sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011


Um 2011 aconchegado às raizes.
Foto: Exposição Presépios Alados
de João P.V.Costa
Local : Centro Cultural de V.N. Foz Côa

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quadros da transmontaneidade (27)


MONTES

A paisagem vista cá do alto abre-se em todas as direcções. A dobras largas dos montes vão descendo lentamente a deixar adivinhar a ribeira dos moinhos lá no chafurco, depois começam novamente a subir, solenemente, como se se elevassem aos céus, e acabam por terminar lá no alto, na serra do Reboredo, que se prolonga em forma de cortina, já meia desvanecida pela distância e pela luz que, apesar de tudo, ainda não se abriu na sua plenitude. Os fraguedos nas cristas dos montes iluminados ainda pela luz flava da manhã, fazem-me lembrar necrópoles romanas, castros lusitanos, que ali foram misteriosamente erguidos, não sei porquê, ou talvez saiba, talvez a vetustez lhe dê esse dom que me impressiona.

ANTÓNIO SÁ GUÉ

BOM ANO!

Presépio da igreja matriz de Torre de Moncorvo

A tradição ainda é o que era. Eram célebres, noutros tempos, os presépios que fazia o Sr. Júlio Dias, que acumulava as funções de sacristão e de guarda da igreja por conta da Direcção Geral dos Monumentos Nacionais. Não sabemos desde quando se fazem os presépios na nossa igreja, pela época natalícia, mas é de supor que desde os tempos do Barroco, período áureo dos presépios (há referências documentais do séc. XVIII à "junça", talvez juncos, que se transportava para a igreja, para o presépio). Em tempos mais recentes a montagem do presépio tem estado a cargo das zeladoras da igreja, que no presente ano contaram com a ajuda do agrupamento de Escuteiros (em fase de reorganização).
Aqui fica o nosso apoio e estímulo para que se mantenha esta representação do Nascimento de Cristo, como mais um atractivo de visita à igreja matriz de Torre de Moncorvo.
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por: N.Campos

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Companheiras de Natal

Bôlas. Rabanadas.

N.B. Só provei uma de cada. O restante fica para os visitantes.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Quadros da Emigração - Natal

Quintas do Corisco: O Freixo que durante gerações tem sido esgalhado fundamentalmente para apascentar o rebanho e que, assim o ano o permita, bebe as águas férreas do ribeiro que lhe molha as raízes.


A ancestralidade grandíloqua do Freixo altaneiro que me saúda pela manhã no ecrã do computador apaziguou-me neste Natal a ansiedade que se gera em mim quando não o visito nesta quadra. Apesar de saber de antemão que me esquivarei ao torrão nativo, afinal a minha casa, o meu lar e a minha família também são doutros lugares, não tenho conseguido em anos consecutivos dissipar a apreensão e a vontade de partir. Acabo sempre por fazer a viagem na hora de preparar o Natal. Este ano comecei pela Árvore Ambrosíaca. Às vezes é assim: não me chega ir a Londres buscar o bacalhau, o polvo congelado e as tronchudas. O que desta vez ainda nem fiz!


ÁRVORE de NATAL

Espreito o Freixo
da janela da tecnologia
e do progresso
e apetece-me ataviá-lo
com os enfeites
do Natal:
clicaria sobre a Estrela mais brilhante
que o alumiasse
até à raiz da penumbra,
a Geada que lhe pintasse de branco
o verde-escuro das folhas,
e os sulcos profundos
do velho tronco rugoso
donde jorraria a Ambrosia
para a Consoada da Humanidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Poema de Natal, por Pedro Castelhano

Quando o Natal chegar...

Quando o Natal chegar
liberta o pirilampo e liberta a Luz
arruma a ternura e arruma a casa.
E areja o sótão da tua infância.
Quando o Natal chegar
dá música aos surdos
e palavra aos mudos
afaga laranjas nas mãos frias
e figos secos ao luar
e amêndoas de Agosto a quem chegar
e limões, e ácidos limões, em teu lugar.

Quando o Natal chegar
à beira do rio olha a outra margem
cheia de sombras, pedras e perdas
e abre os braços, colunas e pontes
e começa a tocar a alma qual piano
na translúcida mágoa de nada tocar.

Quando o Natal chegar
Jesus já passou sem passar
na barca do tempo, entre margens
sem rio, mas à beira de naufragar.
Quando o Natal chegar
não leves granadas para casa
nem bombas para qualquer lugar.
Caça pombas ao anoitecer, morcegos
da tristeza e olhares cegos de vazios.

