Ainda se arreliou. Assim, de repente, ter que chamar toda a família, e não só, para o ajudarem na tarefa hercúlea que é fazer a malhada, é sempre uma chatice. Já todos tinham a vida estipulada para o dia seguinte e ter de alterar os planos provocava-lhes sempre pequenas maçadas que se resolviam rapidamente, mas nem por disso deixavam de fazer esgares de contratempos mais ou menos visíveis e até ruidosos.
A mulher, a Zulmira, também não fugiu a essas preocupações. Fartou-se de rogar pragas, benignas, à malhadeira, que não tinha culpa nenhuma, ao dono da malhadeira, que nenhuma culpa tinha, ao “home”, a todos… Ter que arranjar a merenda há última da hora era sempre uma fona que muito a incomodava: ele era o bacalhau para fritar que não tinha e era preciso mercar ao soto do Júlio Castanho, ele eram os ovos que lhe faltavam porque as pitas não puseram, ele era o queijo já muito duro, os tomates para a salada que era preciso colher na horta da Choura, o ramo de salsa, o sal que se acabou e teve que pedir à vizinha, a cântara de água que era preciso carrejar… Um sem número de tarefas que só terminou já pela noite dentro. Mas tudo se amanhou.
Na manhã seguinte tudo estava pronto. A solidariedade da família e dos amigos também não falhou. O Abílio Laranjeiro, enquanto chegava a chusma, e se aprontava, introduzia nas rótulas da malhadeira massa consistente. O ti Marcolino, em cima do tractor e de cabeça completamente voltada para trás, como fazem as galinhas, esticava a correia principal da preciosa máquina.
Continua...
António Sá Gué
domingo, 19 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
palestra sobre Morcegos - hoje no Museu do Ferro:
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Quadros da transmontaneidade (48)
Vinha devagar, a escolher caminho, a evitar as poças e os regos que as águas de inverno abriram. Entrou na fraga triunfante, dir-se-ia como general romano quando entrava em Roma. Entrou pela Canelha de Cima, aliás, aquela era a única entrada possível, não havia pedaço de fraga vazia. As medas, de todos os tamanhos e de todas as alturas, que esperavam por sua excelência há longos dias, formavam um intrincado dédalo de ruas e ruelas difícil de ultrapassar mas que, àquela hora da tarde, faziam as delícias da criançada no jogo do esconde-esconde.
Já o lusco-fusco dissolvia as linhas retas que os cumes dos palheiros desenhavam à contraluz, já as medas formavam uma massa uniforme como se no mundo não houvesse profundidade, e ainda o ti Abílio Laranjeiro e o ti Marcolino nivelavam a traquitana que na manhã seguinte iniciaria as malhas na fraga da Lage. A meda que ficava mais próxima era a do Acácio Rabelo. Era ele que teria a primazia naquele ano.
António Sá Gué
(Continua...)
Já o lusco-fusco dissolvia as linhas retas que os cumes dos palheiros desenhavam à contraluz, já as medas formavam uma massa uniforme como se no mundo não houvesse profundidade, e ainda o ti Abílio Laranjeiro e o ti Marcolino nivelavam a traquitana que na manhã seguinte iniciaria as malhas na fraga da Lage. A meda que ficava mais próxima era a do Acácio Rabelo. Era ele que teria a primazia naquele ano.
António Sá Gué
(Continua...)
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Quadros da Emigração – Kennington Park Londres
O marco verde e vermelho da bandeira portuguesa a indicar o caminho para Kennington ParkRelativamente às comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Reino Unido, aqui ficam as fotografias que ilustram o evento. Apesar da persistência da chuva, que caiu insistentemente ao longo da manhã e da tarde, ninguém arredou pé e a festa prosseguiu abrigada pelos guarda-chuvas e pelos opulentos chapéus de palha do BPI. Estes últimos por certo mais preparados para protegerem os fregueses do sol tórrido do Verão na pátria de origem, ainda assim não deixaram de aparar, de forma condigna, a chuva do céu. E se, sobre a relva molhada, se assistiu à Missa Campal e à actuação dos Ranchos Folclóricos, também ali se saborearam as mais diversas iguarias (pão com chouriço, bolinhos de bacalhau, bifanas, pastéis de nata...), se bebeu a cerveja Sagres e se tomou o café.
