CONTANDO COM A COMPREENSÃO DE TODOS, A ORGANIZAÇÃO ESPERA QUE NÃO DESMOBILIZEM E COMPAREÇAM NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 8 DE MAIO!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Passeio da Pascoela foi adiado!
CONTANDO COM A COMPREENSÃO DE TODOS, A ORGANIZAÇÃO ESPERA QUE NÃO DESMOBILIZEM E COMPAREÇAM NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 8 DE MAIO!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Abril
Lilases na terra morta, misturando
A memória e o desejo, atiçando
Raízes inertes com a chuva da primavera.
A Terra Sem Vida -T.S. Eliot
pelo envio deste excerto de T.S.Elliot (1888-1965), poeta, dramaturgo e crítico literário inglês nascido nos E.U.A., prémio Nobel de Literatura em 1948.
Fotos: João Costa
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Biblioteca municipal: lançamento do livro "ULTREIA, Caminho sem bermas", de A. Sá Gué
A abertura da sessão coube ao Presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Engº. Aires Ferreira, contando com a presença da Chefe de Divisão de Cultura e Turismo, Drª. Helena Pontes e do Engº. Jorge Afecto, amigo do autor, que fez a apresentação do livro, tendo começado por evocar o conhecimento entre ambos, desde o tempo em que cumpriu o serviço militar. Na verdade, o escritor António Sá Gué, nome literário de António Lopes, é, como sabemos, também um ilustre militar de carreira, ao presente com a patente de tenente-coronel.
Pela excelente abordagem efectuada por Jorge Afecto, deu para se entrever o conteúdo da obra - partindo de uma viagem realmente feita pelo autor em 2008, através do Caminho de Santiago. A partir dessa entra-se numa viagem outra, de cariz simbólico, esotérico e iniciático, em que o seu alter-ego, na pessoa de um Professor (antigo funcionário do "ministério do consumo", departamento da Obrigatoriedade), vai discorrendo sobre o que é e o que deveria ser uma certa "escola" que aqui se pretende que seja o Caminho e a Escola da vida. Cada etapa do caminho suscitou uma série de reflexões, pessoais, intimistas, mas na verdade dirigidas a um grupo de "alunos" ou "aprendizes". São 13 etapas, equivalentes a 13 degraus, no livro correspondentes a 13 capítulos, e, como de professor se trata, abertos com 13 "sumários", onde se explanam as respectivas lições, de uma escola que desde logo se intui que não é uma escola de crianças, na acepção normal do termo.
A mística do Caminho (de Santiago) vai-se revelando na atenção aos símbolos, monumentos, lendas e toda a magia que o envolve e, por consequência, envolve os espíritos que o percorrem, naturalmente os capazes dessa apreensão. Aí nos aparecem Rolando (o da célebre canção medieval) nos desfiladeiros de Roncesvalles, onde, moribundo depois da batalha, quebra num penedo a sua fiel espada, a Durindana... A prossegue a caminhada em demanda do mítico Graal, quiçá o ideal da perfeição a atingir por cada um...
Segundo o autor, este é um livro que se situa no plano dos princípios. Citando Kant, o objectivo último é o caminho da Liberdade. Discorreu entretanto sobre o caminho físico, o da Peregrinação jacobeia, informando que este é um caminho pré-cristão, redescoberto na Idade Média e se continua a fazer até aos nossos dias, numa busca da espiritualidade. Neste aspecto, o Caminho é uma escola de segredos da transformação da matéria, onde pontuam as igrejas românicas (e posteriores), pontes, etc., incluindo lápides com estranhos sinais que parecem pertencer a chefes de guildas de pedreiros; do mesmo modo o "professor" Daniel procura aí inspiração para a transformação das consciências, base da verdadeira revolução.
Terminou Sá Gué a sua intervenção com uma referência especial à povoação de Cebreiro, onde Wagner se terá inspirado para escrever a ópera "Parcifal". E foi ao som de Wagner que o autor leu o poema final, um hino, decerto inspirado no hino ao Sol do herético faraó Akhenaton, com que termina o livro: "Tu, que todos os dias desces em ti, / que pairas no abismo,/ que te perdes,/ mas renasces, /mostra-nos os truísmos mais banais.// Tu, que contas o tempo./ que és vida e morte,/ Princípio e Fim, / Luz e trevas, /simultaneamente/ mostra-nos o caminho.// Tu, navegante ousado, /torrente ludra,/delta pacífico,/conhecedor de todas as coisas/ agitador de consciências, /Mostra-nos a verdade.// tu que verdadeiramente nasces para todos,/ mesmo para gente que nunca existiu,/ tu, conhecedor do tamanho do mundo,/ Mostra-nos a verdadeira consciência social./ Tu, grande espírito indomável, que nos iluminas, /Tu, Delta luminoso, sobreviverás além da morte./ Nós, meros mortais, brevemente voltaremos ao pó/ E navegaremos, contigo, para sempre, neste mar da vida."
