quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ainda o Vale Maravilhoso

A propósito do repto do post anterior, realmente faltam pinturas que expressem na tela, os sentimentos vividos ao ver/estar neste vale. Mas existem algumas gravuras. E esta digamos que capta um belo momento, no período mais avançado das vindimas, no Rego da Barca, vislumbrando-se o Rio Douro e a Foz do Sabor.

Esta gravura data do último quartel do séc. XIX, e foi publicada na obra maior do Visconde de Vila Maior, "O Douro Illusttrado. Album do Rio Douro e Paiz Vinhateiro", publicado no Porto em 1876.

"Promised Land"

Vales do Douro e Vilariça, vendo-se as Quintas do Rego da Barca (à direita), a Foz do Sabor (à esquerda) e o troço do IP-2. Um novo troço, paralelo ao existente, esteve projectado até há bem pouco tempo, o que, a fazer-se, seria uma gritante agressão à serenidade desta bucólica paisagem, pelas feridas irreversíveis nas encostas dos cabeços que bordejam estes vales.

Uma "terra prometida" foi como já foi designado este ubérrimo vale, com as suas "courelas" verdejantes e pequenas povoações e quintas, como se fossem pequenas ovelhinhas pastando nos seus viços. O Sabor tranquilo, em primeiro plano, quase a chegar ao Douro. Ao fundo, a encosta sombria do planalto da Lousa/Cabeça Boa, como uma onda que vem desenrolar-se nesta praia de castanho e verde.
Como notou Campos Monteiro, onde está um pintor que venha captar esta beleza?
(Fotos de N.Campos e R.Leonardo)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Canafrechas

Canafrecha - foto de Engº Afonso Calheiros

A Canafrecha (ferula communis) é uma planta umbelífera muito frequente na nossa região.
Por detrás do pavilhão gimno-desportivo da Corredoura existe o micro-topónimo "Canafrechal" ou "Canafichal" (na corruptela popular), apesar de aí actualmente predominar outro tipo de plantas que parecem ser o "embude" (Oenanthe crocata). É de registar que uma das personagens mais marcantes da novela "Tragédia de um coração simples", de Campos Monteiro (in Ares da Minha Serra), era um rapazola miserável, misto de ratoneiro e de vagabundo, conhecido por Canafrecha, uma alcunha que remete para a presença dessa planta nos arredores da vila de Torre de Moncorvo.

Cabafrecha em flor, nesta fase do ano, à saída de Torre de Moncorvo - Aveleiras (foto de Engº Afonso Calheiros)
Numa breve procura feita pela blogosfera, encontrámos esta curiosa informação, que aqui reproduzimos, com a devida vénia do blogue "Mistérios do Além": «Canafrecha: chamam-lhe por vezes “heracleia”, o que parece indicar, por referência a Héracles – denominação grega de Hércules -, que as suas propriedades afrodisíacas (que excitam a apetência sexual) são conhecidas há muito tempo. A sua acção estimulante sobre as funções sexuais é muito eficaz. Entre os diversos preparados à base de canafrecha, citemos o vinho aperitivo, que se prepara macerando, durante 10 dias, 50 gramas de sementes de canafrecha em 1 litro de vinho tinto. E para obter o “tal” efeito basta beber 1 copo daquela infusão antes das refeições e pronto: abaixo o Viagra e voto a favor da Canafrecha; é mais barato e já os gregos diziam que era muito eficaz…» ver: http://misteriosalem.blogspot.com/2007/09/excitao-sexual-pelas-plantas.html


Numa busca na "net" encontrámos esta fotografia de autoria de V. Jacinto (in http://farm4.static.flickr.com/3353/3564012988_497b6ed648.jpg) legendada como "canafrecha"

Ainda do "Jornal de Arganil", encontrámos citação de um artigo de Miguel Boieiro, em que se diz:
«Numa das acções de biologia inseridas nos programas da Ciência Viva que costumam decorrer no Verão, o Professor Fernando Catarino apontava a canafrecha como a maior erva que temos em Portugal, visto que o canolho oco desta umbelífera chega a atingir cinco metros de altura. Acrescentava a seguir que a conhecida frase do direito romano "a justiça deve ser simultaneamente firme e branda como uma férula", se relaciona com as propriedades físicas desta espécie que cientificamente se designa por Ferula communis L. / A canafrecha é venenosa e se algum animal (ou pessoa) ingerir a planta fresca contrai uma moléstia que a pode levar à morte em poucos dias. No entanto, diz-se que quando seca perde as suas características tóxicas./ Sabemos que ela é utilizada para fins medicinais no Norte de África e que certos povos usam a sua essência resinosa para provocar abortos durante o primeiro trimestre de gestação. / Finalmente esta férula, cujo género engloba cerca de 170 espécies, tem fama de favorecer a apetência sexual e de ser ainda melhor do que o famoso "viagra". Para tal, macera-se, durante dez dias, 50 g de sementes num litro de vinho tinto e bebe-se um cálice antes das refeições. Será mesmo assim?» - Por: Miguel Boieiro, in Jornal de Arganil.
N.Campos

