outras vontades (Município, Museu, PARM), no sentido de se realizar uma digressão pelo maciço planáltico da Fragada, de onde se contemplam também o ubérrimo vale da Vilariça, com as suas quintas e um rico património de várias épocas.

Ver mais em: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2010/04/dia-internacional-dos-monumentos-e.html