Quando o Natal chegar
olha os filhos como se só
então nascessem
e os dias fossem cristais
partindo grãos de romã,
tão sensíveis ao ouvido
mas sem pena nem sentido.

Quando o Natal chegar
adormece à beira dos violinos
com a loucura dos deuses
e a tristeza do Mozart.
Que os deuses devem estar loucos
porque a lareira está-se a apagar.

Quando o Natal chegar
cuida das prendas e ofertas
aos que nunca mais vão chegar.
Entre pedras e perdas
guarda o amor de guardar
que a face da mãe ondeia
e o pai adormece a lacrimejar.

Quando o Natal chegar
a nordeste de tudo, mais vale
encher o saco de Nada
e percorrer a noite, até ao abrigo
dos campos da quimera calcinada.
Com o saco cheio de Nada
visita Iraque e o Afeganistão.
Toca às portas da Palestina
e canta dor às portas da prisão.

Quando o Natal chegar
enche o saco de Nada.
Pode ser que por tanto Nada
algo te queiram dar:
um filho, um sorriso, talvez luar.

Quando o Natal chegar
talvez amor e amar.
Dádiva por dádiva,
aceita, é de aceitar.

por: Pedro Castelhano

- Felicidades
e
um Natal partilhado !

Foto: N.Campos

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Da oliveira ao lagar - é tempo de azeitona nas nossas terras

"SE não existisse a oliveira, eu seria a primeira das árvores, diz o freixo..." - provérbio berbere (citado por MONTEIRO, António Manuel, "Olivicultura trasmontana - recursos genéticos e biodiversidade", in Ouro Virgem, nº. 8-9, janº./julho 2009)

Natal, tempo de Paz. Eis a árvore da Paz.
Robusta, de carcomido tronco sobre um muro ancestral, à beira de um caminho, lá para as bandas da Açoreira, ela viu decerto passar aí muitas gerações... Muitas gerações se alumiaram com o combustível de seu fruto, muitas gerações ela alimentou, parcos manjares de pão e azeitonas, ou em dias de festa, algo melhor estrugido no produto natural, antes dos óleos de sabe-se lá do quê...

"Verde foi meu nascimento / de luto me vesti / para dar a luz ao mundo / mil tormentos padeci" - era uma adivinha que as avós propunham aos netos, em noites de serão à lareira, alumiadas à luz da candeia (outrora de azeite, mas que depois passou a ser a "pitróil", antes da electricidade). Como se foi transformando essa "luz" do mundo... Por isso as crianças de hoje não acertariam. Como não acertariam por não saberem os tormentos por que passa a azeitona, esmagada pelas pesadas pedras tronco-cónicas do lagar, inicialmente puxados por animais ou pela força hidráulica, e, finalmente, pela energia a Diesel... Mesmo hoje, nos lagares biológicos, o tormento lá está, até chegar ao prato a regar o bacalhau e as batatas em noite de Consoada...

A Tradição ainda será o que era? - que diga o Camané, feito varejador (e garanto que não está a representar). Que "Almas de Ferro" podem ser almas de outras artes: porque não uma peça sobre as artes e ofícios da nossa terra (apanha da amêndoa, a cobrideira, o ferreiro, etc.).
Os toldos de fibra de nylon vieram facilitar imenso esta actividade dura e fatigante, em que as pobres mulheres da safra da azeitona passavam os dias à jeira, como galinhas, a apanhar, bago a bago, a azeitona que era tombada com as varas (normalmente trabalho masculino), em dias escuros e gélidos, com as mãos roxas e engaranhadas... Se se estivesse um pouquinho mais de tempo na fogueira, vinha logo o patrão, ou caseiro, ou o chefe de família a ralhar. Enfim, tempos...

Finalmente as camionetas, carrinhas e tractores com seus atrelados carregados de sacos da preciosa azeitona, chegam ao Lagar. Este ano foi primeiro o frio, depois a chuva, agora de novo o frio. A "safra" deste ano está a chegar ao fim, mas o lagar continua a laborar noite e dia, por turnos. Outrora, sobretudo em terras mais frias, não se apanhava muita azeitona antes do dia de Santa Luzia (13 de Dezembro), e dizia-se que quem a colhesse antes, deixava azeite no olival. Agora não há gente para a função, e quanto mais tarde se começar, mais azeite se deixa, a posteriori... Não há gente. As jeiras estão caras. Só compensa se forem os próprios a apanhá-la, dizem. Agora apareceram os búlgaros, ao que parece vindos de Espanha, dos campos da Andaluzia, que para lá a crise está pior. Estes nómadas do trabalho são o novo proletariado agrícola do século XXI... Pagam-lhes ao Kg, pois se fosse à jeira por dia não faziam nada - são as vozes que se ouvem...