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ana Moura, Patxi Andión, Pessoa e Moncorvo

video

Imagens que o olhar tem saboreado em Torre de Moncorvo e que encontraram um canto para seu embalo.

João Costa

Concurso de pesca desportiva no Sabor/Ribeira

Como tem acontecido de há muitos anos a esta parte, as comemorações do 25 de Abril em Torre de Moncorvo têm integrado algumas provas desportivas e jogos tradicionais. Por esta ocasião realiza-se também um concurso de pesca desportiva, promovido pelo Clube de Caça e Pesca moncorvense, tendo este evento, realizado ontem, contado com cerca de meia centena de participantes.
A prova teve lugar no rio Sabor, um pouco a jusante da confluência com a ribeira da Vilariça (no chamado Bico da Ribeira), área adscrita à concessão de pesca do Sabor. Ontem, entre outras variedades piscícolas, pescaram-se sobretudo barbos e percas.
Numa paisagem bucólica de um dia ensolarado, o concurso foi sobretudo um pretexto para um convívio, em redor de uma modalidade que, no nosso concelho tem muitos e exímios praticantes.
E para quem não conhece, aqui tem oportunidade de ver os verdadeiros "morcões", de que tanto falam os portuenses (na caixa).
(Fotos de Engº. Afonso Calheiros e Menezes)

domingo, 25 de abril de 2010

Quadros da transmontaneidade (6)

Há bem pouco eram emigrantes, hoje, felizmente, são cidadãos da Europa, mas a marca desse tempo ficou no nosso consciente, faz também parte da nossa identidade, da nossa memória colectiva. Todos saíram. Ficavam mulheres velhos e crianças. Esse movimento foi, talvez, o primeiro sinal de abandono dos nossos nontes. Iam em debandada, carregavam com eles a doce crença de um futuro melhor. Todos regressavam lá pelo Verão, cheios de entono, prontos a idolatrar quem cantasse a sua odisseia no disco de vinil e na “cassete pirata”. Era vê-los, de tronco ao léu, a deitar argamassa e a assentar tijolo de uma “maison” que crescia à medida dos sonhos mas que feria pela forma e pelas cores. Era vê-los a ostentar uma “voiture” que quem por cá mourejava nunca teria possibilidade de adquirir. Era vê-los nas festas de orago a depositar francos gordos na fitas do andor de Nossa Senhora de Fátima. Era vê-los nas feiras a apreçar a mercância com palavras desconhecidas, porque a língua dos afectos, aquela que todos os anos os trazia de volta já não saía com facilidade.Eles eram os “avec”, ou melhor os “aveques”, eles eram granito serrano, eram o mais nobre granito transmontano mas que, por crime político, nunca lhe deram possibilidade de ser escodado.

ANTÓNIO SÁ GUÉ

Patxi Andión em Torre de Moncorvo

Ontem, o Cine -Teatro de Torre de Moncorvo acolheu um espectáculo de Patxi Andión e sua banda. Destacaram-se alguns trabalhos do último álbum Porvenir, tais como María en el corazón, Es tan difícil dejar de pensar!, Siempre es nunca, Saleema (aroma de mujer) e Nada viene a ser verdad. Este cantautor fez questão de falar em português e interpretou um fado, uma criação própria, com texto de Fernando Pessoa.

Final do espectáculo, com um cravo e aplausos.

Texto e imagem: João Costa

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Hoje é o Dia Mundial do Livro!


Eis algumas sugestões de leitura, para saborear melhor Torre de Moncorvo...

Em Abril, encanto primaveril...

Encanto primaveril, mesmo no meio da vila, em que os tons liláceos das flores das olaias do antigo Rossio (que foi "praça das Regateiras" e hoje Largo General Claudino) emolduram a torre da imponente igreja de Torre de Moncorvo.
Um convite a uma visita! (que tal no próximo fim de semana?)
N.Campos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra

Algures na freguesia de Torre de Moncorvo....

