sábado, 23 de abril de 2011

Páscoa moncorvense

Decorrem as celebrações da Semana Santa em Torre de Moncorvo, com a solenidade habitual. Na igreja da Misericórdia reverencia-se o andor de Cristo carregado a Cruz (foto de Rui Leonardo).


Depois do jejum, vêm as iguarias pascais típicas da nossa região: o folar e as famosas amêndoas cobertas de Moncorvo (fotos de N.Campos).

Hoje à noite realiza-se a missa da benção da água e do fogo sagrado e amanhã a procissão da Ressurreição.

A todos os nossos seguidores e Amigos, desejamos-lhes uma boa Páscoa!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Comemorações do 25 de Abril em Moncorvo

(Clicar sobre o cartaz - para AMPLIAR)

No âmbito das comemorações do 25 de Abril, destacamos estes dois eventos culturais, a saber, o lançamento de mais um livro do nosso amigo e colaborador deste blogue, António Sá Gué, intitulado "Ultreia" (em redor do Caminho de Santiago) e uma exposição de pintura de Gomes da Rocha e Ana de Pinho.

A não perder!!


Em Abril papoilas mil



terça-feira, 19 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (42)

À volta da ceifa

Antes de partir para a as malhas, deixem-me contar-lhes uma estória, em torno das ceifas, que todos os freixenistas conhecem e que eu acho uma delícia.
Dedicado a todo(a)s o(a)s freixenistas aqui vai o “Arroz dos Mazouqueiros”.

O Zé era um raparigalho como tantos outros daquele tempo. Enfezado, ranhoso, permanente ranhoso, educado pela lei do pontapé e da bofetada. Desde bem cedo que começou a levar as vacas ao lameiro, a acarrejar água para casa, a dar corpo ao adágio de que trabalho de menino é pouco, mas quem o perde é louco.
Nesse dia, a mãe mandou-o levar a janta aos segadores que andavam na courela que traziam arrendada ao Dr. Antoninho, lá para os lados do Cabecinho, já quase a entrar no termo de Freixo.
Sem resmungar lá foi, e logo que pôde fez o caminho de regresso. O recado da mãe tinha sido bem explícito: nada de vadiar pelos montes, de fazer hortinhas nos caminhos, ou de andar à cata dos ninhos. Nada de mandriar! Mal os homens acabem de comer vem depressa porque há muito trabalho a fazer.
Era sempre assim, o trabalho nunca se acabava.
Ele assim fez.
A mãe, mal o viu entrar em casa, estafado pelo calor e pelo peso da cesta, ansiosa, provavelmente, devido a algum pecadilho a consumir-lhe a paciência logo lhe perguntou:
- Ó Zé, o arroz chegou?
- Chegou! Mas foi mesmo à justa – responde ele todo lampeiro - os segadores a pousar o garfo e o arroz a acabar.

António Sá Gué

P.S.: Boa páscoa a todos!

Passeio pelas fontes e chafarizes de Torre de Moncorvo

Como anunciámos oportunamente, realizou-se ontem um percurso pelas fontes e chafarizes da freguesia de Torre de Moncorvo, como forma de assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, este ano dedicado ao tema da "Água, Património e Cultura".
Apareceram cerca de duas dezenas de participantes, sendo de realçar que a maior parte eram jovens e crianças.
Aqui fica a reportagem:
Observando a Fonte Carvalho, uma antiga fonte de arcada, cuja obra de cantaria remonta ao início do séc. XVII. Ao lado possui uns tanques onde bebiam os animais, além de uns lavadouros, onde o povo da Corredoura vinha lavar a roupa.

Diz a tradição que uma mulher que vinha de madrugada lavar a roupa para a fonte Carvalho, quando viu, à meia-noite, a alma penada de um juiz que se acabara de suicidar na vila. Este episódio, que a fez perder os sentidos, está registado no livro "Contos ao luar de Agosto -I" de autoria da moncorvense Júlia de Barros Biló. Na foto de cima, uma jovem leu um trecho dessa história aos outros participantes - um convite à leitura deste livro, que se encontra na Biblioteca Municipal.


E o passeio prosseguiu até à fonte de Santiago, onde se falou de uma antiga igreja dedicada a este Santo, além de nos encontrarmos nos Caminhos de Santiago. Esta é outra fonte do século XVII, da época filipina, o que demonstra que no tempo dos Filipes (reis de Espanha e Portugal), se fizeram bastantes obras de hidráulica, não só em Moncorvo, como no resto destes reinos...


