Antes da cigarra e mais contido no canto, o nosso "melrinho" das tocas, apesar da crisilândia, nunca se sente "grilado" e ensina-nos a boa disposição.
N.B. Depois da recolha de imagens, voltei a pô-lo na toca.
Realizou-se no passado dia 25 de Maio no Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo, o 8º. Encontro de professores de Português, organizado pelo respectivo grupo, biblioteca escolar e Direcção da escola.
Momento de abertura da sessão pelo director do agrupamento de escolas, Dr. Beto Areosa. Na mesa, à sua direita, a profª. Teresa Leonardo; à sua esquerda: Professor Rentes de Carvalho, tenente-coronel António Lopes (A. Sá Gué) e professora Leónida Oliveira.
Participação dos alunos: um jovem faz o papel de Luís de Camões, lendo um texto "auto-biográfico", enquanto outro colega leu um poema do autor evocado.
Entre vários outros escritores, este foi o momento de Mário de Sá Carneiro, com um "actor" bem escolhido e caracterizado, secundado pela colega que leu um texto do poeta modernista.
E para além de Sá Carneiro, não podia faltar o seu amigo F. Pessoa, igualmente muito parecido. Estes alunos fazem parte do Clube de Leitura da escola e foram caracterizados pelos dinamizadores do grupo de teatro Alma de Ferro, de que é encenador o prof. Américo Monteiro.
O prof. Américo Monteiro e D. Esperança Moreno preparando-se para ler textos de Rentes de Carvalho (da obra "O rebate" e "Com os holandeses") e de A. Sá Gué ("Contos dos montes ermos").
É passada a palavra aos ilustres escritores convidados, com destaque para a intervenção bastante aguardada do professor Rentes de Carvalho. O emérito escritor falou da sua experiência de vida, do modo como viu e vê a Holanda (país onde passou a maior parte da sua vida) e de como este povo nos vê a nós, além de outros estrangeiros. Referiu-se à sua obra, tendo depois passado a palavra ao público, para uma breve sessão de perguntas e respostas.
Neste dia, o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, à semelhança dos anos anteriores, promove entradas GRÁTIS para quem pretenda visitar o Museu e seus espaços.
Os visitantes, além da exposição permanente dedicada ao Ferro poderão ainda visitar a Exposição temporária de escultura em ferro, de autoria de Plácido Souto (artista que começou a sua carreira profissional como ferreiro), além dos jardins do museu.
Da parte da tarde será realizado um convívio com os nossos idosos do centro de dia da Misericórdia, mas o mesmo é aberto a todos os que nele pretendam participar. Serão recriadas actividades tradicionais e haverá lugar ao registo de memórias de outros tempos.
A visita começa sempre pelo interior da capela, em cujo altar-mor se venera a imagem de N. Srª. da Esperança.
Enquanto as pessoas mais idosas descansam e conversam...
Aspecto dos jogos populares: lançando a malha...
Outra vista do convívio em redor da capela, enquanto se espera pela merenda...Bem, a Pascoela já passou, mas conta a intenção... de manter acesa a Tradição. - Para o ano há mais!
Fotos de N.Campos e Luís Lopes
Depois do lançamento no Porto (na Biblioteca Almeida Garrett, em 26.11.2010) e, mais recentemente, na Guarda, teve lugar no passado sábado, dia 7 de Maio, a apresentação do livro De Cabinda ao Namibe, de autoria do Professor Adriano Vasco Rodrigues.
De seguida tomou a palavra o editor da obra, Dr. Jorge Fragoso, responsável da editora Palimage, que disse ter ouvido falar, pela primeira vez, do nome do professor Adriano, quando ainda era aluno do Liceu D. Manuel II (depois Rodrigues de Freitas), no Porto, na medida em que eram conhecidas as suas inovadoras experiências pedagógicas em outro liceu da cidade, o Garcia da Orta, tido como referência vanguardista, onde havia uma maior relação de proximidade entre professores e alunos. Além disso, o Professor Adriano Vasco Rodrigues era também autor de um conhecido manual de História do curso geral de liceus.