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Estação de C.F. de Torre de Moncorvo

No seguimento dos post's anteriores, aqui ficam algumas imagens da estação de caminho de ferro de Torre de Moncorvo e outras tantas informações sobre a Linha do Sabor:

Estação de Caminho de Ferro de Moncorvo (Janº.2010)

A linha do Sabor, segundo a obra do conde de Paçô-Vieira (Caminhos de ferro portugueses, Lx., 1905), estava já em perspectiva em 1888, no plano de Emídio Navarro, sendo estudada pelo Engº. Luciano Simões de Carvalho. Segundo o abade de Baçal, "pela proposta de lei do ministro das Obras Públicas, Conde de Paçô-Vieira, de 24 de Abril de 1903, para construção das linhas complementares, e lei de 1 de Julho do mesmo ano, pôde proceder-se ao estudo desta linha".

Antigo depósito da água para a caldeira da locomotiva (Janº.2010)

Depois de algumas vicissitudes, discussões, hesitações e atrasos, como é típico neste país, a obra lá começou, após a construção da ponte férrea do Pocinho (inauguração do início dos trabalhos em Novembro de 1903, com inauguração após o final da obra, em Julho de 1909), sendo construído o ramal de via estreita que vai até Duas Igrejas (concelho de Miranda do Douro).

Casa do Chefe da Estação (Janº.2010)

Ainda segundo o abade de Baçal, "o lanço do Pocinho, Moncorvo e Carviçais (34km) foi aberto à circulação em 17 de Novembro de 1911. Custou cerca de 361.000$000 réis. O lanço de Carviçais foi aprovado em 29 de Fevereiro de 1908 e o projecto do lanço seguinte, de Bruçó a Brunhosinho em 31 de Dezembro de 1910. A linha ainda hoje (Agosto de 1933) só chega ao Mogadouro, mas continuam os trabalhos, já muito adiantados, em direcção a Miranda do Douro" [onde nunca chegou, acrescentamos nós, pois ficou-se por Duas Igrejas].

À direita: aqui passava a linha férrea, entretanto já levantada (janº 2010)

Saliente-se que um dos grandes argumentos para a construção deste ramal, conhecido por Linha do Sabor, foi a necessidade de escoamento dos minérios de ferro de Moncorvo, além dos mármores e alabastros da minas de Santo Adrião (Vimioso). Em boa hora se construíu uma ecopista/ciclovia entre Torre de Moncorvo (que era a primeira estação desta linha, para quem subia desde o Pocinho) e o Carvalhal, muito utilizada pelos moncorvenses e turistas que nos visitam. Como ainda se encontram os carris no troço entre a nossa vila e o Pocinho, seria interessante que se pensasse num pequeno combóio turístico, atendendo ao grande desnível e consequente esforço de subida para eventuais utilizadores, numa solução de continuidade da ecopista.

(Txt.: N.Campos; fotos do autor e de Rui Leonardo)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Linha do Sabor - Anos 70 - I



Reportagem da RTP

Linha do Sabor - Anos 70 - II



Excerto de reportagem da RTP.

Linha do Sabor - Anos 80



Excerto de reportagem inglesa efectuada nos anos 80 do séc. XX, e de que tivemos informação pelo nosso conterrâneo Rui Carvalho, carviçaleiro e filho do último maquinista da Linha do Sabor, o Sr. Abílio Carvalho, a quem os seus amigos gritavam, quando passava ao comando da sua locomotiva: "Apita Abílio!!" - ver sobre este tema, a reportagem que divulgámos em Dezembro de 2009 em TorredeMoncorvoinblogue.

Os Outros Contos da Montanha - Isabel Mateus

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Flores da época

Cynoglosum officinale

Fotografada em Sequeiros - Açoreira
Torre de Moncorvo

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Realizou-se ontem, a nível local, um passeio comemorativo do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, dedicado ao Património Rural das Freguesias de Adeganha e Cardanha. Embora não integrados nas comemorações oficiais, esta digressão adoptou a mesma temática recomendada pelo ICOMOS para o corrente ano, e visou "tomar o pulso" ao estado de conservação do nosso património dito vernacular.

