quinta-feira, 1 de setembro de 2011

"A Terra do Chiculate ", por Rogério Rodrigues - III

Intervenção Cívica

A intervenção política da emigração portuguesa nunca foi significativa. Foi uma emigração essencialmente económica, diferente da espanhola ( refugiados da guerra civil, muitos deles combatentes, mais tarde nos maquis contra os alemães), mesmo dos italianos e de alguns países de Leste, fugidos ao regime bolchevique, muitos russos brancos, oficiais polacos e húngaros. Diga-se que já década de 60, apesar da Ditadura franquista, a economia espanhola começava a ser próspera.
Começam agora a aparecer alguns filhos e netos de emigrantes, como Nathalie Oliveira, por exemplo, conselheira municipal de Metz, a tentar intervir na sociedade e na política francesas. Mas são uma gota de água no oceano. Em 900 mil portugueses existentes em França, ainda são poucos os que frequentam a Universidade. Muitos deles ficam-se pelos cursos médios das escolas profissionais.
Já os seus pais nunca compreenderam a rebelião geracional de Maio de 68. Ficaram atemorizados com as utopias de Cohn –Bendit, Alain Krivine e Jacques Sauvageot. Eram utopias que não faziam parte do seu universo Eram-lhes incompreensíveis e sobretudo, motivo de inquietação. As greves e a greve geral apanharam-nos desprevenidos. Alguns furaram-nas e muitos fizeram as malas e viajaram até Portugal à espera que o Inverno da realpolitik matasse o enxame das utopias.
Outro tipo de emigrantes esteve activo nas manifestações do Maio de 68. Não pertencia à comunidade dos emigrantes. Eram os exilados e fugidos à guerra colonial Faziam sobretudo política, divididos nos mais diversificados grupúsculos: comunistas ( revisionistas ou sociais-fascistas como mais tarde seriam classificados por essa exuberância e impertinência ideológicas consumíveis no chamado MRPP), maoistas, trotkistas, guevaristas.
Jorge Palma toca no metro, Luís Cília compunha a música do filme O Salto de Christian Chalonge, Zeca Afonso, um desconhecido para os emigrantes, gravava com Fausto e José Mário Branco, num palacete dos arredores de *Paris, a Grândola,Vila Morena. Mas o contacto com os emigrantes era praticamente inexistente, exceptuando a distribuição do jornal O Emigrante, de forte carga política, na banlieue, nos bairros periféricos de Paris, Champigny e Aubervilliers, entre outros.


Os Velhos

Antes de falar nos velhos, gostaria de partilhar convosco uma das histórias mais pungentes, mas com final feliz, deste livro, um pequeno capítulo com o título sugestivo de Silêncio e Revolta.
Trata-se da história de um jovem guardador de vacas a quem o patrão deu uma botas. Tinha 13 anos. Mas um dia algumas vacas morreram. O patrão já não precisava dele. Tirou-lhe as botas e, descalço, mandou-o para casa dos seus pais.
O jovem emigrou. Começou a trabalhar na construção civil. Casou. A sua mulher era empregada de limpeza. No início de 80 houve um surto de racismo ou melhor, de xenofobia.
Como escreveu Benjamin Constant em 1816, no seu Journaux Intimes (Diários Íntimos), “há em todos os franceses ressentimento contra o estrangeiro”.
Mas este emigrante venceu o ressentimento.
Os filhos já se interessavam pela política. Dominavam a língua e exprimiam-se de forma escorreita. A filha formou-se na Academia, ao contrário de outros portugueses que eram arrastados para as escolas profissionais.
E, nas suas palavras, injustiça por injustiça, prefere a de França à de Portugal.
Já se reformou, tem uma vida confortável, mas não quer regressar.
“Ao meu país não devo nada! A este, sim!”, clama do alto da sua lucidez e memória.

Falemos pois dos velhos. Ei-los que chegam.
Se no início da emigração foram as crianças que sofreram o abandono dos pais, anos e anos depois são os velhos que regressam à aldeia e esperam uma carta ou uma visita dos filhos e netos que ficaram em França.
É o regresso definitivo da mãe com uma bronquite crónica. Outro que chega com uma boa reforma, mas com problemas na coluna.
As terras onde investiram muitas das suas poupanças vão sendo abandonadas ou mudam de novo de dono.
Escreve Isabel Mateus: “Estão todos velhos! Um queixa-se do reumático, um já não pode com as pernas, outro já não se atreve com as bestas”.
Põem muitas reticências ao SNS. Alguns vão tratar-se a França. Os netos mal chegam à aldeia, sonham com outros espaços, a cidade ou a praia. A aldeia pouco lhes diz.
“Temos o que comer, mas para mim já não é o suficiente”, diz a mulher que regressou com o marido à terra, uma aldeia transformada em deserto e onde nada acontece, ligada aos filhos e aos netos que estão em França e à França. Et voila.