E para quem queira saber mais sobre a Oliveira, a Azeitona e o Azeite, tem que ler os números da "Ouro Virgem", revista do Museu da Oliveira e do Azeite de Mirandela (em cima, a capa do último número). Mirandela e a chamada Terra Quente trasmontana ("quente" só no Verão, entenda-se) integram uma rota chamada "Terra Olea", que se aglomera outras regiões oleícolas da Europa Mediterrânica e Norte de Àfrica. Com prestigiados colaboradores, como o grão-mestre da Confraria dos Gastrónomos e Enófilos de Trás-os-Montes e Alto Douro, Engº. António Manuel Monteiro, o botânico e prof. da UTAD José Alves Ribeiro, tem como director e editor o Dr. Roger Teixeira Lopes.
Neste número, como nos outros, encontram-se importantes artigos, através dos quais poderá conhecer as variedades de oliveiras (cobrançosa, verdeal trasmontana, cordovil, negrinha de Feixo, etc.) e respectivas percentagens na região trasmontana e alto-duriense. Por aqui sabe-se que a grande mancha de olival (para azeite e para azeitona de conserva) de Trás-os-Montes e Alto Douro (de um total de 11,5 milhões de oliveiras, seg. números de 2004/05), se encontra na sub-região do chamado Douro Superior, com forte contributo do concelho de Torre de Moncorvo. Aqui temos, pelo menos, dois lagares: o da Cooperativa dos Olivicultores, que remonta aos anos 60 do século XX, e o da empresa "Azeitedouro", mais recente, localizado na zona industrial de Torre de Moncorvo (Larinho).
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Txt. e fotos de N.Campos (excepto a 3ª. foto, enviada pelo nosso amigo Camané Ricardo, a quem agradecemos)

Maçonaria e República em Trás-os-Montes e Alto Douro, por Rogério Rodrigues - VI

(Continuação do post anterior)

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Distrito de Vila Real:

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Antão Fernandes de Carvalho

Nasceu na Régua, 1871; morreu em 1948.

Iniciou-se em 1907 no triângulo 91 da Régua. Em 1911 filiou-se na loja Montanha, do Porto.

Esteve sempre ligado ao Partido Democrático.

Foi secretário de Estado do Comércio, subsecretário de Estado da Presidência, ministro da Agricultura no Governo de Manuel Maria Coelho e Maia Pinto, o governo que sucedeu à "Noite Sangrenta".

Presidente da Comissão da Viticultura da Região do Douro, durante 10 anos, demitindo-se em 1926.

Torcato Magalhães, outro dos paladinos do Douro, chamou-lhe o João das Regras do Douro.

Importante na história do Douro. Em 1915 grassava a fome, o tratado de comércio com a Inglaterra era prejudicial aos interesses dos produtores do vinho do Porto, o que provocou no meio, uma guerra sem quartel.

A Casa do Douro e toda esta região devem muito ao maçon Antão de Carvalho.

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Adelino Gonçalves da Silva Samardã

N. em Vila Real, 1863; morreu em 1929.

Foi organizador da Carbonária na região transmontana, com António Granjo. Tornando-se Vila Real um dos núcleos mais importantes da Carbonária em todo o norte do País.

Foi governador civil.

Tolerante para com os monárquicos como Teixeira de Sousa, o último presidente do Conselho da Monarquia, natural de Sabrosa e José Maria Alpoim ao que alguns sustentam um dos fornecedores de dinheiro e armas para o regicídio.

Arqueólogo, jornalista e político, implantada a República constitui com António Granjo, Antão de Carvalho e Carlos Ritcher a primeira Comissão Republicana Distrital.

Nota bibliográfica: alguns elementos sobre A. Samardã forma recolhidos em Vila Real –Roteiros Republicanos (ed.Quidnovi), de autoria de Joaquim Ribeiro Aires.

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António Granjo

N. em Chaves, em 1881; morreu em 1921. Filho de um curtidor de peles de Carção.

Advogado, jornalista, político, combateu em França como alferes miliciano.

Organizador do movimento anti-monárquico de 1911. Foi ministro da Justiça, do Interior e da Agricultura, do Comércio e duas vezes Presidente do Conselho foi assassinado na "Noite Sangrenta" por Abel Olímpio, natural dos Estevais, concelho de Moncorvo.

Foi iniciado em 1911 no triângulo de Santa Marta de Penaguião, com o n.s. Buffon. Mudou-se depois para a loja Cavalheiros da Paz e Concórdia de Lisboa e manteve ligações à Maçonaria até ao fim da sua vida. Foi director do "República".

