No seguimento dos post's anteriores, aqui ficam algumas imagens da estação de caminho de ferro de Torre de Moncorvo e outras tantas informações sobre a Linha do Sabor:
Estação de Caminho de Ferro de Moncorvo (Janº.2010)
A linha do Sabor, segundo a obra do conde de Paçô-Vieira (Caminhos de ferro portugueses, Lx., 1905), estava já em perspectiva em 1888, no plano de Emídio Navarro, sendo estudada pelo Engº. Luciano Simões de Carvalho. Segundo o abade de Baçal, "pela proposta de lei do ministro das Obras Públicas, Conde de Paçô-Vieira, de 24 de Abril de 1903, para construção das linhas complementares, e lei de 1 de Julho do mesmo ano, pôde proceder-se ao estudo desta linha".

Antigo depósito da água para a caldeira da locomotiva (Janº.2010)
Depois de algumas vicissitudes, discussões, hesitações e atrasos, como é típico neste país, a obra lá começou, após a construção da ponte férrea do Pocinho (inauguração do início dos trabalhos em Novembro de 1903, com inauguração após o final da obra, em Julho de 1909), sendo construído o ramal de via estreita que vai até Duas Igrejas (concelho de Miranda do Douro).

Casa do Chefe da Estação (Janº.2010)
Ainda segundo o abade de Baçal, "o lanço do Pocinho, Moncorvo e Carviçais (34km) foi aberto à circulação em 17 de Novembro de 1911. Custou cerca de 361.000$000 réis. O lanço de Carviçais foi aprovado em 29 de Fevereiro de 1908 e o projecto do lanço seguinte, de Bruçó a Brunhosinho em 31 de Dezembro de 1910. A linha ainda hoje (Agosto de 1933) só chega ao Mogadouro, mas continuam os trabalhos, já muito adiantados, em direcção a Miranda do Douro" [onde nunca chegou, acrescentamos nós, pois ficou-se por Duas Igrejas].
À direita: aqui passava a linha férrea, entretanto já levantada (janº 2010)
Saliente-se que um dos grandes argumentos para a construção deste ramal, conhecido por Linha do Sabor, foi a necessidade de escoamento dos minérios de ferro de Moncorvo, além dos mármores e alabastros da minas de Santo Adrião (Vimioso). Em boa hora se construíu uma ecopista/ciclovia entre Torre de Moncorvo (que era a primeira estação desta linha, para quem subia desde o Pocinho) e o Carvalhal, muito utilizada pelos moncorvenses e turistas que nos visitam. Como ainda se encontram os carris no troço entre a nossa vila e o Pocinho, seria interessante que se pensasse num pequeno combóio turístico, atendendo ao grande desnível e consequente esforço de subida para eventuais utilizadores, numa solução de continuidade da ecopista.
(Txt.: N.Campos; fotos do autor e de Rui Leonardo)