quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ainda o Vale Maravilhoso

A propósito do repto do post anterior, realmente faltam pinturas que expressem na tela, os sentimentos vividos ao ver/estar neste vale. Mas existem algumas gravuras. E esta digamos que capta um belo momento, no período mais avançado das vindimas, no Rego da Barca, vislumbrando-se o Rio Douro e a Foz do Sabor.

Esta gravura data do último quartel do séc. XIX, e foi publicada na obra maior do Visconde de Vila Maior, "O Douro Illusttrado. Album do Rio Douro e Paiz Vinhateiro", publicado no Porto em 1876.

"Promised Land"

Vales do Douro e Vilariça, vendo-se as Quintas do Rego da Barca (à direita), a Foz do Sabor (à esquerda) e o troço do IP-2. Um novo troço, paralelo ao existente, esteve projectado até há bem pouco tempo, o que, a fazer-se, seria uma gritante agressão à serenidade desta bucólica paisagem, pelas feridas irreversíveis nas encostas dos cabeços que bordejam estes vales.

Uma "terra prometida" foi como já foi designado este ubérrimo vale, com as suas "courelas" verdejantes e pequenas povoações e quintas, como se fossem pequenas ovelhinhas pastando nos seus viços. O Sabor tranquilo, em primeiro plano, quase a chegar ao Douro. Ao fundo, a encosta sombria do planalto da Lousa/Cabeça Boa, como uma onda que vem desenrolar-se nesta praia de castanho e verde.
Como notou Campos Monteiro, onde está um pintor que venha captar esta beleza?
(Fotos de N.Campos e R.Leonardo)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Canafrechas

Canafrecha - foto de Engº Afonso Calheiros

A Canafrecha (ferula communis) é uma planta umbelífera muito frequente na nossa região.
Por detrás do pavilhão gimno-desportivo da Corredoura existe o micro-topónimo "Canafrechal" ou "Canafichal" (na corruptela popular), apesar de aí actualmente predominar outro tipo de plantas que parecem ser o "embude" (Oenanthe crocata). É de registar que uma das personagens mais marcantes da novela "Tragédia de um coração simples", de Campos Monteiro (in Ares da Minha Serra), era um rapazola miserável, misto de ratoneiro e de vagabundo, conhecido por Canafrecha, uma alcunha que remete para a presença dessa planta nos arredores da vila de Torre de Moncorvo.

Cabafrecha em flor, nesta fase do ano, à saída de Torre de Moncorvo - Aveleiras (foto de Engº Afonso Calheiros)
Numa breve procura feita pela blogosfera, encontrámos esta curiosa informação, que aqui reproduzimos, com a devida vénia do blogue "Mistérios do Além": «Canafrecha: chamam-lhe por vezes “heracleia”, o que parece indicar, por referência a Héracles – denominação grega de Hércules -, que as suas propriedades afrodisíacas (que excitam a apetência sexual) são conhecidas há muito tempo. A sua acção estimulante sobre as funções sexuais é muito eficaz. Entre os diversos preparados à base de canafrecha, citemos o vinho aperitivo, que se prepara macerando, durante 10 dias, 50 gramas de sementes de canafrecha em 1 litro de vinho tinto. E para obter o “tal” efeito basta beber 1 copo daquela infusão antes das refeições e pronto: abaixo o Viagra e voto a favor da Canafrecha; é mais barato e já os gregos diziam que era muito eficaz…» ver: http://misteriosalem.blogspot.com/2007/09/excitao-sexual-pelas-plantas.html


Numa busca na "net" encontrámos esta fotografia de autoria de V. Jacinto (in http://farm4.static.flickr.com/3353/3564012988_497b6ed648.jpg) legendada como "canafrecha"