Conclusão

Creio, e por tal me penitencio, ter-me alargado de mais.
Para concluir gostaria de deixar dois ou três tópicos para alguém, e não porque a própria Isabel Mateus?, desenvolver esta temática tão estimulante.
O português foi sempre, desde os Descobrimentos, emigrante ou aventureiro, à procura de outras terras e cabedais, mais do que propriamente de intercâmbio de culturas.
A nossa diáspora já tem séculos. No século XIX o éden foi a Brasil, com a emigração e os seus intervenientes tão bem descritos e tantas vezes caricaturizados por Camilo. Houve também um surto emigratório para a América (Estados Unidos e Venezuela).
Na década de 60 assistimos e muitos participaram na saga que foi a emigração para a França e a Alemanha. Foram os barrigas ao léu de Fernão Lopes os heróis anónimos, mas os construtores de uma História ainda que o seu nome não apareça nos manuais.
De outra emigração haveria que falar: dos retornados em contraponto aos emigrantes.
Se estes cultivaram a poupança, sempre ao serviço de outros, aqueles, perdendo as poupanças, optaram pelo investimento, eles que tinham tido outros ao serviço deles.
Mas para este tema não sou eu a pessoa mais indicada, embora seja sedutor analisar as diferenças, investigar as origens e reflectir sobre as consequências.
Já fugi do tema original desta apresentação.
Peço que me desculpem.
Por fim, estou grato à Isabel Mateus por me ter dado um retrato tão vivo, assente em depoimentos e na sua própria experiência, do que foi e tem sido a emigração em França.
Um dia, no futuro, alguém que queira estudar a emigração terá obrigatoriamente de ler este trabalho.
Obrigado pela vossa atenção e pela vossa paciência.

Rogério Rodrigues.

Belo horrível

Torre de Moncorvo, 27 de agosto de 2011.


Cenário prontamente desfeito pela mão dos bombeiros, numa guerra contra dedos - cabeça de fósforo.

"ATerra do Chiculate ", por Rogério Rodrigues - II

As Novas Gerações

Citando Isabel Mateus: “ Há mesmo quem afirme que os portugueses de França ainda não se libertaram do estigma inicial das suas condições de chegada àquela terra estrangeira e que isso os coíbe de se manifestarem publicamente e perante as autoridades locais”.
Só hoje, em parte pela revolução tecnológica, a terceira geração começa a libertar-se desse estigma, muito embora a sua intervenção política e social, como manifestações de uma cidadania já assumida, seja muito rara. Um pouco mais adiante tentarei reflectir sobre o enquadramento político dos emigrantes na sociedade francesa.
A importância do futebol, neutra em termos de intervenção, mas de auto-estima em termos de identidade, é um facto, quer quando joga a selecção nacional, seja quando os clubes portugueses em pré-época estagiam em países onde há fortes comunidades de emigrantes.
Já na segunda geração havia sinais da libertação da memória e cultura dos seus pais que, raramente lhes revelavam as condições quase desumanas, dos seus primeiros meses de vida em França. Por vergonha talvez e porque assumiram essa experiência como uma realidade degradante, já ultrapassada, mas que era necessário bloquear na memória. Os primeiros emigrantes quando se encontram tentam de algum modo esconder entre si o que individual e colectivamente passaram nos primeiros tempos. Todos eles se reconhecem numa memória silenciada a que só agora, mesmo assim parcialmente foi retirada um pouco da cortina para Isabel Mateus a poder olhar e conservar. Mas o muro ainda não foi destruído, nem a cortina de todo rasgada.
De qualquer modo, o encontro de Metz foi o princípio da catarse. Filhos houve, nesse encontro, que, pela primeira, souberam da saga dos seus pais.






O "Salto", escultura apresentada num dos lançamentos da obra.


Outro tipo de emigrante, não porque a sua condição económica fosse diferente, mas porque já tinha ultrapassado os horizontes da aldeia é o que foi soldado na guerra e desmobilizado e regressado à aldeia se confrontou com um realidade onde ele já não tinha lugar. Além do mato e do medo, conhecera a cidade, formas de vida diferentes, gente de outras regiões com quem contactou e estabeleceu laços de camaradagem. E parte para França ou Alemanha. A desertificação do interior acentua-se. A população diminui drasticamente. Portugal com uma guerra em três frentes de batalha não tem saída. Os ventos da história sopram contra a obstinação portuguesa. A década de 60 é a década por excelência da independência dos povos africanos. E os portugueses reconstroem como mão de obra não qualificada a França e Alemanha cujas infra-estruturas tinham sido destruídas pela II Grande Guerra. Os portugueses emigrantes são peça importante no boom económico destes dois países na década de 60 e inícios de 70.

