quarta-feira, 2 de junho de 2010

Felgueiras - a terra onde se fazia cera

Vista geral do exterior do lagar da cera
E ainda no seguimento dos posts anteriores, por se falar em abelhas e em mel, é preciso ainda não esquecer outro derivado da actividade apícola: a cera.
Para mais, existe no concelho de Moncorvo uma raridade que é um lagar comunitário onde se fazia cera (sem ser em sentido figurado, pois que aí se trabalhava a sério e se suavam bem as estopinhas). Esta estrutura está já desactivada há um bom par de anos, e há ideias para a sua recuperação, o que vivamente desejamos.
A Srª. Cândida Carriça explica como funcionava o lagar.
Noutros tempos viviam em Felgueiras inúmeras famílias de cereeiros que recolhiam a cera junto dos apicultores das redondezas e a derretiam no lagar comunitário. Depois levavam os "lingotes" de cera (a que chamavam "pães") para suas casas, onde em oficinas improvisadas a reduziam a velas ou círios, para as igrejas ou para a a iluminação das casas mais ricas (os pobres usavam mais a candeia de azeite ou "pitróil").

Oficina das velas do Sr. Acácio Mendes
As velas saíam de uma roda onde se penduravam os pavios, sobre os quais se vertia a cera líquida - aparada em baixo por um tacho de cobre. A operação era repetida até se ter a espessura desejada (da vela ou do círio).

O Sr. Acácio (ti Fachico), um dos últimos cereeiros.
Um dos últimos cereeiros de Felgueiras é o Sr. Acácio Mendes, homem de "sete ofícios", já reformado, mas que conserva a sua oficina e explica como se fazia.

Alguns círios ainda pendurados na velha oficina do Sr. Acácio
A produção era vendida num raio de acção bastante alargado, directamente para as igrejas ou santuários, ou a pessoas que pagavam promessas em cera (não só velas e círios, mas também ex-votos).

Txt. e fotos: Nelson Campos

terça-feira, 1 de junho de 2010

Digitalis purpurea

A propósito do excelente trabalho anterior sobre apicultura, destaco a beleza da dedaleira ( Digitalis purpurea), florida nesta altura e que atrai os insectos pelo seu néctar

Actividades apícolas - recolha de enxames

(clicar sobre as fotos para as ampliar)
O mel faz parte do lote dos produtos tradicionais de Trás-os-Montes mais afamados. Mas poucos sabem o trabalho que dá e, sobretudo, as ferroadas que são precisas antes de alguém, regaladamente, ao pequeno-almoço, se enlambuzar na doçura dourada do melífluo néctar.
No concelho de Torre de Moncorvo, colhe-se mel em várias freguesias, mas há uma onde esta produção se encontra enraizada desde há muito, aparecendo mencionada já em documentos do século XVI - falamos de Mós. (ressalvamos que Mós foi concelho até 1836, tendo sido nesta data integrado no de Moncorvo).

Pela Primavera saem os enxames novos. Em redor de uma "mestra" forma-se um verdadeiro cacho de abelhas zumbindo. Trata-se de uma "sociedade" complexa e de tipo "monárquico" e capitalista, em que as leis de Darwin começam logo na eliminação da(s) "mestra(s)" que estiverem a mais.
Após a saída dos enxames, entra em cena o apicultor. Noutros tempos, sem protecção especial, fartavam-se de levar picadas, às quais pareciam estar imunes. Alguns usavam (e usam) só a "careta" (protecção para a cabeça, com uma "viseira" de rede mosquiteira). Mas, por via das dúvidas há fatos completos, com luvas e tudo.
Há que trepar às árvores, normalmente oliveiras, onde o "cacho" de abelhas se pendura. Com muito jeito leva-se um cortiço para a recolha. A actividade apícola desde tempos imemoriais utilizava os cortiços (espécie de cilindros de casca de sobreiro, a cortiça, de onde deriva a designação). Na 2ª. metade do século XX começam a usar-se colmeias de madeira, reguláveis com vários andares (alças), tal como os prédios das cidades deram em substituir a construção tradicional. Sinal dos tempos...