O espetáculo continuou com a música em palco pela tarde dentro, mas a viagem de regresso a casa ainda era longa e, por isso, dabandei com a família. Com os pés húmidos e os corpos enregelados, valeram-nos os pastéis de nata que trazíamos no farnel!...
Visão panorâmica das tascas e do recinto da festa que, mais tarde, viria a encher-se com um pouco menos dos 50 mil portugueses esperados. Talvez por causa da chuva...
A missa campal a (re)lembrar as missões das Descobertas e o coro dos meninos a entoarem cânticos religiosos em português.
Primeiro plano do membro mais pequeno do rancho folclórico português de Londres (Lucy com a sua mãe pouco antes de subir ao palco e, visivelmente, sem disposição para posar para a fotografia).
Este quadro prescinde de legenda...
Pois é, o pessoal à volta dos comes e bebes de Trás-os-Montes. Tudo da melhor marca transmontana, como me informaram!
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Moncorvo: Rota do Ferro em BTT e festa de Santa Leocádia
Realizou-se no passado dia 10 de Junho a 2ª. edição da Rota do Ferro em BTT (Bicicleta de todo-o -terreno), na sua versão "Pelos caminhos do Roboredo", iniciativa co-organizada pelo Museu do Ferro/Município de Torre de Moncorvo/PARM e Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo. No plano logístico a organização benificiou ainda da colaboração de uma aluna estagiária do curso de Educação Ambiental da Escola Superior de Educação de Bragança/IPB, Liliana Branco.
Este ano o passeio foi incluído no cartaz da festa de Santa Leocádia, juntando-se os ciclistas ao numeroso povo que subiu à capelinha do alto da serra, participando do programa da festividade e retemperando energias com um excelente almoço volante oferecido pela Junta de Freguesia.
Aqui fica a reportagem (clicar sobre as fotos para AMPLIAR):
Concentração dos ciclistas no alto da Carvalhosa (antigas minas da Ferrominas).
Algumas explicações sobre a história das minas, por um elemento da direcção da associação do PARM.
Preparando as "máquinas" e fazendo o "aquecimento".
Ainda na Carvalhosa, breve visita à galeria de Santa Bárbara, aberta no início dos anos 50 do século XX.
A caminho de um futuro "eólico"....
Algures pelos caminhos da serra...
Em esforço, ainda na zona dos aerogeradores, vendo-se em fundo a zona de "trás-da-serra" para as bandas de Mós e termo de Felgueiras.
Um troço do percurso mais aprazível: o chamado "caminho do meio"...
Entre os bosques de "carvalhos brancos" endémicos da serra do Roboredo, que lhes deve o nome.
Momento para espreitar a vila, em vista aérea - sem ser de avião, mas de bicicleta...
Mas a descer, até as bicicletas voam! Entre uma nuvem de poeira, com a capela de S. Lourenço ao fundo.
Cortando a meta à entrada do recinto da Santa Leocádia, ainda a tempo da missa campal (com padre Sobrinho e Padre João).
Em fim de missa, os santinhos "arejam" fora da capela, onde os(as) devotos(as) lhes prestam homenagem.
"Hossana nas alturas!" - um parapentista apareceu, dando um ar de sua graça... "- E parece que não é o Vilela..." - comenta-se.
Toca a abastecer de merenda! - o resto do povo já está sob a copa dos pinheiros, no excelente parque de merendas...
Afinando as "gaitas" para o espectáculo que se seguiria pela tarde e noite dentro, entre os dias 10 e 11.
Este ano o passeio foi incluído no cartaz da festa de Santa Leocádia, juntando-se os ciclistas ao numeroso povo que subiu à capelinha do alto da serra, participando do programa da festividade e retemperando energias com um excelente almoço volante oferecido pela Junta de Freguesia.
Aqui fica a reportagem (clicar sobre as fotos para AMPLIAR):
Concentração dos ciclistas no alto da Carvalhosa (antigas minas da Ferrominas).
Algumas explicações sobre a história das minas, por um elemento da direcção da associação do PARM.
Preparando as "máquinas" e fazendo o "aquecimento".