Que nos perdoe o autor o atrevimento por estas conjecturas e extrapolações finais, resultantes da nossa leitura pessoal. - Esperemos que cada qual faça a sua, pois o livro é como uma pedra que salta da mão do autor e vai bater não se sabe onde...
Texto: N.Campos; Fotos: João Pinto Vieira Costa
No Centro de Memória: exposição de pintura de Ana Pinho e Gomes da Rocha
Integrada nas comemorações do 25 de Abril, foi inaugurada a exposição de pintura de Ana de Pinho e Gomes da Rocha, intitulada "Ao Deus dará", a qual ficará patente até ao próximo dia 22 de Maio.Ana de Pinho apresenta também domínio da técnica pictórica e mestria na composição, revelando um apurado sentido estético, fruto de um olhar treinado e longo contacto com a Arte, facto a que não será alheia a sua actividade profissional de Designer de Interiores.
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sábado, 23 de abril de 2011
Páscoa moncorvense
Decorrem as celebrações da Semana Santa em Torre de Moncorvo, com a solenidade habitual. Na igreja da Misericórdia reverencia-se o andor de Cristo carregado a Cruz (foto de Rui Leonardo).
Depois do jejum, vêm as iguarias pascais típicas da nossa região: o folar e as famosas amêndoas cobertas de Moncorvo (fotos de N.Campos).quinta-feira, 21 de abril de 2011
Comemorações do 25 de Abril em Moncorvo
terça-feira, 19 de abril de 2011
Quadros da transmontaneidade (42)
Antes de partir para a as malhas, deixem-me contar-lhes uma estória, em torno das ceifas, que todos os freixenistas conhecem e que eu acho uma delícia.
Dedicado a todo(a)s o(a)s freixenistas aqui vai o “Arroz dos Mazouqueiros”.
O Zé era um raparigalho como tantos outros daquele tempo. Enfezado, ranhoso, permanente ranhoso, educado pela lei do pontapé e da bofetada. Desde bem cedo que começou a levar as vacas ao lameiro, a acarrejar água para casa, a dar corpo ao adágio de que trabalho de menino é pouco, mas quem o perde é louco.
Nesse dia, a mãe mandou-o levar a janta aos segadores que andavam na courela que traziam arrendada ao Dr. Antoninho, lá para os lados do Cabecinho, já quase a entrar no termo de Freixo.
Sem resmungar lá foi, e logo que pôde fez o caminho de regresso. O recado da mãe tinha sido bem explícito: nada de vadiar pelos montes, de fazer hortinhas nos caminhos, ou de andar à cata dos ninhos. Nada de mandriar! Mal os homens acabem de comer vem depressa porque há muito trabalho a fazer.
Era sempre assim, o trabalho nunca se acabava.
Ele assim fez.
A mãe, mal o viu entrar em casa, estafado pelo calor e pelo peso da cesta, ansiosa, provavelmente, devido a algum pecadilho a consumir-lhe a paciência logo lhe perguntou:
- Ó Zé, o arroz chegou?
- Chegou! Mas foi mesmo à justa – responde ele todo lampeiro - os segadores a pousar o garfo e o arroz a acabar.
António Sá Gué
P.S.: Boa páscoa a todos!
Passeio pelas fontes e chafarizes de Torre de Moncorvo
Apareceram cerca de duas dezenas de participantes, sendo de realçar que a maior parte eram jovens e crianças.
Aqui fica a reportagem:
Observando a Fonte Carvalho, uma antiga fonte de arcada, cuja obra de cantaria remonta ao início do séc. XVII. Ao lado possui uns tanques onde bebiam os animais, além de uns lavadouros, onde o povo da Corredoura vinha lavar a roupa.
Diz a tradição que uma mulher que vinha de madrugada lavar a roupa para a fonte Carvalho, quando viu, à meia-noite, a alma penada de um juiz que se acabara de suicidar na vila. Este episódio, que a fez perder os sentidos, está registado no livro "Contos ao luar de Agosto -I" de autoria da moncorvense Júlia de Barros Biló. Na foto de cima, uma jovem leu um trecho dessa história aos outros participantes - um convite à leitura deste livro, que se encontra na Biblioteca Municipal.
