sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ainda o inferno do Roboredo, ontem...

Como prometido, aqui ficam mais algumas fotos do inferno do Roborêdo ontem... (clicar sobre as imagens para ampliar e 2X para AMPLIAR mais):
17;36h 17:37h 17:43h 17:44h17:44h 17:44h17:47h17:54hO "day after": hoje, às 10:09h. A terra calcinada ainda fumegava...
Desde a zona da Tribuna, vale do Violão, Quinta da Padrela, Santa Leocádia (em que a capela, por milagre! se manteve branca e incólume), Quinta das Aveleiras (com o fogo a suster-se perto da capela de Santa Teresa), tudo ficou entre o carvão e o cor de cinza... Quanto tempo agora para a paisagem - natural e agrícola - se regenerar?
Se há um culpado nesta "estória", que estas imagens sejam um libelo acusatório e um espinho cravado na consciência do(s) dito(s), especialmente se se tratou de algo intencional...
- Uma nota final de louvor para os Bombeiros Voluntários, e para os pilotos dos helicópteros que, no meio do fumo intenso e altas temperaturas libertadas pelas chamas, conseguiram debelar este impressionante incêndio, tendo as equipas no terreno trabalhado toda a noite nas operações de rescaldo. Fica também o nosso apoio moral aos proprietários atingidos, para que não desanimem e para que rapidamente possam superar os danos.
(Txt. e fotos de N.Campos)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Violento incêndio deflagra na serra do Roboredo /Stª. Leocádia e Qtª das Aveleiras

Teve início por volta das 17;20h um violento incêndio na zona Oeste da Serra do Roboredo (perto do local conhecido pela Tribuna) progredindo com grande rapidez em direcçao da capela de Santa Leocádia e Quinta das Aveleiras. O fogo penetrou nesta quinta, chegando a ameaçar as unidades de turismo rural.
O incêndio foi combatido por meios aéreos e pelos bombeiros locais (tendo chegado depois das 18:00h a ajuda das corporações de concelhos vizinhos, nomeadamente de Freixo de Espada à Cinta, Vila Flor e Mogadouro). Pelo cenário dantesco das labaredas a varrer a copa dos pinheiros, com cinzas e faúlhas a voarem sobre a vila, bem como pelo impacto negativo no belo cenário verdejante sobranceiro à vila - que agora se sucederá - podemos considerar que este foi o pior fogo deste verão (até à data), no nosso concelho. Uma verdadeira catástrofe...
Aqui ficam alguas fotos dos momentos iniciais do fogo, quando ainda não estava totalmente controlado (entre as 17:32 e 17:40h) :
17:32h

17:33h

17:34h17:35h

Logo que possível, apresentaremos mais imagens... A vista que da serra se tinha para a Santa Leocádia, infelizmente não voltará a ser a mesma por bastante tempo..... Voltamos a repetir a pergunta que aqui fizémos no passado fim de semana: como é que isto começa? quem foi? que interesses por detrás desta "indústria do fogo" e deste negócio de verão?? o que acontece aos culpados? - Por outro lado, se bem que a intervenção não tenha demorado muito, sobretudo os meios aéreos, o que se pode fazer em termos de uma política de prevenção o mais eficaz possível, que evite a progressiva depadidação do património florestal da nossa serra e não só)? Em suma, o que fazer? - responda quem souber...

Fotos de N.Campos

Apresentação do livro "O último Oleiro", de António Duque

(clicar na imagem para AMPLIAR)