Ainda na Carvalhosa, breve visita à galeria de Santa Bárbara, aberta no início dos anos 50 do século XX.
A caminho de um futuro "eólico"....
Algures pelos caminhos da serra...
Em esforço, ainda na zona dos aerogeradores, vendo-se em fundo a zona de "trás-da-serra" para as bandas de Mós e termo de Felgueiras.
Um troço do percurso mais aprazível: o chamado "caminho do meio"...
Entre os bosques de "carvalhos brancos" endémicos da serra do Roboredo, que lhes deve o nome.
Momento para espreitar a vila, em vista aérea - sem ser de avião, mas de bicicleta...
Mas a descer, até as bicicletas voam! Entre uma nuvem de poeira, com a capela de S. Lourenço ao fundo.
Cortando a meta à entrada do recinto da Santa Leocádia, ainda a tempo da missa campal (com padre Sobrinho e Padre João).
Em fim de missa, os santinhos "arejam" fora da capela, onde os(as) devotos(as) lhes prestam homenagem.
"Hossana nas alturas!" - um parapentista apareceu, dando um ar de sua graça... "- E parece que não é o Vilela..." - comenta-se.
Toca a abastecer de merenda! - o resto do povo já está sob a copa dos pinheiros, no excelente parque de merendas...
Afinando as "gaitas" para o espectáculo que se seguiria pela tarde e noite dentro, entre os dias 10 e 11..
Enquanto aguardamos que nos enviem as fotos da festa, adiantamos que a mesma esteve muito animada, tendo actuado organistas locais, conceituados DJ's, os fadistas "Nordestinos", a tuna da Lousa, os cavaquinhos da Escola Sabor-Artes, etc., tudo com bom ambiente e disposição, ao jeito do "que se lixe a crije!"...
As nossas felicitações à organização por manter viva a festa de Santa Leocádia e S. Bento.
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Enquanto aguardamos que nos enviem as fotos da festa, adiantamos que a mesma esteve muito animada, tendo actuado organistas locais, conceituados DJ's, os fadistas "Nordestinos", a tuna da Lousa, os cavaquinhos da Escola Sabor-Artes, etc., tudo com bom ambiente e disposição, ao jeito do "que se lixe a crije!"...
As nossas felicitações à organização por manter viva a festa de Santa Leocádia e S. Bento.
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Txt. e fotos de N.Campos e Liliana Branco.
Voos aromáticos
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Quadros da Emigração – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Festa no Consulado Geral de Estrasburgo para as comemorações do Dia de Portugal (4 de Junho de 2011).
Por ocasião da comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas convém salientar que há, quanto a mim, duas entradas no Diário de Miguel Torga que são fundamentais para que possamos apreender o verdadeiro significado da data, isto é, que falar de Portugal e da sua história é sinónimo de dizer diáspora.
Encontrando-se ambas no Diário XV (1990), mas distando dois anos no tempo, é basilar que as abordemos separadamente para lhes atribuirmos o justo valor e para dar crédito à coerência e à integridade das palavras do Autor e da sua obra.
A primeira entrada corresponde ao dia 9 de Junho de 1987 quando o poeta se deslocou a Macau para falar de Camões e por altura da iminente transferência do poder administrativo português daquele território para o Governo da China.