A apresentação da obra coube à Doutora Adília Fernandes, que fez um resumo do seu conteúdo, de certo modo um livro de memórias da experiência do autor, entre os anos de 1965 e 1969, investido numa missão educativa, mas que não se ficou por aí, tendo-se dedicado também à investigação histórica, arqueológica e antropológica. Procurando situar o autor e a sua missão no contexto dessa época, afirmou que o Professor Adriano Vasco Rodrigues "vai para Angola empenhado na construção de um mundo novo, multirracial", tendo aí organizado os primeiros cursos do ensino preparatório, tendo ainda elaborado modelos pedagógicos e didácticos sem paralelo em qualquer outro país de África, nesse tempo. Não se tendo limitado a ser um burocrata de gabinete, o Professor Adriano percorreu todo o território de Angola, como inspector escolar, tendo o somatório das suas viagens totalizado mais de 300.000 km, num carro Volkswagen (que figura na capa do livro), tendo então, nessas andanças, registado muitos aspectos da paisagem, da História, da Arqueologia, e da Antropologia angolana, que entretanto indagou, como a pedra da "Torre do Tombo" (Moçâmedes), o túmulo do Zé do Telhado, no antigo presídio das Pedras Negras, os túmulos dos sobas da Kibala, etc.. Além de anotar outros pequenos "flash's" como a estória do faroleiro Simão Toco, fundador da seita do "tocoísmo", e que encontrou confinado no Sul de Angola.Finalmente foi a vez do autor nos brindar com o seu depoimento, no discurso directo, discorrendo sobre a sua longa relação com as terras de Moncorvo, os trabalhos realizados antes da sua experiência africana, e, depois, a sua partida para Angola, frizando as dificuldades e obstáculos que aí encontrou, sobretudo em certos sectores da Administração. Mais disse que "nunca acreditei que nos mantivéssemos em Angola por muito tempo", razão pela qual era imperioso fixar aí a língua portuguesa, não só como instrumento de unidade do território angolano (onde se falavam 29 línguas ou dialectos), mas também como um futuro elo de ligação com Portugal. Referiu-se depois a inúmeros episódios da sua passagem por Angola, como o dos guerrilheiros que o ajudaram a mudar um pneu do carro, algures numa zona de terrorismo, e quando ele e os acompanhantes julgavam já que iam ser mortos - tendo atribuído o facto de terem escapado, ao respeito tido pela sua função educativa.
Em jeito de conclusão afirmou: "este livro relata as minhas vivências e a minha experiência em Angola. Foi uma grande experiência..."
O préfácio é de autoria do major-general A. Pires Veloso, amigo, conterrâneo e contemporâneo do autor.
Da nossa parte diremos apenas que foi uma honra e um previlégio ter lido, com muito agrado, a 1ª. versão deste livro, ainda antes de ser editado. No seguimento de uma conversa com o Sr. Professor Adriano Vasco Rodrigues, sobre o navio perdido no deserto de Moçâmedes, a Sul de Porto Alexandre (a que hoje chamam Tombwa), tendo conversado também sobre os concheiros que havia entre as dunas do deserto, o Sr. Professor deu-nos um excerto dessa odisseia da descoberta e escavação da referida embarcação, algo distanciada da linha actual da costa, onde fazia uma interpretação histórica sobre este naufrágio, numa belíssima narrativa que se lia como romance de acção, embora fortemente sustentada em documentos do séc. XVIII, do arquivo histórico de Angola.
Pouco tempo depois, em Setembro de 2007, o Professor Adriano enviou-nos o texto completo do livro (inédito) de onde retirara o excerto, exemplar único devidamente encadernado, para o caso de conseguirmos meios para a sua publicação. Ainda falámos desta possibilidade a um professor da Faculdade de Letras do Porto, ligado ao Centro de Estudos Africanos dessa Faculdade, mas não nos foi possível concretizar o contacto. Por fim, em Outubro de 2009, sabendo que se iria realizar uma Homenagem ao Sr. Professor Adriano por parte da Câmara Municipal da Guarda e de outras entidades desse distrito, sugerimos ao município de Torre de Moncorvo uma iniciativa análoga, envolvendo também a Drª. Assunção Carqueja. E entregámos o exemplar inédito, cujo título inicial era "Pedras Negras" (com Pungo Andongo em sub-título), numa alusão ao famoso presídio do séc. XVII, para onde viria a ser mandado o Zé do Telhado. Assim, foi com a maior satisfação que soubémos, em Novembro de 2010, que o livro fora já publicado e com o apoio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, o que merece o nosso aplauso.
Esta obra vem completar a extensa bibliografia do Professor Adriano. Lê-se como um livro de aventuras e é um depoimento formidável de uma personalidade de excepção que (se) cruzou (com) a terra angolana e aí deixou (também) a sua marca, num momento crucial da história desse território. Trata-se ainda de um olhar que importará aos estudiosos das coisas de Angola, mas também aos que se dedicam à história contemporânea portuguesa, pouco anterior ao 25 de Abril de 74.
..
Texto e fotos: N.Campos
Não se tendo realizado o passeio da Pascoela previsto para o passado dia 30 de Abril, por motivos climatéricos, a organização decidiu adiá-lo para o próximo Domingo, dia 8 de Maio, esperando que, desta feita, o tempo ajude.
Esta iniciativa da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, conta com a colaboração do Museu do Ferro (parceria Câmara Municipal de Torre de Moncorvo/PARM), inserindo-se no esforço de recuperação das antigas tradições e também de divulgação do nosso património, visto que a capela de Senhora da Teixeira (propriedade da Junta de Freguesia) remonta possivelmente ao séc. XV.
O trajecto terá início às 14;30h (convém estar um pouco antes), com saída de frente do edifício da Junta (ao lado do Cine-teatro), e seguirá pela E.N.220 até ao início do "caminho velho" para Açoreira. Este caminho terá a ver com um dos "milhentos" trajectos seguidos pelos peregrinos de Santiago de Compostela, pelo que se poderá considerar também como Caminho de Santiago. Se bem que o destino desta nossa "peregrinação" seja mais breve e com destino a uma capela de outra invocação: Senhora da Esperança - que bem precisa é, nos tempos que correm...