No próximo sábado, dia 20 de Agosto, por ocasião da festa de Senhora do Amparo, pelas 21;30h, será feita a apresentação do livro de António Rómulo Duque (Toninho Duque, para os amigos).
Este trabalho é resultado do convívio do autor com aquele que se considera ser o último oleiro do Felgar, o Sr. António Rebouta (mais conhecido por ti Roberto), falecido em 1987. António Duque aprendeu com ele as artes do barro e chegou a montar uma roda de oleiro em sua casa, tendo ajudado o velho oleiro na elaboração da sua última fornada. Aproveita o autor para relatar aqui as suas vivências na terra natal, referindo outros oleiros e, mais recentemente, o seu contacto com o Museu de Olaria (Barcelos), onde se encontra a mais relevante colecção de peças de barro do Felgar.
Esperamos que este contributo, depois dos trabalhos de Adriano Vasco Rodrigus, Maria da Graça Freitas/Manuel M. Macedo, N. Rebanda/Miguel Rodrigues e, mais recentemente, Liliana Reis, possa constituir mais uma achega para um núcleo museológico dedicado às Artes Cerâmicas do Felgar, que desde há anos vimos defendendo.
Sobre o autor, António Rómulo Duque, é, como dissemos, natural do Felgar, embora se encontre presentemente a trabalhar e a residir em Braga. Tendo seguido o destino de tantos jovens sem possibilidades económicas, começou a trabalhar muito cedo como empregado comercial em Moncorvo, mas o seu engenho e arte viria a revelar-se no campo da electrónica, de modo auto-didacta, tendo chegado a construir um emissor artesanal, na fase da febre das "rádios piratas", com que inaugurou a Rádio Felgar em 1988. Posteriormente foi responsável da parte técnica da RTM (Rádio Torre de Moncorvo), tendo fornecido equipamentos e montado o posto retransmissor desta rádio na serra do Roborêdo.

Sempre ligado à electrónica, com diversas formações na área, uma delas com estágio na Alemanha, aquando da integração nos quadros de uma multinacional alemã em Braga, como técnico de electrónica no apoio à produção.
Homem dinâmico, Rómulo Duque foi co-fundador de associações (p. exemplo Associação Cultural do Felgar e Associação de Técnicos de Electrónica em Braga), sindicalista, aprendeu olaria, plantou árvores, é pai de filhos (nomeadamente do jovem musico Diogo Encarnação Duque),pelo que só lhe faltava mesmo escrever um livro!
Desde já os nossos parabéns ao amigo Toninho Duque por mais esta ousadia!

Para aquisição do livro e demais informação, consultar:

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/o-ultimo-oleiro/9789899734104/e http://blogue.sitiodolivro.pt/2011/07/05/o-ultimo-oleiro/

Txt. de N.Campos

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

FESTA DE SENHORA DO AMPARO - FELGAR é no próximo fim de semana!


(Clicar sobre o cartaz para AMPLIAR)
.
Como já aqui anunciámos (ver: http://torre-moncorvo.blogspot.com/2011/07/festa-de-n-senhora-do-amparo-cartaz-da.html) realiza-se no próximo fim de semana a grandiosa festa e romaria da Senhora do Amparo do Felgar.
A não perder!!!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Festas de Torre de Moncorvo, em honra da padroeira

Início da procissão, pela avenida Engº Duarte Pacheco (clicar nas fotos para ampliar)
Decorreram neste fim de semana prolongado, as festividades de Torre de Moncorvo em honra da sua padroeira, Nossa Senhora da Assunção. Apesar da falta do foguetório e fogo de artifício, não faltou a música e animação, com as ruas pejadas de gente, com o natural afluxo dos moncorvenses que se encontram espalhados pelas várias partidas do mundo, além de turistas e outros visitantes. Mas, o ponto alto da festa é sempre a grande procissão que, saindo da grandiosa igreja matriz, percorre as principais ruas do centro histórico da vila. Aqui fica uma breve reportagem fotográfica:
Aqui vai o Santo Isidro, rodeado de verduras, pois se trata do padroeiro dos lavradores da Vilariça.Vista geral do cortejo da procissão, pela avenida Engº. Duarte Pacheco.
Escolta por cavaleiros da GNR.
Passagem dos andores pela rua Vasco da Gama.
Nossa Senhora da Assunção, com a serra do Roborêdo em plano de fundo.
A banda filarmónica de Carviçais, marcando o compasso, seguida pela banda do Felgar.
Guarda de Honra e saudação, no momento do regresso à igreja matriz.
Bandas de música e numeroso público despedem-se da Senhora, enquanto alguns fiéis aproveitam o último momento para pagarem o seu óbulo, e levarem flores e cartelas com a imagem da padroeira.
Cai a tarde e o sol poente, como disco de ouro aureolando a cabeça de um pensativo Santo Isidro, desce sobre o afogueado planalto de Cabeça Boa, de onde emanam fumos de incêndio. A Senhora, qual "Terra Mater", parece saudar o Sol e abençoar as terras do vale e da fragada ao longe... Vai ascender aos céus. Completa-se o ciclo, depois de circuitar a vila, fechando-se também a protecção ao burgo, com chegada ao ponto de partida, que é o Templo, relicário de pedra que estrutura o tempo e o espaço de uma comunidade que teima em subsistir, mau grado todas as diásporas.
Texto e fotos de N.Campos

