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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Município assinala 10 de Junho com Monumento aos Combatentes do Ultramar

O dia de Portugal e das Comunidades será assinalado este ano, em Torre de Moncorvo, com a inauguração de um monumento aos soldados do nosso concelho que morreram em combate durante a chamada Guerra do Ultramar (1962-1974). Mais de uma vintena de nomes ficarão gravados numa placa de aço cravada num obelisco de granito, num dos ângulos da praça da República, ao lado do cemitério.
Aqui fica o convite/cartaz para participação nesta justa homenagem aos homens da terra que tombaram na defesa do que então se considerava Portugal:

 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quadros da Emigração – Kennington Park Londres

O marco verde e vermelho da bandeira portuguesa a indicar o caminho para Kennington Park

Relativamente às comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Reino Unido, aqui ficam as fotografias que ilustram o evento. Apesar da persistência da chuva, que caiu insistentemente ao longo da manhã e da tarde, ninguém arredou pé e a festa prosseguiu abrigada pelos guarda-chuvas e pelos opulentos chapéus de palha do BPI. Estes últimos por certo mais preparados para protegerem os fregueses do sol tórrido do Verão na pátria de origem, ainda assim não deixaram de aparar, de forma condigna, a chuva do céu. E se, sobre a relva molhada, se assistiu à Missa Campal e à actuação dos Ranchos Folclóricos, também ali se saborearam as mais diversas iguarias (pão com chouriço, bolinhos de bacalhau, bifanas, pastéis de nata...), se bebeu a cerveja Sagres e se tomou o café.
O espetáculo continuou com a música em palco pela tarde dentro, mas a viagem de regresso a casa ainda era longa e, por isso, dabandei com a família. Com os pés húmidos e os corpos enregelados, valeram-nos os pastéis de nata que trazíamos no farnel!...

Visão panorâmica das tascas e do recinto da festa que, mais tarde, viria a encher-se com um pouco menos dos 50 mil portugueses esperados. Talvez por causa da chuva...

A missa campal a (re)lembrar as missões das Descobertas e o coro dos meninos a entoarem cânticos religiosos em português.

Primeiro plano do membro mais pequeno do rancho folclórico português de Londres (Lucy com a sua mãe pouco antes de subir ao palco e, visivelmente, sem disposição para posar para a fotografia).

Este quadro prescinde de legenda...

Pois é, o pessoal à volta dos comes e bebes de Trás-os-Montes. Tudo da melhor marca transmontana, como me informaram!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quadros da Emigração – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


Festa no Consulado Geral de Estrasburgo para as comemorações do Dia de Portugal (4 de Junho de 2011).

Por ocasião da comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas convém salientar que há, quanto a mim, duas entradas no Diário de Miguel Torga que são fundamentais para que possamos apreender o verdadeiro significado da data, isto é, que falar de Portugal e da sua história é sinónimo de dizer diáspora.
Encontrando-se ambas no Diário XV (1990), mas distando dois anos no tempo, é basilar que as abordemos separadamente para lhes atribuirmos o justo valor e para dar crédito à coerência e à integridade das palavras do Autor e da sua obra.
A primeira entrada corresponde ao dia 9 de Junho de 1987 quando o poeta se deslocou a Macau para falar de Camões e por altura da iminente transferência do poder administrativo português daquele território para o Governo da China.
Assim, após expressar a enormidade da incumbência que lhe coube na sua qualidade de Poeta, pois fora o escolhido para falar naquela “hora final para que ela não tivesse fim”, e delinear uma abordagem diacrónica do espírito andarilho dos portugueses pelo mundo, cujo nome Camões atinge o expoente máximo, sintetiza a nossa peregrinação como povo de diáspora nos seguintes termos: “É nossa sina não caber no berço. Desde os primórdios que somos emigrantes. O português pré-histórico já era aventureiro, navegador, missionário, semeador de cultura.” (Miguel Torga, Diário XV)
Na sua perspectiva, só desse modo se pode entender o nosso percurso da aventura marítima e a construção do império proveniente da Empresa dos Descobrimentos. De tal maneira que quando se fala em emigrante a referência embate sempre naquele que o personifica: Luís Vaz de Camões. Aliás, citando ainda Torga “Ser um português acabado é ser ele, pioneiro, bandeirante, apóstolo, traficante, visionário, namorado e poeta.” (Miguel Torga Diário XV)
No meu ponto de vista, este trecho do seu Diário não se pode desmembrar daquilo que escreveu posteriormente na segunda entrada do mesmo Volume, em 1989, relativamente à comemoração de mais um 10 de Junho, mas desta vez coincidente com o Prémio Camões, instituído pelos Governos Português e Brasileiro, com que foi agraciado em Ponta Delgada, nos Açores, contando com a presença de Mário Soares. Pelo contrário. Tecendo aqui novamente um elogio ao emigrante português que classificara, em 1987, como “uma criatura convivente, prestante, diligente e influente, que concilia, congrega, desbrava, cria riqueza, funda instituições benemerentes, semeia humanidade”, situa a efeméride na primeira pessoa com a sua própria vivência de migrante em Minas Gerais, no Brasil, para onde emigra, “aos treze anos, numa madrugada de Outubro de 1920” (José de Melo, Miguel Torga – Fotobiobibliografia, 1995). Tal qual o que sucedeu com os seus antecessores, Torga também contrapõe em desfavor de todas as adversidades que a pátria e o berço lhe impõem e que enumera (“Os dons eram escassos, a saúde traiçoeira, o ambiente irrespirável, e os meus propósitos temerários.”) o que, afinal, lhe moldou a vida:
“Só que morava dentro de mim uma vontade férrea, e o instinto e a razão mandavam-me seguir. Queria ser no mundo, como em letra redonda o declarei, um homem, um artista e um revolucionário.” (Miguel Torga, Diário XV)
Ora, nós, os emigrantes de Hoje somos igualmente o arauto da nossa própria diáspora e seguimos à risca o seu ensinamento. Ou melhor, tomando por paradigma a directriz torguiana, fazemos parte desses portugueses com a herança de Camões e a mesma “vontade férrea” de Miguel Torga. Também nós sentimos o apelo de nos cumprirmos fora da Pátria “e o instinto e a razão” mandou-nos seguir para nos tornarmos nos homens e nas mulheres que ajudam a construir a imagem de Portugal no mundo e que, em simultâneo, enriquecem e dignificam o seu país de origem nas diversas vertentes: a económica, a social, a política e a artística.
Somos orgulhosamente portugueses dentro e fora da Pátria!