Ainda do "Jornal de Arganil", encontrámos citação de um artigo de Miguel Boieiro, em que se diz:
«Numa das acções de biologia inseridas nos programas da Ciência Viva que costumam decorrer no Verão, o Professor Fernando Catarino apontava a canafrecha como a maior erva que temos em Portugal, visto que o canolho oco desta umbelífera chega a atingir cinco metros de altura. Acrescentava a seguir que a conhecida frase do direito romano "a justiça deve ser simultaneamente firme e branda como uma férula", se relaciona com as propriedades físicas desta espécie que cientificamente se designa por Ferula communis L. / A canafrecha é venenosa e se algum animal (ou pessoa) ingerir a planta fresca contrai uma moléstia que a pode levar à morte em poucos dias. No entanto, diz-se que quando seca perde as suas características tóxicas./ Sabemos que ela é utilizada para fins medicinais no Norte de África e que certos povos usam a sua essência resinosa para provocar abortos durante o primeiro trimestre de gestação. / Finalmente esta férula, cujo género engloba cerca de 170 espécies, tem fama de favorecer a apetência sexual e de ser ainda melhor do que o famoso "viagra". Para tal, macera-se, durante dez dias, 50 g de sementes num litro de vinho tinto e bebe-se um cálice antes das refeições. Será mesmo assim?» - Por: Miguel Boieiro, in Jornal de Arganil.
N.Campos

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ana Moura, Patxi Andión, Pessoa e Moncorvo

Imagens que o olhar tem saboreado em Torre de Moncorvo e que encontraram um canto para seu embalo.

João Costa

Concurso de pesca desportiva no Sabor/Ribeira

Como tem acontecido de há muitos anos a esta parte, as comemorações do 25 de Abril em Torre de Moncorvo têm integrado algumas provas desportivas e jogos tradicionais. Por esta ocasião realiza-se também um concurso de pesca desportiva, promovido pelo Clube de Caça e Pesca moncorvense, tendo este evento, realizado ontem, contado com cerca de meia centena de participantes.
A prova teve lugar no rio Sabor, um pouco a jusante da confluência com a ribeira da Vilariça (no chamado Bico da Ribeira), área adscrita à concessão de pesca do Sabor. Ontem, entre outras variedades piscícolas, pescaram-se sobretudo barbos e percas.
Numa paisagem bucólica de um dia ensolarado, o concurso foi sobretudo um pretexto para um convívio, em redor de uma modalidade que, no nosso concelho tem muitos e exímios praticantes.
E para quem não conhece, aqui tem oportunidade de ver os verdadeiros "morcões", de que tanto falam os portuenses (na caixa).
(Fotos de Engº. Afonso Calheiros e Menezes)

domingo, 25 de abril de 2010

Quadros da transmontaneidade (6)

Há bem pouco eram emigrantes, hoje, felizmente, são cidadãos da Europa, mas a marca desse tempo ficou no nosso consciente, faz também parte da nossa identidade, da nossa memória colectiva. Todos saíram. Ficavam mulheres velhos e crianças. Esse movimento foi, talvez, o primeiro sinal de abandono dos nossos nontes. Iam em debandada, carregavam com eles a doce crença de um futuro melhor. Todos regressavam lá pelo Verão, cheios de entono, prontos a idolatrar quem cantasse a sua odisseia no disco de vinil e na “cassete pirata”. Era vê-los, de tronco ao léu, a deitar argamassa e a assentar tijolo de uma “maison” que crescia à medida dos sonhos mas que feria pela forma e pelas cores. Era vê-los a ostentar uma “voiture” que quem por cá mourejava nunca teria possibilidade de adquirir. Era vê-los nas festas de orago a depositar francos gordos na fitas do andor de Nossa Senhora de Fátima. Era vê-los nas feiras a apreçar a mercância com palavras desconhecidas, porque a língua dos afectos, aquela que todos os anos os trazia de volta já não saía com facilidade.Eles eram os “avec”, ou melhor os “aveques”, eles eram granito serrano, eram o mais nobre granito transmontano mas que, por crime político, nunca lhe deram possibilidade de ser escodado.

ANTÓNIO SÁ GUÉ

Patxi Andión em Torre de Moncorvo

Ontem, o Cine -Teatro de Torre de Moncorvo acolheu um espectáculo de Patxi Andión e sua banda. Destacaram-se alguns trabalhos do último álbum Porvenir, tais como María en el corazón, Es tan difícil dejar de pensar!, Siempre es nunca, Saleema (aroma de mujer) e Nada viene a ser verdad. Este cantautor fez questão de falar em português e interpretou um fado, uma criação própria, com texto de Fernando Pessoa.

Final do espectáculo, com um cravo e aplausos.