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Continuam os grandes fogos na nossa região!!

Desde ontem (14 de Agosto), que lavra um grande incêndio na zona de Vila Flor, bem visível a partir das partes altas da vila de Moncorvo - esse fogo corresponde, na foto de cima, à coluna de fumo do lado direito. Relembramos que ainda há dias os bombeiros do vizinho concelho de Vila Flor chegaram a estar cercados pelas chamas, tendo perdido viaturas de combate ao fogo, conforme noticiou a imprensa regional. Não sabemos se o incêndio que se avistava ainda hoje (15 de Agosto), à tarde, é no mesmo local, ou noutro ponto do referido concelho.
Entretanto, no nosso concelho, deflagrou outro fogo na fragada da Cabeça Boa/Cabeça de Mouro, que é o que se vê na foto, do lado esquerdo.


As fotos foram captadas das traseiras do adro da igreja matriz, chegando a ser visíveis as chamas, a partir deste ponto de observação. O fumo encaminhou-se para o lado de Moncorvo, trazendo muitas partículas de cinzas pelo ar, além do cheiro à madeira queimada...


É este o calvário de cada verão, em que os montes se vestem de luto, custando a crer que sejam fogos ateados pelos pastores, como por vezes se diz, sobretudo quando há cada vez menos gados, sendo os pastos que existem mais do que suficientes para não se praticarem vastas queimadas. Também não é crível que haja tantos fogos por incúria, quando as pessoas estão mais do que sensibilizadas para o problema. A do pirómanozinho, tolinho, coitadinho, também não colhe, se bem que os incendiários, quando apanhados, depressa arranjam um atestado a certificar a sua piromania...


Então como se explica isto? - Enquanto não se fizer uma investigação aprofundada (e isso foi tentado, há anos, num certo documentário televisivo, ouvindo todos os sectores "suspeitos") tudo o que se possa dizer é meramente especulativo. Contudo, sendo este o grande negócio de Verão, não será difícil assacar à indústria do "apaga-fogos" (porque de uma indústria se trata!) uma boa dose de suspeição... Será um pouco como o negócio dos vírus e antivírus nos computadores? Em última instância, no sistema capitalista tudo pode ser "business" e, até na sua versão mais "soft" e menos neo-liberal, a do keynesianismo, numa simplificação grosseira da teoria do distinto economista americano, se pusermos metade do pessoal desempregado a atear fogos, e a outra metade a apagá-los, pagando-se-lhes para isso, talvez esta seja uma saída para a famigerada crise... Será esta a ideia? - Esperemos bem que não, e que os incendiários sejam severamente punidos, o que, parece, não tem acontecido nunca...


(Fotos de N.Campos e H.Tavares)

sábado, 13 de agosto de 2011

Festas da Vila e Concelho de Torre de Moncorvo


(Clicar 2 vezes, sobre o cartaz, para AMPLIAR mais)


Têm hoje início as festividades da vila e concelho de Torre de Moncorvo, em homenagem à Senhora da Assunção, padroeira desta freguesia e "patrona" da grandiosa igreja matriz. Aqui fica o programa das festas que se estendem até segunda-feira, com um convite à visita e à participação!
Venha até Moncorvo este fim de semana!!
Aqui fica a nossa proposta.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Quadros da Emigração - O Encontro do Emigrante e A Terra do Chiculate em Fafe



Após a apresentação do livro A Terra do Chiculate - Relatos da Emigração Portuguesa em Paris e em Estrasburgo, chegou a hora de regressarmos a Portugal- Fafe.