Outra fonte que pode remontar ao período filipino (sec. XVI-XVII) é a das Aveleiras. No entanto há registo de já aqui ter havido um chafariz no séc. XV. Os jovens apreciam um relevo com o brazão de armas do município de Torre de Moncorvo (a torre com os dois corvos).


Fonte de Santo António. Mais uma paragem para mais uma leitura de poemas dedicados a esta fonte, igualmente de autoria da Drª. Júlia Biló, neste caso do livro: "Somos poeira, somos astros". Foi lido um poema em que a autora se refere à tradição segundo a qual quem beber nesta fonte casa cá na terra!

Descida pela Rua do Cano - e explicou-se que o "cano" era uma conduta de água subterrênea que encaminhava a água desde a serra para o chafariz que estava na praça, uma obra notável dos fins do séc. XVI e que funcionou até ao final do séc. XIX, altura em que o dito chafariz foi desmontado.

Este é o novo chafariz da praça, recuperando as peças centrais que sobraram do antigo chafariz. Foi explicado aos participantes que este chafariz foi reconstruído em 1998, cerca de 100 anos depois de ter sido apeado, sendo possível saber qual era o seu aspecto através de uma fotografia antiga que tinha sido tirada antes de o desmontarem. A praça de Moncorvo ficou muito valorizada com esta belo monumento, sendo um bom exemplo de recuperação do património realizado no fim do séc. XX, depois das pedras da taça e depóstio do chafariz andarem aos tropeções durante quase um século.

Junto aos vestígios da muralha do castelo, mais um chafariz aqui implantado no final do séc. XX. Há quem diga que as pedras do tanque teriam a ver com o antigo chafariz filipino da praça, mas é duvidoso. O certo é que este resulta da junção de duas metades que estiveram encostadas à muralha do castelo, em cada lado do escadório, obras também do final do séc. XIX. Nesta foto, ao fundo, entre o 2º. e o 3º. banco, estava ainda um tanque que servia para os animais de transporte beberem.Finalmente, a fonte mais recente, construída em 1997, no antigo Rossio de Moncorvo, hoje praça General Claudino, projecto da Arquitecta Ana Rodrigues, no âmbito de uma intervenção urbanística neste espaço. Esta fonte procura recuperar a forma dos antigos tanques e, sobretudo, a sonoridade da água corrente, numa praça um bocado árida e tórrida em dias de verão. Evoca ainda o poço que se sabe ter existido nesta praça ainda no séc. XVIII e que poderia vir dos tempos da construção da igreja matriz, onde matariam a sede os pedreiros e carregadores da obra. No final foi servido um pequeno lanche nos jardins do museu.

Reportagem de N.Campos e João Pinto V. Costa

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dizzi Dulcimer - concerto na igreja matriz de Moncorvo



Tal como anunciado, realizou-se ontem, na Igreja Matriz, pelas 16.00h, o concerto de Dulci Trio - Renaissance, integrado na Temporada de Música Antiga no Douro. Os presentes puderam apreciar uma selecção de temas musicais do período da Renascença brilhantemente interpretados por Dizzi Dulcimer, Emily Eduards e Francesca LaFae. Foi um concerto único, num cenário à altura da interpretação musical.

Dia Internacional dos Monumento e Sítios comemora-se hoje - com passeio às fontes da vila


(Clicar 2 vezes sobre o cartaz, para AMPLIAR)


Ver mais em: http://www.torredemoncorvo.pt/torre-de-moncorvo-celebra-dia-internacional-dos-monumentos-e-sitios e http://parm-moncorvo.blogspot.com/2011/04/18-de-abril-dia-internacional-de.html

PARTICIPE!!

domingo, 17 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (41)