Com a vida estabilizada, com casa já confortável, começaram então a surgir as associações, os bailes; a comunidade encontrava-se ao fim de semana.
Sublinha a autora: “ os jovens do campo suspiravam pela pronúncia das grandes cidades, das suas roupas e das suas comidas. Queriam despir-se de tudo o que lhes evocasse ruralidade, em suma, a “parvónia”.
O negócio das cassetes recheadas de música pimba tornou-se um maná para Linda de Suza (Sousa mas como o ou em francês se lê u, a grafia sujeitou-se à fonética), Tony Carreira, Quim Barreiros e afins.
Os bailes eram revivalistas, como se transportassem a aldeia de que nunca tinham partido, mesmo partindo, para aquele espaço de um salão urbano ainda que periférico com as danças tradicionais ao som da concertina e os inevitáveis caldo verde, bolinhos de bacalhau e sardinha assada. Porque não passava um dia que não vissem a sua aldeia.
Os mais novos iam gradualmente fugindo a esta liturgia dos pais. A música era outra e os macdonalds e hamburguers substituiam os bolinhos de bacalhau.


Clochard

Mas há também uma parte negra da emigração que tem sido ocultada : a disfuncionalidade, a marginalidade social de uma certa juventude da segunda geração que não aceitando já os cânones de vida e os valores dos seus pais, assimilavam da cultura francesa os aspectos mais negativos. Uns acabaram na prisão de Fresnes, outros arrastaram-se no insucesso escolar, outros formaram, por exemplo, a quadrilha dos Cavacos que, nos meados da década de 80, assolou o país com dezenas de assaltos a bancos e algumas mortes. É certo que eram na maioria algarvios ( havia apenas um transmontano de uma aldeia de Vinhais), região onde os valores rurais não eram tão vincados, pela circunstância de um incipiente cosmopolitismo, via indústria turística, levando ao gradual abandono da terra como sustento e fonte de trabalho.
Havia ainda os que se foram degradando pelo álcool, pela permanência no desemprego, a ponto de acabarem por ser rejeitados pela comunidade e alguns transformarem-se em clochards, os nossos sem-abrigo.
Outros, que se recusavam, por vergonha, a regressar à aldeia tão pobres como tinham partido.
É certo que esta realidade, compreensivelmente tem sido silenciada, mas é de justiça que não seja esquecida, embora parcelar e menor na generalidade da condição do emigrante.


Texto: Rogério Rodrigues / Imagem: João Costa
(continua)


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"A Terra do Chiculate", por Rogério Rodrigues - I

Por gentileza de Rogério Rodrigues, a quem desde já agradecemos, publicaremos faseadamente o texto-suporte à apresentação de " A Terra de Chiculate", de Isabel Mateus.


Prometo ser breve, mas não garanto, como costuma dizer o dr. Almeida Santos. E pretendo que a exposição seja o mais simples possível.

Este é um livro que não uma mala de cartão, antes uma mala de viagens, viagens de dias a pé pelas montanhas até ao regresso de avião que o check in on line já foi feito pelo neto.
É um livro de lugares, afectos, desafectos, de percursos comuns na origem, de silêncios envergonhados, memórias bloqueadas e, por fim, algum apaziguamento. Sem ajuste de contas, o passado é reabilitado e gravado em letra, em memória dos que sofreram e para informação dos que esqueceram ou desconheceram. Porque, recordando uma máxima latina, verba volant et scripta manent. As palavras voam e a escrita permanece.

Duas são as personagens que tutelam este livro – a avó e o Pai Natal em chocolate, nas suas formas vermelhas, um pouco as formas da Coca-Cola. O amparo de quem ficou e as prendas que chegam dos que partiram.
Antes de entrarmos numa leitura mais pormenorizada do livro, assentemos em algumas noções básicas e outras tantas reflexões para melhor entendermos e apreciarmos o esforço de tolerância e o despojamento da autora na tentativa de compreensão da sua infância sem mãe presente, situação igual à de tantas outras crianças, filhos e filhas de emigrantes, entregues aos cuidados da avó.
Vale a pena descrever um dos gritos de revolta. E passo a citar:”Porque não me levas contigo como fazem os outros pais?
-Pois, dizes bem, minha filha! Os teus amigos têm pai e têm mãe…
-Não me digas que, ainda por cima, tenho culpa de não ter pai!? Matei-o, por acaso?
-Não foi o que disse! Mas como poderei trabalhar 14 horas por dia contigo a meu cargo?”. Fim de citação.