Por ser uma cidade fortemente bafejada pela emigração, a Câmara Municipal de Fafe deliberou a criação física do Museu das Migrações e das Comunidades, em 2008, embora já existisse como plataforma virtual (www.museu-emigrantes.org) desde Agosto de 2001. Conhecida pela "Fafe dos Brasileiros", donde "Partiram, entre 1836 e 1930, cerca de 8ooo fafenses para o Brasil", o Museu também dá especial relevo à forte emigração que aqui se registou para os países europeus, durante a segunda metade do século XX.

Como mais uma forma de homenagem ao emigrante, realiza-se todos os anos, em Fafe, o Encontro do Emigrante, no dia 12 de Agosto, que conta com a participação de algumas centenas de pessoas. Inicialmente coincidente com a data da apresentação do livro A Terra do Chiculate, este ano o Encontro realiza-se precisamente hoje, dia 5 de Agosto, pelas 18h 30.

Na próxima semana, dia 12, esperamos poder contar com todos os que estiveram presentes no referido encontro e com todos vós. Na apresentação de A terra do Chiculate, em Fafe, temos, porém, como certo o valioso testemunho da "Petite immigrée portugaise" (fotografia de Gérald Bloncourt (Http://bloncourt.over-blog.net/) tirada em 1966, no bairro de lata St- Dennis, e que consta da obra A Terra do Chiculate, p. 86 ), ou seja, de Maria da Conceição tina Melhorado.

Passados 45 anos, Conceição Tina relembrar-nos-á a sua viagem a salto para França em tenra idade, na companhia da sua mãe e do seu irmão, a sua vivência no "bidonville" parisiense e relatar-nos-á, igualmente, o seu recente (re)encontro com Gérald Bloncourt, em Paris, durante o passado mês de Junho.

A história desta "Menina" será apenas mais um dos quadros vivos da emigração, mas, com certeza, um dos mais ricos!...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Violento incêndio lavrou na zona das Quintas da Nogueirinha

Um violento incêndio andou desde antes de ontem na zona de atrás-da-serra/quintas da Nogueirinha - ver referência no jornal Público e ainda na coluna do noticiário, do lado direito deste blogue.
Solicitamos a quem possua fotografias e as pretenda enviar para o nosso blogue, tem o nosso e-mail à disposição: memcorvo@gmail.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Festa de N. Senhora do Amparo - cartaz da grande romaria do Felgar

(Clicar sobre o Cartaz, para AMPLIAR)
Festa do Felgar também já tem cartaz! - Não se esqueça, pois esta é uma das maiores romarias marianas de Trás-os-Montes, sempre com numerosos motivos de atracção, durante 4 dias!
Salientamos que a festa começa na noite de sexta-feira, dia 19 de Agosto, com um concerto de bandas (Felgarense, de Alfândega da Fé e a banda 25 de Março).
Dos eventos de sábado, salientamos a abertura pela fanfarra de Vale da Porca, actuação de grupos de cavaquinhos (de Corroios e da Escola Sabor-Artes, de Torre de Moncorvo), a que se segue o monumental arraial, com os conjuntos FW Music, Rumo Nordeste, e o show do já célebre Padre Victor. Como habitualmente o arraial estende-se pela noite fora, depois do grandioso fogo de artifício, que é uma das imagens de marca das festas do Felgar.
No domingo destaca-se a presença (obrigatória) da Banda Filarmónica Felgarense, que acompanhará a monumental procissão. O arraial de Domingo estará a cargo dos conjuntos Novo Som e os 7 Mares. A segunda-feira que se segue é o dia dedicado ao Emigrante.
Então prepare-se para os dias 19-22 de Agosto: Festa do Felgar, é ir e folgar!