Assim, após expressar a enormidade da incumbência que lhe coube na sua qualidade de Poeta, pois fora o escolhido para falar naquela “hora final para que ela não tivesse fim”, e delinear uma abordagem diacrónica do espírito andarilho dos portugueses pelo mundo, cujo nome Camões atinge o expoente máximo, sintetiza a nossa peregrinação como povo de diáspora nos seguintes termos: “É nossa sina não caber no berço. Desde os primórdios que somos emigrantes. O português pré-histórico já era aventureiro, navegador, missionário, semeador de cultura.” (Miguel Torga, Diário XV)
Na sua perspectiva, só desse modo se pode entender o nosso percurso da aventura marítima e a construção do império proveniente da Empresa dos Descobrimentos. De tal maneira que quando se fala em emigrante a referência embate sempre naquele que o personifica: Luís Vaz de Camões. Aliás, citando ainda Torga “Ser um português acabado é ser ele, pioneiro, bandeirante, apóstolo, traficante, visionário, namorado e poeta.” (Miguel Torga Diário XV)
No meu ponto de vista, este trecho do seu Diário não se pode desmembrar daquilo que escreveu posteriormente na segunda entrada do mesmo Volume, em 1989, relativamente à comemoração de mais um 10 de Junho, mas desta vez coincidente com o Prémio Camões, instituído pelos Governos Português e Brasileiro, com que foi agraciado em Ponta Delgada, nos Açores, contando com a presença de Mário Soares. Pelo contrário. Tecendo aqui novamente um elogio ao emigrante português que classificara, em 1987, como “uma criatura convivente, prestante, diligente e influente, que concilia, congrega, desbrava, cria riqueza, funda instituições benemerentes, semeia humanidade”, situa a efeméride na primeira pessoa com a sua própria vivência de migrante em Minas Gerais, no Brasil, para onde emigra, “aos treze anos, numa madrugada de Outubro de 1920” (José de Melo, Miguel Torga – Fotobiobibliografia, 1995). Tal qual o que sucedeu com os seus antecessores, Torga também contrapõe em desfavor de todas as adversidades que a pátria e o berço lhe impõem e que enumera (“Os dons eram escassos, a saúde traiçoeira, o ambiente irrespirável, e os meus propósitos temerários.”) o que, afinal, lhe moldou a vida:
“Só que morava dentro de mim uma vontade férrea, e o instinto e a razão mandavam-me seguir. Queria ser no mundo, como em letra redonda o declarei, um homem, um artista e um revolucionário.” (Miguel Torga, Diário XV)
Ora, nós, os emigrantes de Hoje somos igualmente o arauto da nossa própria diáspora e seguimos à risca o seu ensinamento. Ou melhor, tomando por paradigma a directriz torguiana, fazemos parte desses portugueses com a herança de Camões e a mesma “vontade férrea” de Miguel Torga. Também nós sentimos o apelo de nos cumprirmos fora da Pátria “e o instinto e a razão” mandou-nos seguir para nos tornarmos nos homens e nas mulheres que ajudam a construir a imagem de Portugal no mundo e que, em simultâneo, enriquecem e dignificam o seu país de origem nas diversas vertentes: a económica, a social, a política e a artística.
Somos orgulhosamente portugueses dentro e fora da Pátria!

Música típica no Consulado (as várias gerações e o mesmo amor a Portugal).
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
Quadros da transmontaneidade (47)
Já o Sol se abeirava dos telhados dos palheiros que circundavam a fraga da Lage quando o ti Adelino e companhia pousaram os malhos. Àquela hora da tarde, por Deus crer, e de certeza condoído pelo esforço dos Homens ao longo da torreira estival, mandava sempre uma brisa que lhe secava a camisa do corpo e os ajudava na limpeza da pirâmide de grão e moinha que, ao longo do dia, se foi erguendo, lentamente, eirado após eirado.
E depois de breves experiências, depois de atirar aleatoriamente pequenas pazadas de grão para avaliar a direcção do vento, era um ver se te avias para aproveitar aquela bênção divina. As pás de madeira erguiam-se aos céus e, com gestos simples e eficazes, a pirâmide mudava de sítio. As mulheres imbuídas desse espírito, o espírito de ligação com a natureza, não esperavam pelo cansaço masculino. Ajustavam o lenço negro, apertavam a blusa e, à medida que vassouravam ao delével as espigas mais pesadas que o vento não levava, ofereciam o corpo, sim!, ofereciam o corpo, à contínua saraivada de grão que caía dos céus e as fustigava.
Não haveria nesse gesto algo mais transcendente? Não haveria nesse “oferecer de corpo às sementes que em todos os momentos e tempos sempre foram abençoadas” algo que vai para além da mera banalidade das coisas?
O Sol, agora, em cores alaranjadas, descansava sobre o cume do palheiro do ti Chico Sá. O ti Adelino, ao mesmo tempo que acarrejava aos ombros as sacas de trigo que despejava na tulha, berrava pela mulher para vir apanhar as rabeiras que haviam de fartar as pitas. O ti Pailinhas e o ti Amor, como sempre, abeiravam-se do eirado, faziam conversa do tempo e avaliavam a colheita.