A avó surge no livro, sobretudo na primeira parte, como a figura tutelar de toda uma geração que só via os pais nos dias quentes de Agosto. O envio de dinheiro não compensava a necessidade do carinho.
A violência que o livro por vezes liberta é suavizada pelo sussurro poético que penetra em muitas páginas e humaniza situações dramáticas.
Na década de 60, no auge da emigração, praticamente coincidente com o início da guerra colonial, o mundo rural mantinha-se, nos seus fundamentos, imutável. A chegada a um espaço urbano sempre em permanente mutação, criou uma autêntica revolução interior nos emigrantes, aceitando o domínio francês, mas desenvolvendo a sua auto-estima, mais patente em relação aos que ficaram na terra. Os valores eram outros, sociais e económicos, o quotidiano consumista era para eles incompreensível. Não se compaginava com a poupança. Socorro-me das palavras da autora quando reflecte sobre “as discrepâncias entre subdesenvolvimento económico, social e cultural das infra-estruturas portuguesas face à opulência da realidade francesa”.
Depois havia a barreira da língua. Muitos ignoravam a própria. E então adquiriram e aportuguesaram novos vocábulos que não faziam parte do seu universo rural.
E quando começaram a vir de férias, foram alvo da inveja, uma das fontes do ressentimento, como escreveu o historiador Marc Ferro.
Lembra a propósito Isabel Mateus “a arrogância e a atitude provocadora dos que permaneceram versus aos que se ausentaram”.
Já tinham pago ao passador ( nos seus códigos de honra o primeiro dinheiro poupado era para entregar ao passador), começaram a comprar terras a quem tinham servido, num desejo intenso, no prazer da compensação, com um sentimento original e quase sagrado da propriedade privada. E construíram casas ao arrepio da arquitectura tradicional da aldeia.
As poupanças que colocavam os bancos serviam não para desenvolver as suas terras, a sua região, mas antes para serem aplicadas em investimentos no litoral e para alimentar a máquina de guerra.


Rogério Rodrigues num momento da sua prelecção.



Quando chegavam de férias, a Vila agitava-se. Eram os carros de matrícula francesa, a inveja e o ressentimento que se manifestavam em críticas mordazes, salientando o ridículo que afinal não passava de uma ostentação naive de quem tinha acesso à moeda forte.
O preço dos produtos subia, nos andores das procissões predominavam as notas francesas (muitas das festas das aldeias foram mesmo alteradas para Agosto, o mês de férias dos emigrantes), e ouvia-se um linguajar estranho, cheio de corruptelas vocabulares, assente na componente fonética que, se por um lado servia de identificação do emigrante, por outro, era compreensível a sua utilização, pois, com frequência, desconheciam a palavra equivalente em português.
Route porque não havia estradas no seu vocabulário rudimentar. Apenas caminhos ou canelhas.
Usina, porque não havia fábricas no mundo rural. Mal eles imaginavam que fábrica no português-brasileiro se diz usina.
Vacanças porque ignoravam o que eram férias.
Retraite porque nunca tinham ouvido falar em reforma.
Batiment e chantier porque os altos prédios e estaleiros nunca tinham feito parte do seu universo.
Femme de ménage, intraduzível em português na sua época, pois não havia mulheres da limpeza, antes criadas de servir, com uma conotação bem diferente e mais pejorativa.
Muitos e muitos vocábulos poderíamos analisar, não apenas nos limites da linguística mas, sobretudo, na sua explicação sociológica.


Texto: Rogério Rodrigues / Foto: João Costa



(continua)


terça-feira, 30 de agosto de 2011

" ATerra do Chiculate" de Isabel Mateus, e "A Aldeia", de Francisco Moura

Tal como divulgámos neste espaço, decorreu, no passado dia 27, na biblioteca municipal de Torre de Moncorvo, a apresentação do livro "A Terra do Chiculate", de Isabel Mateus, e da abertura da exposição de pintura " A Aldeia", de Francisco Moura, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo.

A publicação de Isabel Mateus foi apresentada por Rogério Rodrigues, perante um vasto público, sendo evidente o contributo desta obra para o estudo da emigração portuguesa.
" A Aldeia", de Francisco Moura, aguareliza traços e troços de Carviçais, num conjunto de duas dezenas de trabalhos, expostos até 25 de setembro.

O auditório da "Terra de Chiculate".


Abertura da sessão pelo sr. Presidente da Câmara, Eng. Aires Fereira.



Rogério Rodrigues e a autora, Isabel Mateus.