O cortiço era colocado sob o enxame que era cuidadosamente enxotado para dentro. Mas podia haver outros métodos, como por exemplo o do Sr. Alcídio Brás, homem experiente nisto de abelhas e quase as trata por "tu". Para este apicultor mozeiro basta encostar o cortiço ao enxame e dar-lhe umas pancadinhas como que a chamar as "bichinhas" e elas, solícitas, já sabem para o que é - toca a entrar, que vão para a casa nova do "bairro social", digo, do colmeal.

O momento crucial: chegadas ao novo apartamento, são "despejadas" (com os "humanos" a acção de "despejo" costuma ser no fim, na falta de pagamento de renda) para dentro do andar, onde já estão instaladas as "quadras" onde têm depois de depositar a "renda", ou seja o melzinho saboroso. Como era de esperar, tantas mordomias com as senhoras abelhas (e "abelhos") tinha que ter um preço, pois como diz o outro "não há almoços grátis"!

Parece que há uma manifestação à porta do bloco... - É lá pr'a dentro, pessoal! - vai de vassourinha, com muita meiguice, pois aqui não há "corpos de intervenção", neste tipo de "manifs". - Apenas uma espécie de "astronautas", ou de estranhos cientistas em laboratórios de experiências radioactivas - salvo seja! - que só querem o vosso bem. E o nosso, de consumidores de coisas boas, doces, puras e limpas, com sabor a monte.

Cá estão os "astronautas" espreitando o interior da casa, para ver se as "meninas" estão bem acondicionadas. E elas já andam a dar a volta à casa nova, para começarem a ambientar...
Em breve voarão afanosamente pelos campos, enchendo-se de pólens, que regurgitarão em mel, nos favos que vão crescendo...
Mas têm que estar atentas aos inimigos predadores, que os há, como em todo o lado e em todas as sociedades animais. No caso das abelhinhas, ele são os lagartos, os pitos barranqueiros ou "abelharucos" (já trazem o nome com eles!), ou os melros fragueiros, entre outros. E depois ainda há as malinas, e, dizem, até as ondas electro-magnéticas dos telemóveis que fazem perder o tino ou o GPS natural destes simpáticos e muito úteis insectos, que assim se perdem das colmeias (é uma teoria que por aí andou, para explicar um certo decréscimo da população apícola).
Aqui fica também uma imagem das terras de pasto deste "gado" - um campo de "arçãs" (rosmaninhos do monte), algures no termo de Mós, com alguns salpicos de estevas e urzes. - É neste manjar diversificado de cheiros e agridoces palatos que está o segredo do especial sabor do mel trasmontano!
Agradecimentos:
- aos apicultores Sr. Luís Lopes (sénior) e Sr. Alcídio Brás, Mós.
- ao repórter fotográfico Dr. Luís Lopes (jr.), Mós, que acompanhou o trabalho no dia 9.05.2010.
Para saber mais sobre Mós e sobre a actividade apícola nesta freguesia, ver:

http://fg-mos-vila-antiga-medieval-tmoncorvo.blogspot.com/2010/05/o-caminho-pos-crise-dos-mercados-e-mais.html

Dia Mundial da Criança - é hoje!

O Dia Mundial da Criança, oficialmente, é 20 de Novembro, data que a ONU reconhece como Dia Universal das Crianças por ser a data em que foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança. Porém, a data efectiva de comemoração varia de país para país.
Em Portugal o dia das crianças é festejado em 1 de Junho, pois o mês de Maio homenageia Maria, mãe de Jesus. O dia da criança foi comemorado, pela primeira vez, no mundo inteiro a 1 de Junho de 1950. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Mundial_da_Crian%C3%A7a Em Torre de Moncorvo, como é habitual, a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo promoveu, juntamente com as escolas do 1º ciclo do ensino básico e Jardins de Infância, um passeio ao jardim municipal e ao cine-teatro, onde decorreu um espectáculo para a pequenada, intitulado "Preto no branco", pelo grupo Sete Vidas.
O jardim municipal Dr. Horácio de Sousa por momentos viu acrescentadas as suas flores, parecendo alguns canteiros verdadeiros campos de papoilas, pois muitos dos meninos envergavam t-shirts e bonés vermelhos.
Sob a sombra frondosa das árvores, em momento de descontracção, deu para comer a merendinha.
Ah, e ainda havia os baloiços, pois claro! Sempre sob o olhar atento das monitoras e senhoras professoras.
Fotos de R.Leonardo/TORRE.Moncorvo