Uma bela casa abandonada, na Póvoa

O evento foi organizado sob proposta da Junta de Freguesia de Adeganha ao PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo), no seguimento da recepção de documentação do IGESPAR sobre este assunto. A iniciativa contou ainda com o apoio do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo e do município. Apesar dos aguaceiros que se fizeram sentir, um grupo de mais de 20 pessoas acabaria por percorrer vários pontos do planalto da "Fragada", com início no Miradouro de S. Gregório, passando depois pelos Estevais da Vilariça, Póvoa, Cardanha e Adeganha.

Póvoa: uma das poucas casas ainda habitadas.

Constatou-se o avançado estado de degradação e de ruína de muitas destas construções tradicionais, além de inúmeros atentados à estética e à linha de coerência deste tipo de património, apesar de haver algumas tentativas de intervenção positivas. Outras poderiam melhores se fossem devidamente acompanhadas por técnicos especializados. Continua a ser preocupante a intervenção baseada no arrazamento puro e simples (como se viu na Adeganha, onde já desapareceu a chamada "casa do Conde"!), com reconstruções descaracterizadoras, ou, no mínimo, com "pastiches" feitos com revestimento a pedra.

Casa de habitação, que terá sido a residência paroquial, na aldeia de Adeganha.

Este é um assunto a merecer uma reflexão mais alargada sobre o futuro das nossas aldeias, por parte de quem de direito, a começar pelas pessoas que ainda vivem e resistem nestes cenários, passando pelos (re)construtores de casas de fim de semana e pelos decisores (autarcas, técnicos de património, operadores turísticos, etc.).

Para poder visualizar reportagem alargada do evento, consultar: http://parm-moncorvo.blogspot.com/.

(fotos N. Campos e Rui Leonardo)

domingo, 18 de abril de 2010

Nos 725 anos do foral de Torre de Moncorvo, concedido por D. Dinis

Realizou-se no passado sábado, no Centro de Memória, a sessão comemorativa dos 725º aniversário da concessão do foral a Torre de Moncorvo, pelo rei D. Dinis, em 12 de Abril de 1285.

Ao mesmo tempo, foi feita uma homenagem a várias personalidades que de algum modo contribuíram para diversas obras no concelho.

Ao abrir a sessão, o Presidente da Câmara, Engº. Aires Ferreira, explicou que o foral só é comemorado de 5 em 5 anos, pelo que na próxima comemoração já não estará em funções autárquicas (por força da lei de limitação de mandatos), razão por que quis que a presente comemoração fosse também uma oportunidade para agraciar um conjunto de individualidades que deram o seu contributo, de algum modo, para obras ou outras vantagens para este concelho, ao longo dos seus diversos mandatos.

Quanto ao foral, salientou a presença do pergaminho em exposição na sala (num cavalete protegido por um vidro), do treslado que do mesmo foi feito em 1288 e que foi temporariamente cedido pelo Arquivo Distrital de Braga, onde se encontra arquivado.

Disse ainda que se aproveitou também o contexto desta comemoração para se proceder à reedição do livro publicado em 2005 (o qual incluía o estudo e transcrição dos forais de 1285 e do foral manuelino de 1512), que se encontrava esgotado.

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Foram inicialmente anunciadas 15 personalidades, mas destes apenas puderam estar presentes seis, apresentados por ordem alfabética: D. António Rafael (antigo bispo de Bragança e Miranda), Engº. Mota Andrade (deputado do PS pelo distrito de Bragança), Engº Pedro Serra (ex-presidente do Instituto de Estradas e actualmente a presidir à empresa Águas de Portugal), Engº. Ricardo de Magalhães (ex-Secretário de Estado do Ambiente e actual Chefe da Missão do Douro), Dr. Silva Peneda (ex-Ministro do Emprego e Segurança Social e presentemente a presidir ao Conselho Económico-social) e, por fim, um moncorvense, o General Tomé Pinto, que, na qualidade de antigo comandante geral da GNR conseguiu que se fizesse o novo quartel desta força de segurança em Torre de Moncorvo. Os homenageados, além de uma medalha distintiva receberam um exemplar do livro dos Forais de Torre de Moncorvo em encadernação de luxo.