Música típica no Consulado (as várias gerações e o mesmo amor a Portugal).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ainda a propósito do dia de Camões e de Portugal

Última bandeira monárquica, guardada no Arquivo Histórico de Torre de Moncorvo (a cor azul, do lado esquerdo, encontra-se muito desbotada)

A utilização política da figura de Luís de Camões dera-se nos tempos finais da Monarquia portuguesa, aquando do Ultimato inglês (1890) que rasgou o chamado "Mapa cor-de-rosa" (projecto de união dos territórios ultramarinos de Angola e Moçambique). Após a cedência do governo português de então à intimação britânica, os republicanos cobriram então a estátua de Camões de panos pretos.

Mais tarde, após implantação da República, o decreto de 12 de Outubro de 1910 viria a definir os novos feriados nacionais, em que se atribuem significados novos a alguns feriados anteriores ou a outros de cariz religioso (p. ex.: o Natal passou a celebrar-se como dia da Família). No entanto, neste rol, o dia 10 de Junho não estava ainda consagrado, preferindo o novo regime "recauchutar" em Dia da Autonomia e da Bandeira, o velho feriado de 1 de Dezembro (dia da Restauração da independência, em 1640). Todavia, no mesmo decreto, dava-se a possibilidade de os concelhos (através das respectivas câmaras) escolherem um dia de feriado municipal. A Câmara de Lisboa escolheu então para seu feriado municipal o dia 10 de Junho, em honra de Camões (por ter sido nesta data que morreu o autor de Os Lusíadas, na cidade de Lisboa, visto que a data de nascimento não é conhecida).

Com o chamado "Estado Novo" (1933-1974) o feriado de Lisboa (10 de Junho) acabaria por ser alargado a todo o império, como o Dia de Portugal e da Raça (lusíada, entenda-se). Nesta ocasião faziam-se grandes paradas militares e, na fase da guerra do ultramar, era neste dia que se condecoravam os soldados que se tivessem distinguido por feitos valorosos.

Após o 25 de Abril de 1974, manteve-se o feriado, agora com a designação de Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas (adoptada em 1978), de forma a homenagear também os emigrantes portugueses espalhados pelo mundo. A data continuou a ser assinalada com marchas militares, com atribuição de condecorações e comendas honoríficas a certas personalidades, insígnias que são distribuídas pelo Presidente da República.

Apesar das críticas jocosas ao ritual do 10 de Junho, satirizadas, por exemplo, na "Valsinha das Medalhas" do cantor Rui Veloso, nem mesmo este resistiu à tentação de aceitar receber uma Grã Cruz da Ordem do Infante, que lhe foi atribuída pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_de_Portugal