Outras ceifas: ainda a tarde

Uma brisa, muito leve, levantou-se por momentos, e eles, os pecadores daquela Divina Comédia infernal, por momentos não se vergaram sobre a tríade de regos que, em cada seitourada desferida, parecia tornar-se ainda mais longa. Ali se mantiveram erguidos, a aliviar as culpas, a saborear aquele breve e doce encanto. Ali permaneceram com a zoeira da cigarra na nascer-
-lhe na alma, a encher-lhe os ouvidos, como se fosse praga omnipresente em todos os círculos. Por momentos aliviaram a rigidez muscular, enquanto olhavam o horizonte ondulado e escutavam a cantilena repetitiva do cuco que, a Zabelinha contava em segredo, para melhor entender o futuro e conhecer o número de anos que teria de ficar solteira.
- Ainda não é tempo de atar? – instou o Ti Marcolino, quando viu o Sol a querer afocinhar nos montes.
- Sim, sim vão sendo horas - respondeu o Adérito.
E antes de se dirigirem aos eitos, desenhados pela regularidade, quase arrepiante, das gavelas que se tinham ceifado ao longo do dia, dirigiram-se à carvalheira onde o macho continuava preso. Beberam ambos pela mesma cântara de barro, limparam os beiços com as costas das mãos, e ataram ao cinto um bom manhuço de vencelhos que debaixo da albarda da animália, escondidos dos tórridos raios solares, ainda permaneciam húmidos.
Braçada após braçada, as gavelas iam sendo abraçadas uma a uma até adquirirem tamanho de molho, e ainda com as praganas metidas no pescoço eram atados por mãos musculadas que, auxiliadas por joelhadas firmes e secas ajudavam a dar-lhe a sua forma final.
- Não vem lá água! – acautelou o Ti Marcolino quando viu surgir no horizonte uma nuvem mais negra.
Para bom entendedor meia palavra basta, todos perceberam que antes de acabar o dia era preciso juntar os molhos, construir o rilheiro porque caso surgisse algum aguaceiro inoportuno e indesejado sempe ajudaria a proteger tão preciosa colheita.


António Sá Gué

sexta-feira, 15 de abril de 2011

concerto de Dizzi Dulcimer, na igreja matriz de Moncorvo no próximo dia 17/04

(clicar sobre as imagens para AMPLIAR)
Realiza-se no próximo dia 17 de Abril (Domingo), pelas 16 horas, na igreja matriz de Torre de Moncorvo, um concerto de saltério (antigo instrumento de cordas sobre caixa de ressonância, que na Idade Média se usava frequentemente na música litúrgica), pela consagrada artista britânica Dizzi Dulcimer - sobre esta artista e a execução do instrumento, ver, por exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=TxjpYHhfRyI (clicar sobre o link)

Este concerto é promovido pela "Turel", com produção de "Demiparati", tendo como parceiras as seguintes entidades: Diocese de Bragança-Miranda, Turismo Porto e Norte de Portugal, Turismo do Douro, Missão do Douro, Ministério da Cultura, sendo co-finaciada pelo QREN e ON-2.

A não perder!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tarde Ambiental e Agrícola no Museu

Tendo em vista a sensibilização para a importância da Agricultura e preservação do meio ambiente, o Museu do Ferro promoveu, no passado sábado (9 de Abril), uma "Tarde Agrícola", envolvendo algumas jovens e duas técnicas da Fundação Francisco António Meireles. O museu tem procurado o envolvimento de diversas entidades na sua programação, desde o Agrupamento de Escolas aos Lares, procurando assim o melhor envolvimento entre a comunidade e o espaço museológico. Por outro lado, esta iniciativa integrou-se como acção de estágio de Liliana Branco, aluna do curso de Educação Ambiental, na Escola Superior de Educação de Bragança (IPB). Aqui ficam algumas imagens:
Arrancando ervas daninhas (evitando os herbicidas químicos), no canteiro das amendoeiras. Transporte das ervas para o compostor, para se fazer adubo orgânico ("composto", vulgo "estrume") Apanhando laranjas biológicas (estas não recebem tratamento químico) para sumo natural.
Esta actividade teve o apoio do Município e do PARM (parceria de gestão do Museu do Ferro), da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo e da Fundação Francisco A. Meireles.


Txt. e fotos de N.Campos

domingo, 10 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (40)

Outras ceifas: a da tarde

O Sol, serenamente, continuava na sua ascensão até ao zénite. Lá do alto, na sua supina venerabilidade, mostrava-se incapaz de revelar compaixão pelos mortais que ali continuavam a repetir gestos incessantemente: seitourar, sempre em golpes de três, envencilhar e pousar, seitourar, envencilhar... Ali continuavam agarrados a um sentimento de humildade que desafia a própria santidade, presos a uma sapiência de amor pela fecundidade da terra que dilui a fronteira da existência e não-existência humana.
Já não havia suor que arrefecesse os corpos, nem água que matasse a sede. Não fora a cântara de água que a Zulmira trouxera embraçada e assente na anca, quando veio trazer a janta, já devorada à sombra do carrasco, não tardariam a surgir miragens insanas na tremulina que surgia no horizonte. Preso pelos arejados chapéus de palhinhas de abas largas, mercados na feira dos 23 na vila, o lenço tabaqueiro avermelhava nos cachaços tisnados e, em movimentos cíclicos, mãos ásperas como o restolho, levavam-no à testa e absorvia o suor. O sal, que nem só tempera, corroía e descolorava, pela constante evaporação, os costados e os sovacos dos andrajos garridos daquelas almas pecantes que, naquele vórtice infernal, cumpriam pena.
As sombras alongavam-se.