E o passeio prosseguiu até à fonte de Santiago, onde se falou de uma antiga igreja dedicada a este Santo, além de nos encontrarmos nos Caminhos de Santiago. Esta é outra fonte do século XVII, da época filipina, o que demonstra que no tempo dos Filipes (reis de Espanha e Portugal), se fizeram bastantes obras de hidráulica, não só em Moncorvo, como no resto destes reinos...
Outra fonte que pode remontar ao período filipino (sec. XVI-XVII) é a das Aveleiras. No entanto há registo de já aqui ter havido um chafariz no séc. XV. Os jovens apreciam um relevo com o brazão de armas do município de Torre de Moncorvo (a torre com os dois corvos).
Fonte de Santo António. Mais uma paragem para mais uma leitura de poemas dedicados a esta fonte, igualmente de autoria da Drª. Júlia Biló, neste caso do livro: "Somos poeira, somos astros". Foi lido um poema em que a autora se refere à tradição segundo a qual quem beber nesta fonte casa cá na terra!
Descida pela Rua do Cano - e explicou-se que o "cano" era uma conduta de água subterrênea que encaminhava a água desde a serra para o chafariz que estava na praça, uma obra notável dos fins do séc. XVI e que funcionou até ao final do séc. XIX, altura em que o dito chafariz foi desmontado.
Este é o novo chafariz da praça, recuperando as peças centrais que sobraram do antigo chafariz. Foi explicado aos participantes que este chafariz foi reconstruído em 1998, cerca de 100 anos depois de ter sido apeado, sendo possível saber qual era o seu aspecto através de uma fotografia antiga que tinha sido tirada antes de o desmontarem. A praça de Moncorvo ficou muito valorizada com esta belo monumento, sendo um bom exemplo de recuperação do património realizado no fim do séc. XX, depois das pedras da taça e depóstio do chafariz andarem aos tropeções durante quase um século.
Junto aos vestígios da muralha do castelo, mais um chafariz aqui implantado no final do séc. XX. Há quem diga que as pedras do tanque teriam a ver com o antigo chafariz filipino da praça, mas é duvidoso. O certo é que este resulta da junção de duas metades que estiveram encostadas à muralha do castelo, em cada lado do escadório, obras também do final do séc. XIX. Nesta foto, ao fundo, entre o 2º. e o 3º. banco, estava ainda um tanque que servia para os animais de transporte beberem.
Finalmente, a fonte mais recente, construída em 1997, no antigo Rossio de Moncorvo, hoje praça General Claudino, projecto da Arquitecta Ana Rodrigues, no âmbito de uma intervenção urbanística neste espaço. Esta fonte procura recuperar a forma dos antigos tanques e, sobretudo, a sonoridade da água corrente, numa praça um bocado árida e tórrida em dias de verão. Evoca ainda o poço que se sabe ter existido nesta praça ainda no séc. XVIII e que poderia vir dos tempos da construção da igreja matriz, onde matariam a sede os pedreiros e carregadores da obra. No final foi servido um pequeno lanche nos jardins do museu. segunda-feira, 18 de abril de 2011
Dizzi Dulcimer - concerto na igreja matriz de Moncorvo
Tal como anunciado, realizou-se ontem, na Igreja Matriz, pelas 16.00h, o concerto de Dulci Trio - Renaissance, integrado na Temporada de Música Antiga no Douro. Os presentes puderam apreciar uma selecção de temas musicais do período da Renascença brilhantemente interpretados por Dizzi Dulcimer, Emily Eduards e Francesca LaFae. Foi um concerto único, num cenário à altura da interpretação musical.
Dia Internacional dos Monumento e Sítios comemora-se hoje - com passeio às fontes da vila
Ver mais em: http://www.torredemoncorvo.pt/torre-de-moncorvo-celebra-dia-internacional-dos-monumentos-e-sitios e http://parm-moncorvo.blogspot.com/2011/04/18-de-abril-dia-internacional-de.html
PARTICIPE!!domingo, 17 de abril de 2011
Quadros da transmontaneidade (41)
Uma brisa, muito leve, levantou-se por momentos, e eles, os pecadores daquela Divina Comédia infernal, por momentos não se vergaram sobre a tríade de regos que, em cada seitourada desferida, parecia tornar-se ainda mais longa. Ali se mantiveram erguidos, a aliviar as culpas, a saborear aquele breve e doce encanto. Ali permaneceram com a zoeira da cigarra na nascer-
-lhe na alma, a encher-lhe os ouvidos, como se fosse praga omnipresente em todos os círculos. Por momentos aliviaram a rigidez muscular, enquanto olhavam o horizonte ondulado e escutavam a cantilena repetitiva do cuco que, a Zabelinha contava em segredo, para melhor entender o futuro e conhecer o número de anos que teria de ficar solteira.