Texto e imagem: João Costa

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Hoje é o Dia Mundial do Livro!


Eis algumas sugestões de leitura, para saborear melhor Torre de Moncorvo...

Em Abril, encanto primaveril...

Encanto primaveril, mesmo no meio da vila, em que os tons liláceos das flores das olaias do antigo Rossio (que foi "praça das Regateiras" e hoje Largo General Claudino) emolduram a torre da imponente igreja de Torre de Moncorvo.
Um convite a uma visita! (que tal no próximo fim de semana?)
N.Campos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra

Algures na freguesia de Torre de Moncorvo....

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Estação de C.F. de Torre de Moncorvo

No seguimento dos post's anteriores, aqui ficam algumas imagens da estação de caminho de ferro de Torre de Moncorvo e outras tantas informações sobre a Linha do Sabor:

Estação de Caminho de Ferro de Moncorvo (Janº.2010)

A linha do Sabor, segundo a obra do conde de Paçô-Vieira (Caminhos de ferro portugueses, Lx., 1905), estava já em perspectiva em 1888, no plano de Emídio Navarro, sendo estudada pelo Engº. Luciano Simões de Carvalho. Segundo o abade de Baçal, "pela proposta de lei do ministro das Obras Públicas, Conde de Paçô-Vieira, de 24 de Abril de 1903, para construção das linhas complementares, e lei de 1 de Julho do mesmo ano, pôde proceder-se ao estudo desta linha".

Antigo depósito da água para a caldeira da locomotiva (Janº.2010)

Depois de algumas vicissitudes, discussões, hesitações e atrasos, como é típico neste país, a obra lá começou, após a construção da ponte férrea do Pocinho (inauguração do início dos trabalhos em Novembro de 1903, com inauguração após o final da obra, em Julho de 1909), sendo construído o ramal de via estreita que vai até Duas Igrejas (concelho de Miranda do Douro).

Casa do Chefe da Estação (Janº.2010)

Ainda segundo o abade de Baçal, "o lanço do Pocinho, Moncorvo e Carviçais (34km) foi aberto à circulação em 17 de Novembro de 1911. Custou cerca de 361.000$000 réis. O lanço de Carviçais foi aprovado em 29 de Fevereiro de 1908 e o projecto do lanço seguinte, de Bruçó a Brunhosinho em 31 de Dezembro de 1910. A linha ainda hoje (Agosto de 1933) só chega ao Mogadouro, mas continuam os trabalhos, já muito adiantados, em direcção a Miranda do Douro" [onde nunca chegou, acrescentamos nós, pois ficou-se por Duas Igrejas].

À direita: aqui passava a linha férrea, entretanto já levantada (janº 2010)

Saliente-se que um dos grandes argumentos para a construção deste ramal, conhecido por Linha do Sabor, foi a necessidade de escoamento dos minérios de ferro de Moncorvo, além dos mármores e alabastros da minas de Santo Adrião (Vimioso). Em boa hora se construíu uma ecopista/ciclovia entre Torre de Moncorvo (que era a primeira estação desta linha, para quem subia desde o Pocinho) e o Carvalhal, muito utilizada pelos moncorvenses e turistas que nos visitam. Como ainda se encontram os carris no troço entre a nossa vila e o Pocinho, seria interessante que se pensasse num pequeno combóio turístico, atendendo ao grande desnível e consequente esforço de subida para eventuais utilizadores, numa solução de continuidade da ecopista.

(Txt.: N.Campos; fotos do autor e de Rui Leonardo)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Linha do Sabor - Anos 70 - I



Reportagem da RTP

Linha do Sabor - Anos 70 - II



Excerto de reportagem da RTP.

Linha do Sabor - Anos 80



Excerto de reportagem inglesa efectuada nos anos 80 do séc. XX, e de que tivemos informação pelo nosso conterrâneo Rui Carvalho, carviçaleiro e filho do último maquinista da Linha do Sabor, o Sr. Abílio Carvalho, a quem os seus amigos gritavam, quando passava ao comando da sua locomotiva: "Apita Abílio!!" - ver sobre este tema, a reportagem que divulgámos em Dezembro de 2009 em TorredeMoncorvoinblogue.

Os Outros Contos da Montanha - Isabel Mateus