Lá ao fundo, na esquina da Carvalheira, o tractor puxava, com todos os cavalos que possuía, a malhadeira do Dr. Antoninho que vinha da fraga da Catrina.
António Sá Gué
(Continua...)
E depois de breves experiências, depois de atirar aleatoriamente pequenas pazadas de grão para avaliar a direcção do vento, era um ver se te avias para aproveitar aquela bênção divina. As pás de madeira erguiam-se aos céus e, com gestos simples e eficazes, a pirâmide mudava de sítio. As mulheres imbuídas desse espírito, o espírito de ligação com a natureza, não esperavam pelo cansaço masculino. Ajustavam o lenço negro, apertavam a blusa e, à medida que vassouravam ao delével as espigas mais pesadas que o vento não levava, ofereciam o corpo, sim!, ofereciam o corpo, à contínua saraivada de grão que caía dos céus e as fustigava.
Não haveria nesse gesto algo mais transcendente? Não haveria nesse “oferecer de corpo às sementes que em todos os momentos e tempos sempre foram abençoadas” algo que vai para além da mera banalidade das coisas?
O Sol, agora, em cores alaranjadas, descansava sobre o cume do palheiro do ti Chico Sá. O ti Adelino, ao mesmo tempo que acarrejava aos ombros as sacas de trigo que despejava na tulha, berrava pela mulher para vir apanhar as rabeiras que haviam de fartar as pitas. O ti Pailinhas e o ti Amor, como sempre, abeiravam-se do eirado, faziam conversa do tempo e avaliavam a colheita.
Lá ao fundo, na esquina da Carvalheira, o tractor puxava, com todos os cavalos que possuía, a malhadeira do Dr. Antoninho que vinha da fraga da Catrina.
António Sá Gué
(Continua...)
domingo, 5 de junho de 2011
Festa de Santo Cristo em Moncorvo
Apesar de hoje (5 de Junho) ser dia de eleições, realizou-se a tradicional festa de Santo Cristo, promovida pelos moradores do bairro do mesmo nome, nesta vila. Durante alguns dias os habitantes do Santo Cristo, no seu fervor bairrista, engalanaram as ruas e atapetaram-nas de verduras e de flores. O bairro integra os chamados prédios (ou blocos) do antigo Fundo de Fomento de Habitação e o bairro das vivendas que teve origem no antigo bairro dos "retornados". Outrora, toda esta zona era coberta por um vasto olival - o olival de Santo Cristo - pertencente ao grande proprietário António Montenegro. Esse olival era assim chamado devido à existência de uma capela chamada do Santo Cristo, julgamos que na zona do cemitério, talvez a antiga igreja de Santiago, desaparecida nos finais do século XIX, com o alargamento do dito cemitério.
Julgamos que não há notícia desta festa antes do século XX, mas, se havia, com o desaparecimento da capela, a mesma caíu no olvido. Só nos finais dos anos 70, com o início do povoamento do bairro e sob a égide da então muito dinâmica Associação Cultural e Recreativa de Santo Cristo, a mesma se começou a realizar.
Julgamos que não há notícia desta festa antes do século XX, mas, se havia, com o desaparecimento da capela, a mesma caíu no olvido. Só nos finais dos anos 70, com o início do povoamento do bairro e sob a égide da então muito dinâmica Associação Cultural e Recreativa de Santo Cristo, a mesma se começou a realizar.
A procissão numa rua do bairro do Stº Cristo
Os moradores têm lutado pela construção de uma nova capela, tendo chegado a fazer-se uma maquete e projecto (com assinatura do arquitecto Paulo Afecto), estando prevista a sua implantação para o lado Nascente da recém construída praça da República.
Hoje à noite há arraial junto aos prédios - por isso vá até lá tomar um copo!
Txt. e fotos de N.Campos
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
postal de Mós
Encontro anual da Associação de Antigos Alunos do ex-Colégio Campos Monteiro
A Associação dos Antigos Alunos e Amigos do ex-Colégio Campos Monteiro realizou no passado fim-de-semana o seu encontro anual, o qual foi assinalado, no sábado de manhã, com a apresentação do livro "Angola - conflito na frente Leste. Ficheiros da guerra colonial", de autoria do Engº. Benjamim Almeida, antigo aluno do ex-Colégio Campos Monteiro e antigo oficial do exército português, natural do Felgar.