domingo, 24 de julho de 2011

Festa do Carvalhal - dias 29, 30 e 31 de Julho

(Clicar sobre o cartaz para AMPLIAR)
É tempo de férias, é tempo de festa! Aqui fica o cartaz da festa do Carvalhal, dedicada a Santa Bárbara (padroeira dos mineiros, não esquecendo a génese desta povoação, ligada às expectativas da exploração em grande escala das minas de ferro de Moncorvo, nos anos 80).
Um cartaz recheado de pontos de interesse, a solicitar a sua visita!
.
Apelamos a todas as comissões de festas para que nos enviem os cartazes das respectivas festas (em formato jpeg), que com todo o gosto os divulgaremos aqui no nosso blogue - gratuitamente.
Boas festas e boas férias (se fôr o caso) e não se esqueça: se conduzir, não beba!! ou, se beber (álcool, claro), não conduza!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Quadros da transmontaneidade (52)

Ajoujados

Este quadro é um quadro que atravessou transversalmente várias gerações de toda a Terra Quente, creio até ser transversal a todo o Nordeste Transmontano. Esta história ouvia contar muitas vezes, ainda jovem, e creio que há ainda gente em vida que sofreu na pele com ela, ou com ele, com a falta de senso, a irresponsabilidade, mesquinhez, sei lá como a hei de caracterizar… mas que à luz desse tempo até poderá ser desculpável, digo eu. Seja como for, essa alma transmontana, que estará sempre incompleta, e que aqui tento fixar, ficaria ainda mais incompleta se não fosse registada. E reza a história que terá sido mais ou menos assim:

Naquele tempo o Estado para impor a lei recrutava gente do povo, como ainda agora faz, dava-lhe uma farda, autoridade q. b., e incumbia-os da nobre missão de zelar pela ordem e o bem-estar das gentes, sem os formar devidamente.
As aldeias viviam isoladas, agarradas aos costumes que, ao longo do tempo, criavam raízes profundas nas populações e com eles conseguiam dirimir todos os problemas que nesse viver intimo e solidário acabavam sempre por surgir. Impor leis, mesmo sendo bem intencionadas, sem a devida explicação pode sempre descambar em problemas. Esta bem podia ser a moral, deste quadro da transmontaneidade, que não está assim tão distante quanto possam pensar, e dirijo-me especialmente aos mais novos.
A autoridade sediada normalmente na Vila, neste caso em Moncorvo, patrulhava à ordem do comandante as aldeias da sua responsabilidade. Nesse dia, a patrulha terá chegado à Lousa, logo de manhã cedo, e os agentes de autoridade, zelosos, se calhar aborrecidos pela longa caminhada sempre subir que tiveram de fazer, ainda noite, se calhar a cumprir as ordens exactas do seu comandante, provavelmente, mais preocupado com a carreira dele próprio do que propriamente o Servir, desataram a multar todos, a torto e a direito. Ora era o cão que não tinha açaime, as pitas que andavam na rua, o porco que devia estar na cortelha e não a fossar nas canelhas, a taberna que estava aberta fora de horas… Sei lá, terá sido neste ambiente puramente aldeão, que a patrulha da GNR zelosa do seu trabalho, desatou a passar recibos de “oitenta e coroa” à ti Zulmira, à ti Marquinhas, a todas quantos não cumpriam a lei da República, que ficava distante, como atrás se disse.
Os homens, a essa hora da manhã, poucos andavam por ali, só os velhos, as crianças e as mulheres que, em permanentes “quefazeres”, davam vida às pedras e às ruas lamacentas da chuva dos dias antecedentes.
Perante tal injustiça, a ti Zulmira, mulher desenvolta, entroncada, sem pedir autorização a ninguém, mete-se caminho fora, desce os escarrabouçais que as ladeiras impunham e vá de chamar o ti Adriano, o seu home, que andava na lavra da vinha, lá para os lados da Trapa. Escusado será dizer quando a viam passar esbaforida, foi contando a todos quantos lhe perguntavam o “assucedido” e o sentimento de injustiça que vivia passou a fazer parte de todos.
Desconhece-se se houve toque a rebate, o que se sabe é que alguém teve a ideia de os julgar sumariamente.
- Ajoujá-los, vamos ajoujá-los – disse alguém.
Se melhor o pensaram, melhor o fizeram. Prenderam-nos ao jugo, como se faziam ao vivo, aos animais que tanto estimavam. O fim da história não sei, mas não me admira que todos os envolvidos fossem degredados para África.