Algumas palavras do Sr. Presidente, Eng. Aires Ferreira, para as aguarelas de Francisco Moura.

Imagens: João Costa

Faleceu o mestre ferreiro Sr. António Carvalho

António Augusto Carvalho nasceu em Felgueiras (concelho de Torre de Moncorvo) em 20.10.1920. Exerceu várias actividades antes de se concentrar na arte de ferreiro, que iniciou a picar foices na forja de seu compadre, João Alberto Rebelo, na aldeia de Felgueiras, terra de ferreiros desde a Idade Média. Homem trabalhador e engenhoso, acabou por adquirir a forja do compadre e, mais tarde, transferiu-a para o Carvalhal, onde modernizou os processos de trabalho, sendo um dos mais categorizados ferreiros/serralheiros da região. Nas horas vagas tocava guitarra, cantava e compunha versos.

Ofereceu vários objectos da sua forja ao Museu do Ferro, tanto na fase da Ferrominas, como na fase em que o museu se instalou na sede do concelho. Por este motivo, em 2005, o museu organizou uma singela homenagem em sua honra, quando completou os 85 anos. Era visita regular desta instituição museológica, antes de as forças o reterem no Lar da Fundação F. Meireles, onde faleceu ontem. Os nossos sentidos pêsames a toda a família enlutada.

O funeral realiza-se hoje, pelas 18:30h, na sua terra natal, onde será sepultado.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Livro de Isabel Mateus e Exposição de Francisco Moura, no próximo sábado na biblioteca municipal

(Clicar sobre o convite, para AMPLIAR)

Será apresentado no próximo sábado, dia 27 de Agosto, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo o livro de Isabel Mateus, intitulado "A terra do chiculate", o qual versa a problemática da emigração portuguesa (e trasmontana em especial) para terras da mítica Europa (sobretudo para França) - eram as "terras do chicolate", no dizer de um garoto, à época com os pais emigrados. Estará presente a Drª. Maria da Conceição Tina Melhorado, uma das pessoas retratadas no livro, através de uma fotografia do conceituado fotógrafo Gérald Bloncourt (também autor da fotografia da capa). Conceição Melhorado era uma criança nos anos 60, quando seus pais emigraram para França, tendo conhecido na pele os problemas da emigração, o que não a impediu de vencer na vida (ou talvez por isso). - A apresentação do livro estará a cargo de Rogério Rodrigues, também escritor e jornalista, nosso conterrâneo e amigo da autora.

Aproveitamos para informar que o livro "O trigo dos pardais", também de autoria de Isabel Mateus (cujo lançamento noticiámos neste blogue: http://torre-moncorvo.blogspot.com/2010/04/um-sabado-cultural-com-trigo-dos.html), foi incluído no Plano Nacional de Leitura (PNL), programa Ler+, sendo recomendado para os níveis do 8º ano de escolaridade. - Aqui ficam as nossas felicitações à ilustre escritora (nossa conterrânea e colaboradora deste blogue) pelo reconhecimento da sua qualidade por parte das entidades oficiais ligadas ao ensino da Língua Portuguesa.

Ainda no sábado à tarde, depois do lançamento do livro de Isabel Mateus, teremos a inauguração de uma exposição de pintura sob o tema "A aldeia", de autoria de Francisco Moura, mostrando diversos aspectos da aldeia de Carviçais. Esta mostra ficará patente no Centro de Memória (agregado à Biblioteca Municipal).

A não perder!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Festa de Senhora do Amparo do Felgar - 2011

Decorreu o passado fim de semana a grandiosa festa do Felgar, em honra de Nossa Senhora do Amparo (para os interessados informamos que hoje à noite ainda há o "fim de festa" no recinto do santuário do Vale).
Aqui deixamos uma breve reportagem de alguns momentos, desde o sábado passado, tendo-nos faltado, deste feita, o registo do fogo de artifício e da forte chuvada/trovoada de ontem (domingo), que acabou por estragar a noite de ontem.
Em jeito de balanço: eventos culturais, muita música, animação, além da componente religiosa e, a terminar, uma impressionante trovoada na noite de ontem, eis a festa do Felgar 2011.
(clicar sobre as fotos para as AMPLIAR):
Terra de "Pucareiros", os felgarenses teimam em manter vivas as memórias do trabalho do barro. Graças ao empenhamento e dedicação de Tozé Carneiro ("Pisco" para os amigos) e à falta de um verdadeiro núcleo museológico dedicado ao tema, este ano foi montada uma "Casa do Barro", onde se realizou uma pequena mostra e se procedeu à apresentação do livro "O último oleiro", de António Rómulo Duque.
Capa do livro "O último Oleiro", de Rómulo Duque, onde o autor conta diversas estórias do barro e relata a sua experiência junto de António Rebouta (o ti-Roberto), aquele que é normalmente considerado o último oleiro do Felgar (a viver desta arte como profissional). A obra pode ser pedida à editora Sítio do Livro, Ldª (http://www.sitiodolivro.pt/)