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Alfredo de Araújo Mourão

N. Vila Verde da Raia/Chaves, 1874; morreu em Lisboa, 1960

Comerciante, proprietário da pastelaria Ferrari e do café Martinho da Arcada, em Lisboa.

Foi iniciado com o n.s. de Dante.

Pertenceu à loja Pureza, em Lisboa, fazendo parte do Grémio Luso-Escocês.

Só em 1934 é que reeentrou na obediência do GOL. Durante a clandestinidade desempenhou o cargo de Grande Tesoureiro Geral.

Conheceu F. Pessoa. Encontrou-se muito material escondido no Martinho da Arcada, recuperado depois do 25 de Abril.

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Ribeiro de Carvalho

N. Chaves, 1889; morreu em1967

Coronel, Combateu contra os monárquicos ( 1912 e 1919), também em França na Iª Grande Guerra.

Foi indigitado para ministro da Guerra pelo Grupo da Seara Nova (1923/24)

Com a Ditadura partiu para o exílio em Espanha e França.

Reintegrado como coronel, em 1960.

Foi iniciado na loja Tâmega de Chaves com o n.s.Tónio.

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António José Claro

N. Chaves em 1863; morreu em 1931.

Advogado e jornalista. Tomou parte no 31 de Janeiro. Homiziado em Espanha e Brasil.

Regresso a Portugal. Após a proclamação da República, assumiu posições de direita reaccionária.

Aderiu em 1926 à Ditadura.

Foi Ministro do Interior no governo do general Gomes da Costa.

Iniciado em 1892 na loja União Latina, do Porto, com o n.s. Scondat.

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Manuel Maria Coelho

N. Chaves, 1857; morreu em 1943.

Iniciado em 1910 com o nome simbólico de Aristides e filiado na loja Irradiação, de Lisboa. Pertenceu depois à loja Magalhães Lima (1929). Desempenhou altos cargos no GOLU, tendo sido presidente do Conselho da Ordem em 1931.

Escreveu com João Chagas a História da Revolta do Porto

Presidente do Conselho do Governo após a "Noite Sangrenta".

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Rebelo Alves Correia

N. Vila Real, 1860; morreu em 1900.

Farmacêutico e jornalista. Republicano.

Iniciado em 1882 na loja Cavaleiros de Nemesis, Lisboa, com o n.s. João Huss.

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António Fernando Varão

Ainda que não tenha nascido em Vila Real (nasceu em Idanha a Nova) foi em Vila Real que faleceu, em 1956.

Oficial do Exército, foi iniciado em 1912 no triângulo 202, em Vila Real com o n.s. de Sertório.

Transitou no mesmo ano para a Loja Cruzeiro do Norte, daquela cidade.

Participou nos combates de 1912, contra as incursões de Paiva Couceiro.

Esteve em Angola nas campanhas de 1914/16.

Contra o movimento 28 de Maio

Foi preso. Mais tarde deportado para a Madeira onde voltou a aderir à revolta militar de 1931.

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Augusto César Ribeiro de Carvalho

N. Chaves, 1857; morreu em 1940.

Oficial do Exército e jornalista. Atingiu o posto de general.

Distinguiu-se na defesa de Chaves contra os monárquicos (1912). Foi presidente da Câmara de Chaves.

Iniciado em 1912 no triângulo 184 de Chaves, com o n.s. de Flávio.

Pertenceu depois à loja Tâmega, também de Chaves, de que foi co-fundador e VM.

Teve um papel importante na organização do I Congresso Transmontano em Chaves, em Setembro1920.

Deixou uma obra muito interessante: A Rebelião Monárquica em Trás-os-Montes.

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Vila Nova de Foz Côa (distrito da Guarda):

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Manuel Pereira de Mesquita

Natural de Freixo de Numão. Oficial do Exército. Conseguiu desertar na Rússia do Exército napoleónico.

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José Joaquim Ferreira de Moura

Natural de V. N. de Foz Côa. Morreu em 1829.

Magistrado. Traduziu para português o Código Civil de Napoleão.

Pertenceu à Loja Primeiro de Outubro de Lisboa, de que foi VM.

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Francisco António de Campos

Nasceu em Vila Nova de Foz Côa em 1780; morreu em 1873

Bacharel. Grande proprietário.

Sócio da Academia Real de Ciências.

Diversos trabalhos sobre filologia e história da língua portuguesa.

Liberal, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1837), ministro da Fazenda (1835/36), sendo-lhe concedido o título de barão em 1837.