sábado, 29 de maio de 2010

(foto para ilustrar o texto do Sá Gué)
...pois, decidiram deitar os foguetes lá para o cemitério,
de maneira que a praça ficou vazia...

Quadros da transmontaneidade (11)

A Festa: O Arraial - 2

A noite, finalmente, chegará. De passo apressado todos convergirão para a praça, uma estranha excitação percorrer-lhes-á a alma. Os mais novos, provavelmente, serão fervilhares hormonais, será como se naquela noite tudo pudesse acontecer, como se a namorada dos seus sonhos pudesse vir a revelar-se, finalmente poderá tocar-lhe, sentir a sua pele macia, poderá estar com ela aos olhos de todos. Os mais velhos, que já pouco esperam da vida, será algo mais racional, será um sentimento de relaxamento, como se a sua vida cansativa se pudesse alterar. Por uma noite poderão esquecer a fadiga de um ano inteiro.
As rotinas serão alteradas. Até os viciados da sueca da mesa do canto do "Café Central" desaparecerão para deixar sentar uns forasteiros, que ninguém conhece, com gosto pela cerveja e amendoins.
Na praça os alto-falantes continuarão a debitar decibéis até que a banda inicie a actuação da noite. De quando em vez uma voz masculina surgirá a anunciar a necessidade de o dono do carro de matrícula tal comparecer na cabine de som, para logo depois os roufenhos sons subirem de tom e voltarem a misturar-se com a vozeada do povo já aglomerado, saboreando a calidez da noite e o repasto da vida alheia.
(Continua…)


ANTÓNIO SÁ GUÉ

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quadros da Emigração - Londres

West Norwood School

Ontem, dia 26 de Maio, almocei na companhia do Tim, um dos responsáveis pelo Festival anual “Readers and Writers”, que ocorre em Lambeth durante o mês de Maio, e do Keith, o jovem bibliotecário da West Norwood Library, num restaurante Português de Lambeth. Sem ementa específica a lembrar a mesa tradicional portuguesa, bebi, contudo, um sumo Compal de maçã e o Tim dirigiu-se ao balcão para pedir um expresso e um pastel de natas. Ficou a saber que a delícia que degustava era o pastel mundialmente conhecido e muito apreciado. Pelos vistos, também por ele. Com aquela pausa para almoço, tipicamente portuguesa, partimos reforçados para a Escola Secundária (West Norwood School), onde nos esperava um grupo de alunos portugueses de mão-cheia. Entretanto, deixámos o Keith na biblioteca a preparar as perguntas que me haveria de colocar, ainda nessa mesma tarde, na sessão de apresentação de Outros Contos da Montanha e a repetir algumas frases em português para agraciar o público em sua língua materna.
Após alguns minutos de espera, vem ao nosso encontro Sam, que é o professor responsável pela realização do evento e acolhimento de Outros Contos da Montanha na Escola. À entrada da sala, duas adolescentes enquanto esperavam discutiam a formação do feminino referente à palavra escritor. Decidiram-se por escritora, mas riam-se dizendo que já não se lembravam. Não seria bem assim, porque foram os dois elementos com maior participação durante a sessão. Perguntaram-me de imediato qual o meu nome e eu perguntei-lhes um a um o de todos, querendo igualmente saber donde vinham. Chegavam de todos os lados, desde a Madeira, Lisboa, Barreiro, Setúbal, Porto… Eu apresentei-lhes a minha terra, a nossa terra, e falei-lhes da vegetação dos nossos montes, da urze e doutras plantas e das pessoas (transmontanas) que inspiraram estes contos. Disse-lhes que me identificava com aquele lugar e que lhes queria mostrar a sua riqueza, as suas tradições, o seu conto da tradição oral… E aí eles foram lendo em voz alta “O Rapaz e a Víbora” . Alguns com alguma dificuldade e outros de forma mais desenvolta, deram alma e vida àquele texto na sua sala de aula. Por fim, à laia de sumário feito no final da lição, perguntei se haveria um voluntário que quisesse resumir a história em apenas algumas frases. Fê-lo uma das meninas da indecisão entre escritor/escritora de forma escorreita e eficaz.
Penso que se colheram frutos, pois dali tiraram-se duas vertentes da mesma moral da história. Uma delas, saída da boca da rapariga e da narradora, diz que não se deve trair a amizade, neste caso o amor e a lealdade à nossa língua, porque é o meio por excelência de identidade e de cultura, ou seja, “a nossa pátria”. A outra, a que o professor proferiu em forma de “confessada” conversa: “Muitos dos alunos que aqui estiveram nunca se atreveram a participar numa aula, nunca leram em voz alta e nem sequer levantaram o braço”. E acrescentou: “Penso que para eles foi muito importante que a sua própria cultura chegasse, batesse à porta e se instalasse na sala de aulas”.
Eu digo obrigada a todos e espero que o interesse permaneça para que possam ler a versão integral do livro que se encontra na Biblioteca da escola.
Continuação de boa leitura!...