Mas afinal ainda há quem não tenha perdido o jeito: o Sr. Sebastião Rebouta, filho de António Rebouta, tem assegurado o título de "último oleiro", depois da morte de seu pai (em 1987). Embora não resida no Felgar e tenha o seu "atelier" a caminho da Açoreira, é neste momento o único praticante da arte por estas terras... Esperemos que algum felgarense mais entusiasta venha a segurar este pendão, ao menos como "hobby"... - tem a palavra o Toninho Duque, entre outros!

Cai a noite e o santuário engalanado prepara-se para o arraial...

Este ano, a figura de proa do cartaz da festa foi o Padre Víctor, verdadeiro caso de sucesso musical pelas nossas terras!...

Momento do concerto do jovem Padre Víctor, já conhecido pelo "padre Pop".

Padre Víctor e sua banda, desbundando altos sons na sua guitarra acústica!...

Domingo à tarde: é o momento da monumental procissão, estreando a avenida nova...

Banda filarmónica de Paço de Sousa (na foto), seguida pela do Felgar, seguem a Senhora do Amparo, a caminho do Santuário...

O povo junta-se para ouvir o Sermão que será proferido do alto do púlpito do Santuário.

Tem a palavra o Sr. diácono Ilídio Mesquita - enaltecendo a Senhora que é Amparo dos felgarenses e de todos os que a Ela recorrem, mas, uma vez mais verberando os familiares que põem as crianças a cumprir promessas descalças, assim como a ostentação das notas nas fitas. Faz-se silêncio...

A virtuosa imagem ainda no andor, mas já no seu espaço, é exposta à devoção dos fiéis que aí vão depositar o seu óbulo e rezar as suas orações...

Um quadro de Rembrandt: cá fora, num recanto do adro, arde o fogo sagrado. Uma virginal Vestal luso-francesa observa pensativa as velas que ardem... Em que pensará ela? Será que procura no fogo ardente a essência do divino? ou será apenas o renovado reencontro com as suas origens, procurando manter viva a chama que a liga aos seus ancestrais? Só ela sabe...
Txt. N.Campos; fotos: N.Campos e Rómulo Duque

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ainda o inferno do Roboredo, ontem...

Como prometido, aqui ficam mais algumas fotos do inferno do Roborêdo ontem... (clicar sobre as imagens para ampliar e 2X para AMPLIAR mais):
17;36h 17:37h 17:43h 17:44h17:44h 17:44h17:47h17:54hO "day after": hoje, às 10:09h. A terra calcinada ainda fumegava...
Desde a zona da Tribuna, vale do Violão, Quinta da Padrela, Santa Leocádia (em que a capela, por milagre! se manteve branca e incólume), Quinta das Aveleiras (com o fogo a suster-se perto da capela de Santa Teresa), tudo ficou entre o carvão e o cor de cinza... Quanto tempo agora para a paisagem - natural e agrícola - se regenerar?
Se há um culpado nesta "estória", que estas imagens sejam um libelo acusatório e um espinho cravado na consciência do(s) dito(s), especialmente se se tratou de algo intencional...
- Uma nota final de louvor para os Bombeiros Voluntários, e para os pilotos dos helicópteros que, no meio do fumo intenso e altas temperaturas libertadas pelas chamas, conseguiram debelar este impressionante incêndio, tendo as equipas no terreno trabalhado toda a noite nas operações de rescaldo. Fica também o nosso apoio moral aos proprietários atingidos, para que não desanimem e para que rapidamente possam superar os danos.
(Txt. e fotos de N.Campos)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Violento incêndio deflagra na serra do Roboredo /Stª. Leocádia e Qtª das Aveleiras

Teve início por volta das 17;20h um violento incêndio na zona Oeste da Serra do Roboredo (perto do local conhecido pela Tribuna) progredindo com grande rapidez em direcçao da capela de Santa Leocádia e Quinta das Aveleiras. O fogo penetrou nesta quinta, chegando a ameaçar as unidades de turismo rural.
O incêndio foi combatido por meios aéreos e pelos bombeiros locais (tendo chegado depois das 18:00h a ajuda das corporações de concelhos vizinhos, nomeadamente de Freixo de Espada à Cinta, Vila Flor e Mogadouro). Pelo cenário dantesco das labaredas a varrer a copa dos pinheiros, com cinzas e faúlhas a voarem sobre a vila, bem como pelo impacto negativo no belo cenário verdejante sobranceiro à vila - que agora se sucederá - podemos considerar que este foi o pior fogo deste verão (até à data), no nosso concelho. Uma verdadeira catástrofe...
Aqui ficam alguas fotos dos momentos iniciais do fogo, quando ainda não estava totalmente controlado (entre as 17:32 e 17:40h) :
17:32h