António Sá Gué

P.S.: Boas férias

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ante-estreia de "Deus lhe pague!", pelos Alma de Ferro - mais um sucesso!


Conforme anunciámos, realizou-se no passado dia 8, no pátio interior da Biblioteca Municipal a ante-estreia da peça "Deus lhe pague", pelo grupo de teatro amador desta vila, "Alma de Ferro". Escrita em 1932 por Joracy Camargo (1898-1973), “Deus lhe Pague” veio a ser um dos maiores êxitos da dramaturgia do Brasil. Em Lisboa foi representada, pela primeira vez, de 8 de Março a 29 de Maio no ano de 1935.


Esta peça tem um texto longo e complexo, recheada de crítica social, sobretudo à burguesia imperante que, no tempo em que a peça foi escrita, irrompia associada ao processo de industrialização brasileiro, gerando mendicidade. Os dois personagens principais são, assim, dois mendigos, em que um deles, o mendigo-filósofo (representado por Camané Ricardo) é, na verdade um falso mendigo ("eu sou riquíssimo!", afirma) que vai instruindo um novo mendigo (o Barato, papel representado por Luís Pires), ao mesmo tempo que lhe conta aspectos da sua vida. Esta versão dos Alma de Ferro contou com a adaptação e encenação de Américo Monteiro e, embora em ante-estreia, representou um dos pontos altos da já importante carreira dos Alma de Ferro. De salientar o brilhante desempenho do Camané, no papel de mendigo-filósofo, e de Luís Pires, que foi, para nós, uma revelação. Todos os restantes actores estiveram ao melhor nível, com um guarda-roupa excelente, cenários bem elaborados e jogo de luzes perfeito, num ambiente nocturno de luar e céu aberto, no palco do magnífico jardim da biblioteca municipal.

Aqui fica a reportagem fotográfica, registando alguns momentos da peça:

A cena inicial, vendo-se o numeroso público que não quis perder esta ante-estreia.
O mendigo-filósofo (Camané), procurando "instruir" o seu protegido Barata (Luís Pires) - foto de C., cedida por Camané.
Outro aspecto do diálogo dos mendigos.
Um "flash-back" em que o patrão que consegue iludir a esposa do operário (Marilú Brito), obtendo uns planos de uma prodigiosa máquina (tear) concebida pelo empregado. Este virá a ser, mais tarde, o mendigo-filósofo, que se procura desforrar da sociedade, levando-a a pagar o que ela - a sociedade - lhe deve. A esposa enganada pelas promessas de jóias e altos palácios, acaba por morrer louca.
O mendigo rico, numa das faces da sua vida dupla, apontando à nova esposa (Esperança Moreno) o caminho do futuro ao lado de um seu primo e pretendente, um jovem bancário (Paulo Medeiros).
E mais não contamos, esperando que todos os curiosos e interessados se desloquem ao teatro do Celeiro, no próximo dia 15 de Julho, para assistirem à estreia da peça nesse espaço!
As nossas felicitações ao grupo Alma de Ferro/Associação Cultural de Torre de Moncorvo, por este magnífico trabalho.

.
Txt. e fotos de N.Campos (excepto a que vai indicadas, de autoria de C., enviada por Camané Ricardo, com os nossos agradecimentos)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Deus lhe pague", pelos Alma de Ferro, HOJE, 8 de Julho!

O grupo de teatro Alma de Ferro leva à cena a peça "Deus lhe pague!", de Joracy Camargo.

A representação terá lugar no pátio da Biblioteca Municipal, HOJE, sexta-feira, pelas
21:30h. - A não perder!


Logotipo do grupo de teatro moncorvense

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Peredo dos Castelhanos

Paisagem observada a partir da "Barca", no Peredo dos Castelhanos, encimada pelo Museu do Côa.
Enquanto a natureza nos inebria o olhar, a subtileza dos canelões tomam conta do paladar.