Reabilitação urbana do espaço envolvente do cemitério de Moncorvo

Planta da área intervencionada (Fonte: brochura intitulada "Viver Moncorvo", distribuída com o J.N. em 25.07.2009)

Arrancou há pouco mais de um mês a obra de reabilitação do actual campo da feira de Torre de Moncorvo, que envolve a parte de cima do cemitério (desde a sede da ACIM e a zona das Aveleiras) e a parte de baixo, onde dantes se localizou o bairro social do Fundo de Fomento de Habitação.
Esta obra prevê a concretização de um espaço multi-funcional, com o ordenamento do espaço da feira, arborização, estacionamento automóvel, um parque infantil, pequeno bar e, futuramente, a nova capela de Santo Cristo, a localizar no recanto em forma de anfiteatro localizado ao fundo da rua de Santiago (ver planta).

Estado dos trabalhos em finais de Abril

A obra implica amplos movimentos de terras (como as fotos documentam), muros de contenção em alvenaria de xisto e "gavions" de granito, pavimentos betuminosos e em granito, lancis, mobiliário urbano, iluminação pública, drenagens e zonas verdes.


Construção dos "gavions" de sustentação de terras

A entidade responsável da obra é a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, que tem como parceira a Associação de Comerciantes e Industriais de Moncorvo (ACIM). O orçamento inicial do projecto é de 500.000€, sendo 350.000€ comparticipados pelo FEDER, 100.000€ pela administração local (CMTM) e 50.000€ pelo parceiro (ACIM).

Outro aspecto das obras nos inícios de Maio
Convém recordar que a zona dos tabuleiros superiores do lado Sul do cemitério foram, outrora umas belas hortas ajardinadas que pertenceram a grandes proprietários da vila, como Abel Gomes e António Montenegro. Nos anos 80 do séc. XX os terrenos foram adquiridos pelo município, que aí instalou o estaleiro municipal e parque de máquinas. Com a transferência desta funcionalidade para a zona da antiga estação dos caminhos de ferro, já nos anos 90, o espaço em causa passou a ser ocupado pela feira e, episodicamente, pelos circos ou diversões ambulantes.