17:33h

17:34h17:35h

Logo que possível, apresentaremos mais imagens... A vista que da serra se tinha para a Santa Leocádia, infelizmente não voltará a ser a mesma por bastante tempo..... Voltamos a repetir a pergunta que aqui fizémos no passado fim de semana: como é que isto começa? quem foi? que interesses por detrás desta "indústria do fogo" e deste negócio de verão?? o que acontece aos culpados? - Por outro lado, se bem que a intervenção não tenha demorado muito, sobretudo os meios aéreos, o que se pode fazer em termos de uma política de prevenção o mais eficaz possível, que evite a progressiva depadidação do património florestal da nossa serra e não só)? Em suma, o que fazer? - responda quem souber...

Fotos de N.Campos

Apresentação do livro "O último Oleiro", de António Duque

(clicar na imagem para AMPLIAR)

No próximo sábado, dia 20 de Agosto, por ocasião da festa de Senhora do Amparo, pelas 21;30h, será feita a apresentação do livro de António Rómulo Duque (Toninho Duque, para os amigos).
Este trabalho é resultado do convívio do autor com aquele que se considera ser o último oleiro do Felgar, o Sr. António Rebouta (mais conhecido por ti Roberto), falecido em 1987. António Duque aprendeu com ele as artes do barro e chegou a montar uma roda de oleiro em sua casa, tendo ajudado o velho oleiro na elaboração da sua última fornada. Aproveita o autor para relatar aqui as suas vivências na terra natal, referindo outros oleiros e, mais recentemente, o seu contacto com o Museu de Olaria (Barcelos), onde se encontra a mais relevante colecção de peças de barro do Felgar.
Esperamos que este contributo, depois dos trabalhos de Adriano Vasco Rodrigus, Maria da Graça Freitas/Manuel M. Macedo, N. Rebanda/Miguel Rodrigues e, mais recentemente, Liliana Reis, possa constituir mais uma achega para um núcleo museológico dedicado às Artes Cerâmicas do Felgar, que desde há anos vimos defendendo.
Sobre o autor, António Rómulo Duque, é, como dissemos, natural do Felgar, embora se encontre presentemente a trabalhar e a residir em Braga. Tendo seguido o destino de tantos jovens sem possibilidades económicas, começou a trabalhar muito cedo como empregado comercial em Moncorvo, mas o seu engenho e arte viria a revelar-se no campo da electrónica, de modo auto-didacta, tendo chegado a construir um emissor artesanal, na fase da febre das "rádios piratas", com que inaugurou a Rádio Felgar em 1988. Posteriormente foi responsável da parte técnica da RTM (Rádio Torre de Moncorvo), tendo fornecido equipamentos e montado o posto retransmissor desta rádio na serra do Roborêdo.

Sempre ligado à electrónica, com diversas formações na área, uma delas com estágio na Alemanha, aquando da integração nos quadros de uma multinacional alemã em Braga, como técnico de electrónica no apoio à produção.
Homem dinâmico, Rómulo Duque foi co-fundador de associações (p. exemplo Associação Cultural do Felgar e Associação de Técnicos de Electrónica em Braga), sindicalista, aprendeu olaria, plantou árvores, é pai de filhos (nomeadamente do jovem musico Diogo Encarnação Duque),pelo que só lhe faltava mesmo escrever um livro!
Desde já os nossos parabéns ao amigo Toninho Duque por mais esta ousadia!

Para aquisição do livro e demais informação, consultar:

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/o-ultimo-oleiro/9789899734104/e http://blogue.sitiodolivro.pt/2011/07/05/o-ultimo-oleiro/

Txt. de N.Campos

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

FESTA DE SENHORA DO AMPARO - FELGAR é no próximo fim de semana!