António Sá Gue

(Continua...)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Feira Medieval foi um sucesso!

Como aqui anunciámos, teve hoje lugar a representação de uma feira medieval em Torre de Moncorvo. Já há anos se tinham ensaiado experiências similares, mas sem a dimensão da que hoje teve lugar, com o agrupamento vertical de Escolas em peso, alunos, funcionários e professores, e amplo envolvimento da sociedade civil, associação de comerciantes, GNR, autarquia local e uma empresa de animação de eventos (Cryseia, de Lamego). Tendo coincidido com o último dia de aulas e com um dia de feira a adesão do público local foi excelente, e as ruas da vila encheram-se de um colorido de outros tempos... Não esquecendo que a feira é um acontecimento económico e social que aqui se continua a realizar há mais de 700 anos, tendo sido criada por D. Dinis, entre 1285 e 1287 (não se conhece a data exacta da primeira carta de feira). O mesmo rei, por carta de 2.11.1319, para lhe reforçar a importância, criou uma feira anual com um mês de duração. Por sua vez, D. João I viria a criar uma feira franca, já no séc. XIV. Evocando esses bons tempos medievais, aqui tivemos hoje um cortejo em que pontuaram o rei e a rainha (supostamente D. Dinis e a rainha Santa Isabel), com as restantes classes sociais da época (clero, com bispo e tudo, nobreza e povo). . Aqui fica a reportagem: As ruínas do Castelo há muitos séculos que não viam um espectáculo assim - foi como se tivessemos entrado na máquina do tempo.... Pendões desfraldados ao vento, o colorido dos trajes dos tempos medievos alegraram as vetustas pedras... O Bispo, o Rei, a Rainha, nobres ou pagens, guarda real e etc., na complexidade do xadrez do reino, aqui representados... Na eterna praça, o comum dos mortais: o povo de todas as idades assiste e aplaude. Deu-se o milagre das rosas: viva a rainha!.... viva o rei!... E o cortejo espraiou-se depois pelo burgo, através da eterna rua das Flores, a viela que liga as duas praças (a do poder civil e a da Igreja)...
Grande concentração no adro da "Catedral" - a soldadesca prepara-se para a peleja, num torneio amigável para moncorvense ver....

E aos depois uma voltinha pela feira, onde, além das barraquinhas das vendas, até se poderia apreciar a cria...
Na taberna, duas belas estalajadeiras...

...e um frade já bem fornecido...


... enquanto um pobre leproso mendigava!

Por todo o santo dia durou o evento e ao cair da tarde, em frente do paço (do concelho), a festa iria continuar....


...com uma Ceia medieval (ou quase, não fossem alguns anacronismos)...
Os ritmos medievos vieram das terras de Miranda, com as sonoridades de gaita de foles, bombo e caixa de guerra. Do lado esquerdo, a mesa real presidindo à Ceia... Salientamos a preocupação da Organização em envolver os alunos, professores e população em geral, num acontecimento ao mesmo tempo lúdico e pedagógico. No entanto, o mesmo poderá ser potenciado, no futuro, como cartaz turístico, a divulgar amplamente, em data convencionada. Porque não no feriado municipal, ou no dia do foral dionisino (12.04.1285) que fundou o concelho de Torre de Moncorvo? - fica a sugestão.

Txt. e fotos de N.Campos (excepto a do "leproso", cedida por Camané Ricardo)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Feira medieval, amanhã em Torre de Moncorvo

Amanhã, dia 8 de Abril, o Agrupamento Vertical de Escolas de Torre de Moncorvo, com o apoio do município, promove uma Feira Medieval, propiciando uma viagem no tempo pelas ruas do centro histórico desta muy nobre villa da Torre de MemCorvo. Aqui fica o programa:


Programa


09:30 – Saída do Cortejo Real para a Praça Francisco Meireles

10:00 – Abertura da Feira pelo Rei e anunciado pelo Arauto nas escadas do Castelo


10:05 – Espectáculo Teatral


Peça “ O Milagre das Rosas”