Estado actual dos trabalhos - implantação de lancis.
Do lado de baixo do cemitério, até aos anos 70 do séc. XX, foram igualmente terrenos hortícolas, que confinavam com o grande olival de Santo Cristo, propriedade de António Montenegro. Após o 25 de Abril, na 2ª. metade dos anos 70, de forma a resolver-se o problema da habitação em Moncorvo (não esquecendo o regresso de muitas pessoas do antigo ultramar, além de um maior afluxo de pessoas das aldeias para a vila), foi aí construído um bairro social de casas pré-fabricadas, que existiu até há poucos anos.
Recentemente o referido bairro foi demolido e o espaço foi também utilizado para a feira. Contudo, desde há anos que existe um projecto de se localizar aqui uma nova capela de Santo Cristo, por iniciativa da associação de moradores do bairro do mesmo nome.
Relembramos que a antiga capela de Santo Cristo foi demolida nos finais do séc. XIX devido ao alargamento do cemitério.
Fotos: exclusivo para blogue "TORRE.Moncorvo"

domingo, 23 de maio de 2010

Quadros da transmontaneidade (10)

A Festa: O Arraial - 1

O arraial começou antes, muito antes, das luzes acenderem. Começou com longas discussões na casa da junta para concluir qual a banda filarmónica e a banda rock a contratar. Começou num conflito de gerações, benigno, para definir se o arraial devia ser abrilhantado, em primazia, pela banda de Sobrado, ou pelos AND SO ON, que nada tocam, apenas gritam, no dizer dos mais velhos.
Aixe... atão aquilo é que é música? – interrogava-se o Ti Marcolino, quando se lembrava das ondas sonoras de uma guitarra eléctrica, pouco afinada, que lhe entravam pelos ouvidos dentro e lhe esborraçavam os tímpanos.
A noite é pequena para conter duas bandas ao desafio, um conjunto “rockeiro” para satisfazer as vontades dos mais novos, a cantar em inglês, que é mais fixe, como se só essa língua carregasse poesia, e ainda por cima, a incomodativa mas sempre lucrativa arrematação das prendas que as raparigas casadouras haviam de oferecer.
Hoje, essas guerrilhas estão ultrapassadas, o poder local, conquista de Abril, toma decisões e paga.
(Continua...)

ANTÓNIO SÁ GUÉ

Isabel Mateus presente no festival de Leitores e Escritores de Lambeth (Reino Unido)

A nossa conterrânea e colaboradora deste blogue, Isabel Mateus, vai estar presente no prestigiado Festival de Leitores de Escritores de Lambeth, ou, em inglês, o Lambeth Readers and Writers Festival (Londres, Reino Unido), o qual está a decorrer desde o passado dia 19 de Maio.
Este certame realiza-se anualmente na autarquia de Lambeth, uma das mais densamente povoadas freguesias interiores de Londres, com uma população de cerca de 270.000 habitantes. Com base no censo de 2001, 38% da população de Lambeth são provenientes de minorias étnicas, a sétima percentagem mais alta de um bairro de Londres. Cerca de 150 línguas são aí faladas, sendo o Português, depois do Inglês, umas das mais faladas, a par do Ioruba (dialecto africano nigero-congolês), do Francês, Espanhol e Twi (dialecto africano da zona do Ghana). O território de Lambeth inclui outras circunscrições, tais como: Croydon, Merton, Southwark, Wandsworth e Westminster.
Entre outros escritores, ingleses e não só, Isabel Mateus foi uma das escolhidas e irá apresentar a sua obra "Outros contos da montanha", já no próximo dia 26 de Maio (próxima quarta-feira), na Biblioteca de Norwood Ocidental (West Norwood Library). Primeiramente estará numa Escola Secundária da zona, cujo coordenador, Mr. Sam Holmes, é um falante da língua portuguesa e conhecedor da obra de Miguel Torga que estudou na Universidade de Cambridge.
A obra a que a autora se irá referir ("Outros contos da montanha") já foi apresentada em Torre de Moncorvo, encontrando-se referenciada, por exemplo, em:
Aqui fica agora uma recensão para o público inglês, retirado do "site" do Festival de Lambeth (http://www.lambeth.gov.uk/Services/LeisureCulture/Libraries/ReadersWritersFestival.htm):

«Outros Contos da Montanha (Other tales of the Mountain) with Isabel Maria Fidalgo Mateus

Wednesday 26 May, 6pm at West Norwood Library.