(Clicar sobre o cartaz para AMPLIAR)
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Como já aqui anunciámos (ver: http://torre-moncorvo.blogspot.com/2011/07/festa-de-n-senhora-do-amparo-cartaz-da.html) realiza-se no próximo fim de semana a grandiosa festa e romaria da Senhora do Amparo do Felgar.
A não perder!!!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Festas de Torre de Moncorvo, em honra da padroeira

Início da procissão, pela avenida Engº Duarte Pacheco (clicar nas fotos para ampliar)
Decorreram neste fim de semana prolongado, as festividades de Torre de Moncorvo em honra da sua padroeira, Nossa Senhora da Assunção. Apesar da falta do foguetório e fogo de artifício, não faltou a música e animação, com as ruas pejadas de gente, com o natural afluxo dos moncorvenses que se encontram espalhados pelas várias partidas do mundo, além de turistas e outros visitantes. Mas, o ponto alto da festa é sempre a grande procissão que, saindo da grandiosa igreja matriz, percorre as principais ruas do centro histórico da vila. Aqui fica uma breve reportagem fotográfica:
Aqui vai o Santo Isidro, rodeado de verduras, pois se trata do padroeiro dos lavradores da Vilariça.Vista geral do cortejo da procissão, pela avenida Engº. Duarte Pacheco.
Escolta por cavaleiros da GNR.
Passagem dos andores pela rua Vasco da Gama.
Nossa Senhora da Assunção, com a serra do Roborêdo em plano de fundo.
A banda filarmónica de Carviçais, marcando o compasso, seguida pela banda do Felgar.
Guarda de Honra e saudação, no momento do regresso à igreja matriz.
Bandas de música e numeroso público despedem-se da Senhora, enquanto alguns fiéis aproveitam o último momento para pagarem o seu óbulo, e levarem flores e cartelas com a imagem da padroeira.
Cai a tarde e o sol poente, como disco de ouro aureolando a cabeça de um pensativo Santo Isidro, desce sobre o afogueado planalto de Cabeça Boa, de onde emanam fumos de incêndio. A Senhora, qual "Terra Mater", parece saudar o Sol e abençoar as terras do vale e da fragada ao longe... Vai ascender aos céus. Completa-se o ciclo, depois de circuitar a vila, fechando-se também a protecção ao burgo, com chegada ao ponto de partida, que é o Templo, relicário de pedra que estrutura o tempo e o espaço de uma comunidade que teima em subsistir, mau grado todas as diásporas.
Texto e fotos de N.Campos

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Continuam os grandes fogos na nossa região!!

Desde ontem (14 de Agosto), que lavra um grande incêndio na zona de Vila Flor, bem visível a partir das partes altas da vila de Moncorvo - esse fogo corresponde, na foto de cima, à coluna de fumo do lado direito. Relembramos que ainda há dias os bombeiros do vizinho concelho de Vila Flor chegaram a estar cercados pelas chamas, tendo perdido viaturas de combate ao fogo, conforme noticiou a imprensa regional. Não sabemos se o incêndio que se avistava ainda hoje (15 de Agosto), à tarde, é no mesmo local, ou noutro ponto do referido concelho.
Entretanto, no nosso concelho, deflagrou outro fogo na fragada da Cabeça Boa/Cabeça de Mouro, que é o que se vê na foto, do lado esquerdo.


As fotos foram captadas das traseiras do adro da igreja matriz, chegando a ser visíveis as chamas, a partir deste ponto de observação. O fumo encaminhou-se para o lado de Moncorvo, trazendo muitas partículas de cinzas pelo ar, além do cheiro à madeira queimada...


É este o calvário de cada verão, em que os montes se vestem de luto, custando a crer que sejam fogos ateados pelos pastores, como por vezes se diz, sobretudo quando há cada vez menos gados, sendo os pastos que existem mais do que suficientes para não se praticarem vastas queimadas. Também não é crível que haja tantos fogos por incúria, quando as pessoas estão mais do que sensibilizadas para o problema. A do pirómanozinho, tolinho, coitadinho, também não colhe, se bem que os incendiários, quando apanhados, depressa arranjam um atestado a certificar a sua piromania...


Então como se explica isto? - Enquanto não se fizer uma investigação aprofundada (e isso foi tentado, há anos, num certo documentário televisivo, ouvindo todos os sectores "suspeitos") tudo o que se possa dizer é meramente especulativo. Contudo, sendo este o grande negócio de Verão, não será difícil assacar à indústria do "apaga-fogos" (porque de uma indústria se trata!) uma boa dose de suspeição... Será um pouco como o negócio dos vírus e antivírus nos computadores? Em última instância, no sistema capitalista tudo pode ser "business" e, até na sua versão mais "soft" e menos neo-liberal, a do keynesianismo, numa simplificação grosseira da teoria do distinto economista americano, se pusermos metade do pessoal desempregado a atear fogos, e a outra metade a apagá-los, pagando-se-lhes para isso, talvez esta seja uma saída para a famigerada crise... Será esta a ideia? - Esperemos bem que não, e que os incendiários sejam severamente punidos, o que, parece, não tem acontecido nunca...


(Fotos de N.Campos e H.Tavares)