Já em Mós, os visitantes puderam apreciar diversos aspectos do património secular desta antiga vila, como por exemplo o pelourinho (reconstituído), antiga casa da câmara e cadeia, capelas, fonte românica, igreja matriz e restos do castelo, além de poderem apreciar a construção tradicional multissecular, basicamente de xisto. - Na foto de cima, entrada na capela de Santa Cruz, belo exemplar de arquitectura religiosa do século XVIII.
Chaves em ferro (decerto trabalho de ferreiro local) da capela de Santa Cruz, de que é fiel depositária a mordoma, vizinha da capela.
O encanto de uma canelha de sabor medievo, de onde se espreita o bairro do "Lado de lá" (Carrascal e Eitão).
Um curioso anúncio de venda de propriedade, que pelo "design" das letras e até pelo conteúdo, lembra as inscrições do século XVI-XVII. Por aqui o tempo parou, tal como no relógio de sol da rua do Carrascal....
No final, um beberete oferecido aos visitantes pela Junta de Freguesia de Mós, na antiga "domus municipalis" - enquanto petiscava, não pudemos deixar de nos lembrar do apontamento de um outro beberete que o concelho de Mós pagou, no acto de tomada de posse da vereação de 1440-1441, o qual ficou registado no respectivo livro das contas das receitas e despesas do dito concelho, pelo escrupuloso tesoureiro João Gonçalves Carrasco. Somou então a despesa em 100 reais brancos, sendo a merenda apenas de pão, queijo e vinho. 571 anos depois a mesa esteve mais composta, sendo de destacar a hospitalidade mozeira.Txt. e fotos de N.Campos, excepto a 1ª., do arquivo da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.
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segunda-feira, 30 de maio de 2011
SABOR_E_ANDO: passeio-convívio do Felgar a Silhades, no passado sábado
Felgar - vista geral, à saída do caminho para o vale de Moinhos (clicar sobre as fotos para AMPLIAR)Conforme aqui anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 28 de Maio, um convívio promovido pela UDF (União Desportiva do Felgar), integrando uma prova de pesca desportiva e caminhada pelo vale do ribeiro dos Moinhos, culminando num almoço-convívio junto ao rio Sabor, nas proximidades de Silhades, onde se juntaram mais de centena e meia de participantes.
A organização esteve impecável e todos os participantes ficaram satisfeitos. Aqui fica a reportagem fotogáfica desta inolvidável jornada:
A organização esteve impecável e todos os participantes ficaram satisfeitos. Aqui fica a reportagem fotogáfica desta inolvidável jornada:
Início do percurso, quando a energia ainda era muita.
A descer todos os santos ajudam...
Aproveitando para a amena cavaqueira...
Um dos muitos moinhos já abandonados...
Os caminheiros serpenteando em direcção ao rio...
Mais um belo moinho, este recuperado para casa de campo de um felgarense de bom gosto e amigo da natureza.
Construção em ruínas, esperando o dia da submersão...
Silhades à vista, espreitando por entre o arvoredo - uma visão que dentro em breve só ficará pelas fotografias...
A tranquilidade do Sabor, plena de bucolismo, apesar de já sem ninfas...
A velha azenha que, como um barco de pedra, cortou e venceu tantas vezes as águas do terrível rio, espera agora com ar derrotado o último momento...
O ponto de chegada é um oásis aprazível, sob freixos e choupos, qual Éden onde se esquece a tenebrosa "Crise"...
Lembrando as festas de S. Lourenço de há uns anos... Por quanto tempo mais, aqui, neste lugar, é possível desfrutar estes momentos de Felicidade terrena?
E a para animar a malta, ouviram-se os acordes do grupo dos "Aúpas", com Manel Salgado dedilhando o seu cavaquinho... Aos amigos do Felgar dedico este breve registo, para memória futura - com um grande abraço de incentivo para que se continue a fazer esta jornada enquanto ainda for possível.
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