"Outros Contos da Montanha" is a book composed by 36 short stories dealing with the rural life in North East Portugal. As a whole the stories represent the different aspects of the cultural and social life of the community since past times, passing through the harsh period of the Portuguese Dictatorship (1928 to 1974).

Isabel was a teacher in Portugal for 10 years before moving to the UK in 2001 where she completed a PhD and now lectures at Liverpool University. She is the author of three books. She has been working with Portuguese speaking schoolchildren in Lambeth and here talks about her book and the experience of emigration. Not only will Isabel be discussing her work but would also like to hear the stories of other Portuguese migrants for inclusion in her next book».

Esperemos que os moncorvenses, trasmontanos e portugueses em geral a trabalhar na zona de Londres, comparecem a este evento, apoiando a nossa conterrânea.
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Nota: incluímos aqui esta notícia e o excerto em inglês, uma vez que sabemos que o 2º. país com maior número de visitas ao nosso blogue (a seguir a Portugal) é o Reino Unido. - Um grande abraço para os nossos conterrâneos aí nessas paragens!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pessoas 3 - O barbeiro e o lavrador (era assim...)

  • Autor: António Basaloco (sénior)
  • Título: O barbeiro e o lavrador
  • Legenda: “Barbeando de terra em terra... de rua em rua... e de casa em casa. Até vai ao campo onde os lavradores descansam... enquanto fazem a barba”.
  • Local/data: Mós (concelho de Torre de Moncorvo), 2002

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pelos céus de Moncorvo

No passado fim de semana os céus de Moncorvo apareceram decorados com umas belas "aves" multicores, em voos planados sobre a serra e a vila. Num certame realizado pela WIND, Escolas de Parapente de Portugal e pelo clube local "Os Grifos do Douro Internacional" (sedeado em Freixo de Espada à Cinta), esta prova, acreditada pela Federação Portuguesa de Voo Livre, contou para os "rankings" nacionais, tendo continuidade agora noutras paragens:

Mirandela (10 a 13 de Junho), Montalegre (15 a 18 de Julho) e Linhares da Beira (Serra da Estrela, 2 a 5 de Agosto).


São conhecidas as especiais condições da serra do Roboredo para a prática desta modalidade, havendo, inclusive, alguns moncorvenses aficcionados, que há anos constituiram o clube "Ares da Minha Serra" (ver: http://www.aresdaminhaserra.pt/)
É um verdadeiro espectáculo ver as acrobacias destes pilotos, alguns dos quais chegam a percorrer muitas dezenas e até centenas de quilómetros, subindo a grandes altitudes, tirando partido das correntes ascendentes e das térmicas.

Sobre a emoção desta "vertigem azul", leia a reportagem do J.N. que destaca a participação da campeã de para-pente Sílvia Ventura - ela esteve cá!!! : http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Gente/Interior.aspx?content_id=1575074
Fotos de WIND (cortezia de Lino Miguel Teixeira, a quem agradecemos)

terça-feira, 18 de maio de 2010

E os meninos foram ao museu!

Correspondendo à chamada, o Museu do Ferro foi hoje amplamente visitado!
- Desde grupos séniores, com destaque para uma excursão de um Lar da freguesia das Chãs (Vila Nova de Foz Côa) a visitantes ocasionais, aproveitando o belo dia soalheiro, muitos foram os que neste dia mundial dos museus foram dar uma visitinha ao Museu do Ferro (ver "post" anterior).
Mas a visita colectiva mais numerosa e efectiva, ocorreu depois de almoço, integrada numa actividade coordenada pela estagiária do Museu, D. Amélia Cascais, em articulação com as senhoras professoras do Agrupamento Vertical de Escolas/Jardins de Infância e colaboração do pessoal do Museu e da Biblioteca Municipal. As crianças percorreram a exposição permanente, jardins e auditório, onde realizaram actividades relacionadas com a Primavera.

O numeroso grupo de crianças realizando uma actividade criativa no auditório do Museu.