De seguida, o Sr. Presidente da Câmara apresentou a ilustre conferencista, Profª. Doutora Maria Alegria F. Marques, professora da Universidade de Coimbra, autora da transcrição dos forais de D. Dinis (de 1285) e de D. Manuel (de 1512) que integram o livro, bem como do respectivo estudo introdutório e glossário. A investigadora salientou que o foral original, passado em Lisboa, desapareceu, mas que ficou esta pública-forma, ou cópia autenticada, por tabelião local (João Fernandes de seu nome), na presença de dois juízes, o que lhe acrescenta importância, pois revela o zelo das entidades locais desse tempo em terem em seu poder uma cópia do documento fundador do novo concelho, o qual era a sua lei de base, ou seja, o regulamento da sua vida social, económica e política. Fez, de seguida, uma caracterização da época e do conteúdo dos forais incluídos no livro, com especial ênfase para o foral dionisino.

No final houve uma actuação da Tuna Popular da Lousa, sempre em grande nível, com o repertório tradicional que estes músicos conseguiram resgatar do esquecimento.

Seguiu-se um beberete com a excelente confeitaria da nossa terra, extensivo ao numeroso público que nem mesmo em dia de aguaceiros deixou de estar presente.

N.Campos

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Fotos: alguns momentos do evento.

Pincéis dos muros


Botão-de-ouro ( Ranunculus repens)

Quresmas: Pormenor dos pequenos bolbos

Quaresmas (Saxifraga granulata)

As pinceladas brancas e amarelas que neste altura cobrem os muros devem-se essencialmente a estas duas plantas. Além disso, os bolbos da raiz da quaresma são utilizados como fármaco para combater os cálculos renais.

Abril, águas mil...

Fazendo jus ao velho adágio, parece que a chuva voltou...
Pela calada da noite molhada, brilham as calçadas e os lampejos de luz amarela tornam de ouro as pedras da velha igreja que parece catedral. Não sei porquê, talvez pela luz dourada, ou pela humidade do pavimento, ou pela imponência do monumento, ocorreu-me Santiago... Sim, essa, a compostelana, a do Caminho... Ah, e como este pequeno largo poderia ser o Obradoiro, ou, no mínimo, A Quintana.
De Torre de Moncorvo para Santiago - que foi teu orago primeiro - voa-me o pensamento, por estas horas da noite.
E já chove em Santiago...
como em Torre de Moncorvo.

Txt. e foto de H. de Campos

sábado, 17 de abril de 2010

Quadros da transmontaneidade (5)


Ainda não andava nos dezoito quando partiu. Por lá andou, também foi daqueles que insatisfeito com a avareza da terra partiu à cata de melhor sorte. Não esperava encontrar nenhuma mina de ouro como aqueles que andaram lá pelos “Brasis”, mas “aldemenos” que desse para “adubar” com largueza o caldo. E conseguiu-o, depois de uma dúzia de anos aos “impontões” de uns e de outros, quer dizer depois de aturar filhos de muitas mães. Com os primeiros francos pagou caro umas oliveiras ao Dr. Armando, depois “mercou” um amendoal no Vale do Corcho, depois uma horta, refez o “cardenho” que foi o único “herdanço” do pai, que “Deus tem” e, por fim, voltou. Não quis café nenhum, isso é para mandriões. Voltou às raízes, ao princípio, se é que alguma vez de lá saiu. Voltou a embrenhar-se nos modos de vida ancestrais. Voltou a reger-se pelas leis do tempo. O apego à terra era um sentimento que não sabia explicar. Sim!, ela nunca lhe deu nada, bem pelo contrário, até a infância lhe tirou, mas havia uma atracção atávica, dir-se-ia imorredoura, que o puxava para aqueles montes.

ANTÓNIO SÁ GUÉ

Matriz

Esta é a fachada mais fechada aos turísticos olhares, numa perspectiva de peso.
J. Costa

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Explosão de cor

Candidato a património rural.

Aqui me apresento, garnizé, por vezes, de um só pé. Nasci de ovo verdadeiro e de chocadeira natural, contrariamente a outros da minha espécie, espetados, desde o ovo pelos nitrofulanos.
E esta capa vistosa devo-a à geada, vento, sol e orvalho que me abrigam e obrigam a debicar o tempo de uma paisagem transmontana.
Só muito depois serei brasa ou cabidela, quando o sabor iguala a minha cor.
J. Costa

725 anos da atribuição de Carta de Foral a Torre de Moncorvo


(clique na imagem para aumentar)

Fauna com letras



“… o ouriço olfactava a manhã e rebolava-se por baixo da figueira frondosa, que também sorvia a seiva do ribeiro. Os picos, assim cravejados de frutos, competiam com a cesta carregada de figos que as mulheres, à hora do almoço ou no final da tarde, transportavam à cabeça, para casa.”