- Ainda não é tempo de atar? – instou o Ti Marcolino, quando viu o Sol a querer afocinhar nos montes.
- Sim, sim vão sendo horas - respondeu o Adérito.
E antes de se dirigirem aos eitos, desenhados pela regularidade, quase arrepiante, das gavelas que se tinham ceifado ao longo do dia, dirigiram-se à carvalheira onde o macho continuava preso. Beberam ambos pela mesma cântara de barro, limparam os beiços com as costas das mãos, e ataram ao cinto um bom manhuço de vencelhos que debaixo da albarda da animália, escondidos dos tórridos raios solares, ainda permaneciam húmidos.
Braçada após braçada, as gavelas iam sendo abraçadas uma a uma até adquirirem tamanho de molho, e ainda com as praganas metidas no pescoço eram atados por mãos musculadas que, auxiliadas por joelhadas firmes e secas ajudavam a dar-lhe a sua forma final.
- Não vem lá água! – acautelou o Ti Marcolino quando viu surgir no horizonte uma nuvem mais negra.
Para bom entendedor meia palavra basta, todos perceberam que antes de acabar o dia era preciso juntar os molhos, construir o rilheiro porque caso surgisse algum aguaceiro inoportuno e indesejado sempe ajudaria a proteger tão preciosa colheita.
António Sá Gué
sexta-feira, 15 de abril de 2011
concerto de Dizzi Dulcimer, na igreja matriz de Moncorvo no próximo dia 17/04
(clicar sobre as imagens para AMPLIAR)
Realiza-se no próximo dia 17 de Abril (Domingo), pelas 16 horas, na igreja matriz de Torre de Moncorvo, um concerto de saltério (antigo instrumento de cordas sobre caixa de ressonância, que na Idade Média se usava frequentemente na música litúrgica), pela consagrada artista britânica Dizzi Dulcimer - sobre esta artista e a execução do instrumento, ver, por exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=TxjpYHhfRyI (clicar sobre o link)segunda-feira, 11 de abril de 2011
Tarde Ambiental e Agrícola no Museu
Arrancando ervas daninhas (evitando os herbicidas químicos), no canteiro das amendoeiras.
Transporte das ervas para o compostor, para se fazer adubo orgânico ("composto", vulgo "estrume")
Apanhando laranjas biológicas (estas não recebem tratamento químico) para sumo natural. http://www.torredemoncorvo.pt/museu-do-ferro-e-da-regi-o-de-moncorvo-promove-tarde-agricola e http://parm-moncorvo.blogspot.com/2011/04/tarde-agricola-nos-jardins-do-museu.html
domingo, 10 de abril de 2011
Quadros da transmontaneidade (40)
O Sol, serenamente, continuava na sua ascensão até ao zénite. Lá do alto, na sua supina venerabilidade, mostrava-se incapaz de revelar compaixão pelos mortais que ali continuavam a repetir gestos incessantemente: seitourar, sempre em golpes de três, envencilhar e pousar, seitourar, envencilhar... Ali continuavam agarrados a um sentimento de humildade que desafia a própria santidade, presos a uma sapiência de amor pela fecundidade da terra que dilui a fronteira da existência e não-existência humana.
Já não havia suor que arrefecesse os corpos, nem água que matasse a sede. Não fora a cântara de água que a Zulmira trouxera embraçada e assente na anca, quando veio trazer a janta, já devorada à sombra do carrasco, não tardariam a surgir miragens insanas na tremulina que surgia no horizonte. Preso pelos arejados chapéus de palhinhas de abas largas, mercados na feira dos 23 na vila, o lenço tabaqueiro avermelhava nos cachaços tisnados e, em movimentos cíclicos, mãos ásperas como o restolho, levavam-no à testa e absorvia o suor. O sal, que nem só tempera, corroía e descolorava, pela constante evaporação, os costados e os sovacos dos andrajos garridos daquelas almas pecantes que, naquele vórtice infernal, cumpriam pena.
As sombras alongavam-se.
António Sá Gue
(Continua...)