"- E eu fui ao jardim do museu, giroflé, flé, flá!...."
Fotos: R.Leonardo/MF&RM

Hoje é Dia Internacional dos Museus!

Em 1977 o ICOM (Conselho Internacional dos Museus), organismo da UNESCO, determinou que o dia 18 de Maio fosse comemorado como Dia Mundial dos Museus, como forma de estimular e sensibilizar as pessoas para conhecerem melhor o património cultural (colectivo) que se guarda nestas instituições (Museus, Centros Culturais e afins).
Tempos houve em que os museus eram uma espécie de "templos" reservados apenas aos "entendidos" e às pessoas pretensamente cultas, onde se mostravam apenas valores culturais de valor excepcional (quadros de grandes mestres, mobiliário e jóias preciosas, normalmente procedentes de colecções da Igreja ou de grandes senhores). Progressivamente os museus têm vindo a democratizar-se, tal como o acesso à Cultura, neles cabendo até obras mais modestas, do quotidiano, ou simples resíduos, como "cacos" de cerâmica ou escórias de ferro, mas que nos dão informação sobre o modo de vida dos nossos antepassados.
É evidente que essas grandes obras (o que se chamava de "obras-primas") continuam a integrar as exposições de alguns grandes museus, mas hoje são explicadas de uma forma acessível, quer às pessoas comuns (que não os especialistas), quer, inclusivamente às crianças. Por isso, um sector fundamental dos museus de hoje são os chamados "Serviços Educativos".
O objectivo é que as pessoas tenham consciência da importância destes valores, que sintam que eles lhes pertencem, que os testemunhos resguardados nos museus fazem parte das suas memórias enquanto comunidade, e que os próprios espaços museológicos são como que "salas de visita" da sua casa, que é a sua terra, região, país, ou mesmo dessa casa maior que é o nosso planeta. - Em última instância, o objectivo dos museus hoje, é um maior envolvimento da comunidade nestes espaços (que lhes pertencem), é contribuir, dessa forma, para uma melhor cidadania.
Neste sentido, esteja onde estiver, talvez ao fim do dia (como forma de espairecer da jornada de trabalho), pegue na família e visite um museu perto de si!
Em Torre de Moncorvo tem à sua escolha:
- Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, no Largo Dr. Balbino Rego (hoje a entrada é gratuita) - tel. 279252724
- Museu do Vinho/Oficina Vinária, na travessa das Amoreiras [museu privado] - tel. 279252285
- Núcleo de Fotografia do Douro Superior, R. Dr. Campos Monteiro [museu privado] - tel. 279106274

domingo, 16 de maio de 2010

Quadros da transmontaneidade (9)

Durante a tarde, em hora que não fira o santo préstito, o futebol há-de ajustar contas com as gentes da aldeia vizinha, ou então, entre solteiros e casados a marcar rivalidades mais benignas, hoje inexistentes e, talvez por isso, substituídas pelas poeirentas mangas de motocross. À saída da igreja formar-se-á uma “ringoleira” de anjos e andores. A banda não faltará logo atrás do santo padroeiro e, um mar de gente segui-lo-á, engrossando à medida que as ruas forem sendo percorridas. As colchas alindarão as varandas e as ruas serão estreitas para tanto devoto. Um foguete, de quando em vez, aterrorizará a passarada e alegrará a canzoada fazendo-os crer que a caça começou. As rezas entremearão com umas marchas musicais em compasso retardante, também elas a fazer-nos regressar ao interior, à nossa condição de mortais, mas que depressa desaparecerá logo à noite, no arraial, depois de se acenderem as luzes. Nas encruzilhadas os mais velhos, que ainda usam chapéu, destaparão a cabeça à passagem do andor, os seus pegadores, à aproximação de um crente a pretender alfinetar a fita com um nota de 50, fazem-no descer ao nível dos humanos, obrigando-os a um exercício de equilíbrio e a um esforço suplementar.Terminará já com as sombras alongadas e uma descarga de morteiros anunciará a todos o seu fim. (Continua…)

ANTÓNIO SÁ GUÉ