Isabel Mateus, O Ouriço - Cacheiro, in O Trigo dos Pardais

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um pouco mais de azul ...

Iris germanica
J. Costa

O Voo do "Trigo dos Pardais"

Isabel Mateus apresentou, ontem, o seu " Trigo dos pardais" na Escola Secundária de Vila Pouca de Aguiar, durante a parte de tarde. Já pelas 21.30h, fê-lo em Vila Real, no Grémio Literário Vilarealense. Neste local, Pires Cabral fez uma curta apresentação da autora, seguindo-se uma coloquial e agradável exploração da obra por Maria da Assunção Anes Morais. Já no final, depois das palavras de Isabel Mateus, lembraram-se os sabores moncorvenses com uns tragos de licor de vinho e umas crocantes amêndoas.


Assunção Anes, Isabel Mateus e A. M. Pires Cabral

Isabel Mateus nas suas considerações sobre os 22 contos e o espaço rural que lhes serviu de suporte.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ainda

video

Aos que bebem a terra em sulcos e rasgam o tempo veloz, para nos ensinar calma.

Algures em Torre de Moncorvo, em Abril de 2010, para memória futura, com os meus agradecimentos à pessoa retratada.

J.Costa

terça-feira, 13 de abril de 2010

Rural e idades

Uma língua entre as fragas.


Suores partilhados.

Imagens e legendas
João Costa

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios é no domingo:

(clique na imagem para aumentar)

No próximo Domingo, dia 18 de Abril, comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, um dia especialmente dedicado ao Património, por indicação do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios), um organismo da UNESCO (ver: http://icomos.fa.utl.pt/ ; http://www.icomos.org/). Em cada ano é designado um tema específico, dentro do vasto campo que é o Património cultural material. No presente ano, foi escolhido como tema o património relacionado com a actividade agrícola e com o mundo rural em geral (arquitectura vernacular, como sejam as habitações tradicionais, palheiros, eiras, pombais, etc.).

A nível local, o entusiasmo do Presidente da Junta de Adeganha associou-se a outras vontades (Município, Museu, PARM), no sentido de se realizar uma digressão pelo maciço planáltico da Fragada, de onde se contemplam também o ubérrimo vale da Vilariça, com as suas quintas e um rico património de várias épocas.

Ver mais em: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2010/04/dia-internacional-dos-monumentos-e.html

Cucas

Sons dourados das campainhas ou cucas numa primavera reticente.
J. Costa

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Passeio da Pascoela à Senhora da Esperança (Torre de Moncorvo)

"Depois da Páscoa [na segunda-feira da oitava da Páscoa], muitos habitantes de Torre de Moncorvo deslocavam-se, a pé, até à Senhora da Esperança, mas, sobretudo, à Senhora da Teixeira [Sequeiros, Açoreira], carregados com os seus farnéis". - Padre Joaquim M. Rebelo, A terra trasmontana e duriense, ed. Câmara Municipal de Torre de Moncorvo/Associação Cultural de Torre de Moncorvo, 1995.

Esta tradição foi progressivamente caindo no esquecimento até que há dois anos, em 2008, a Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo a resolveu retomar, com bastante sucesso. Apesar de muitos participantes (sobretudo os mais idosos) se deslocarem de transporte colectivo disponibilizado para o efeito, alguns caminheiros continuam a utilizar o velho caminho medieval, desde as Aveleiras até ao Cuco.
Grupo de caminheiras, pelo caminho velho, com a vila em pano de fundo.

Aproximação à capela de Nossa Senhora da Esperança - não seria possível enterrar os inestéticos cabos eléctricos e telefónicos que desfeiteiam a paisagem?

Momento de devoção. A capela-mor é resguardada por uma grade e um arco de estrutura românica.

Altar principal da capela, com a Senhora amamentando o Filho, com Esperança na redenção do mundo...

Hora da merenda, vendo-se os folares e outras iguarias oferecidas pela Junta de Freguesia.

Ao fundo, a Presidente da Junta, Milú Pontes, não dá mãos a medir - e em primeiro plano, à direita, até um turista francês provou do nosso "fromage tarrinchô"

Um pórtico ainda de inspiração gótica sob o rústico alpendre que seguramente albergou milhares de viandantes e outros tantos devotos moncorvenses, ao longo dos séculos...
(Fotos de N.Campos)