“Cantiga de Amor”


Torneio a Cavalo


Luta de guerreiros


10:40 / 17.30 – Feira Medieval no Largo General Claudino


Venda de bens e produtos


Animação de Rua


19.30 – Ceia Medieval

domingo, 3 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (39)


Outras ceifas: a manhã

Quando o Ti Marcolino desmontou do macho, deixando-se escorregar albarda abaixo, já os jeireiros protegiam aos dedos de eventuais naifadas da seitoura com os grossos dedais de atanado e, sempre com chalaças pelo meio, decidiam quem tomaria o primeiro eito.
Ainda ele não tinha chegado com os pés ao chão e já o macho, sempre irrequieto, se desviava para derriçar um tufo de espigas que se lhe metiam olhos dentro.
- Rais te partam, demónio dos quintos dos infernos – maldisse o Ti Marcolino ao mesmo tempo que se equilibrava e lhe puxava o rabeiro com força. Prendeu-o, de rédea curta, à carvalheira que ficava à mão direita do portelo.
O Sol já lá vinha, os jeireiros, com o barulho de corte das seitouras e o roçagar das espigas metidos nos ouvidos nem escutaram a praga do Ti Marcolino. Havia que aproveitar a fresca, antes que o Sol ameaçasse queimar tudo e todos, antes que o tapado se transformasse numa das portas infernais de Dante.
O Ti Adérito prensado entre os outros, ao sentir as espigas a tocarem-lhe nas nalgas desencadeado pelos movimentos mais impetuosos do Ti Albano, que vinha no seu encalce, em boa verdade ao sentir-se acossado pelo seu persegudor desencadeou a primeira picardia:
- Estás folgado… – acusou ele – passa p’rá frente.
Riu-se. Mas nem por isso diminui a frequência dos golpes da seitoura, nem por isso deixou de envencilhar com destreza as mancheias que se iam acumulando na mão esquerda e ia colocando atrás de si. O Ti Joaquim, afamada na arte, continuava mais à frente alheio do despique dos seus seguidores.
E, pouco a pouco, seitourada após seitourada, iam-se desenhando os cortes, o restolho ia dando lugar ao ondular encantado da seara. As gavelas, montes de trigo, militarmente alinhadas iam demarcando os eitos já segados, sempre no mesmo sentido, sempre a aproveitar do declive do terreno, sempre a começar no baixos e acabar nos altos.
Quando apareceu a Isabel, a filha Ti Marcolino, com o cesto da parva à cabeça, já o Sol andava na coroa do velho carvalho.


António Sá Gue

(Continua...)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Capela de S. João Baptista/N.Sª. de Fátima vai ser recuperada!


O Governador Civil do Distrito de Bragança, Engº. Jorge Gomes, e a Presidente da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, Drª. Maria de Lurdes Pontes, sob auspícios do Presidente da Câmara, Engº. Aires Ferreira, assinaram hoje, nos paços do concelho, o contrato de financiamento para restauro da capela de S. João Baptista (também conhecida por capela de Senhora de Fátima), que é propriedade da junta. Este apoio resulta de uma canditatura efectuada pela Junta de Moncorvo ao sub-programa 2 da CCDRN, sendo verbas procedentes do Orçamento de Estado, com comparticipação a 60%. O montante agora contratualizado ascende a 28.700€, esperando a Junta de Freguesia conseguir arranjar os restantes 40%, de forma a realizar a totalidade das obras previstas. Estas visam a renovação da cobertura, recuperação do tecto, rebocos, pinturas, etc.. A capela de S. João Baptista remonta ao séc. XVII, estando documentada, pelo menos desde o séc. XVIII, uma importante festa, com encenação de uma "mouriscada" (combate simulado entre cristãos e mouros), com saída de S. Jorge a cavalo. Já no século XX esta capela passaria a ser dedicada também a N. Srª. de Fátima, em consequência da afirmação do culto da Senhora aparecida na Cova da Iria. Seria interessante voltar a recuperar-se a festa de S. João, cujo arraial em tempos se deslocou para o terreiro do Castelo, defronte dos Paços do Concelho e agora se centra mais na praça Francisco Meireles. Contudo, julgamos que seria boa ideia iniciar-se essa festividade popular com uma visita à capela que agora vai ser recuperada. - Esperemos que ainda a tempo do próximo S. João. Para já ficam as nossas felicitações às entidades envolvidas pelo empenho na recuperação deste património que é de todos os moncorvenses.