Iniciado com o n.s. de Séneca.

Atingiu o grau 33 e foi GM do GO da Maçonaria do Sul de 1840 a 1849.

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Orlando Alberto Marçal

Natural de V. N. de Foz Côa. Morreu em 1947. Fundou e dirigiu o jornal de Foz Côa. Foi iniciado em 1911. Foi deputado.

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FIM.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Maçonaria e República em Trás-os-Montes e Alto Douro, por Rogério Rodrigues - V

(Continuação do post anterior):

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Distrito de Bragança:

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Inocêncio António de Miranda

Nasceu em Paço de Outeiro; morreu em Grijó de Valbenfeito, em 1836.

Bacharel pela Universidade de Salamanca

Foi preceptor do Marquês da Fronteira. Abade de Medrões.

Iniciado em data desconhecida. Obra Política: O Cidadão Lusitano (1822), manual de defesa do liberalismo. Conheceu três edições e foi colocado no Índex.

Sofreu perseguições miguelistas.

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Manuel Gonçalves de Miranda

Nasceu em Paradinha do Outeiro, Bragança; morreu em 1841.

Foi sócio da Academia das Ciências

Pertenceu à loja 24 de Julho de Lisboa

Foi eleito GM do GOL, de 1838 até 1841, ano em que morreu.

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Jaime Alberto de Castro Morais

Nasceu em Macedo; morreu em 1973.

Altos cargos na República.

Na revolta do 27 de Fevereiro. Fugiu.

Regressou clandestino a Portugal em 1928.

Foi preso e deportado para S. Tomé donde conseguiu fugir.

Viveu no estrangeiro até à morte.

Jaime Cortesão e outros constituíram em Espanha um grupo oposicionista, apodado de Os Budas [lembrar Casa de Eulália, de Cunhal, G. C. de Espanha, encontro com os maçons]

Oficial da Marinha e médico.

Iniciado em 1909 na loja Independência Nacional de Luanda.

Nome Simbólico: Saint-Just.

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Armando Humberto de Gama Ochoa

Nasceu em Bragança, morreu em Paris, em 1941.

Oficial da Marinha. Diplomata

Iniciado em 1904 na Loja Liberdade de Lisboa.

Unionista.

Apoiante do 28 de Maio, fez parte do seu triunvirato inicial ao lado de Mendes Cabeçadas (também maçon) e Gomes da Costa.

Desempenhou a seguir o cargo de ministro das Colónias (1926).

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Augusto Manuel Alves da Veiga

Nasceu em Izeda (Bragança) em 1849; morreu em Paris 1924.

Professor. Jornalista. Diplomata.

Um dos fundadores do Centro Republicano do Porto.

31 de Janeiro à revelia do PRP e da Maçonaria ( chegou a ser suspenso)

Exílio. República. Embaixador com Magalhães Lima e José Relvas para a neutralidade dos governos da Inglaterra e de França, perante a queda da Monarquia. Preciosa a compreensão dos maçons de ambos os Governos. Ministro de Portugal em Bruxelas.

Candidato a PR, 911 e 1915.

MNE em 1915.

Iniciado em 1884 na loja do Porto, Primavera.

Nome Simbólico: Descartes.

Pertenceu também à loja Independência de que foi VM (Venerável Mestre).

Atingiu o grau 33.

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José António Rodrigues de Paula

Segundo informação recolhida no Roteiro Republicano de Bragança de João Jacob e Vítor Alves, José António Rodrigues de Paula fundou o triângulo nº 153 com António Augusto Pires, professor de Liceu e um funcionário dos telégrafos, em 31 de Dezembro de 1910. [Ver decreto 73]

Referir: INCURSÕES MONÁRQUICAS, prisão do coronel Adriano Beça na Estrada de Vimioso numa propriedade de Zoio (J. Zoio - empresários de armas; cavaleiro da maioria silenciosa; assalto à Casa do Sino)

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José Alves Feijó

Nasceu em Freixo de Espada à Cinta em 1816; morreu em 1874.

Sacerdote e bacharel em Direito.

Bispo eleito de Macau, Cabo Verde, Angra e bispo de Bragança.

Entrou na vida política como deputado (1860/4) e par do Reino desde 1871.

Iniciado em 1862 na loja Civilização de Lisboa (Confederação Maçónica Portuguesa) com nome simbólico: Orígenes. Passou depois em 1863 para a loja Justiça também de Lisboa.

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António dos Santos Pereira de Sequeira Ferraz

Nasceu em Carrazeda de Ansiães, 1860; morreu em 1898.

Professor. Iniciado em 1889 na loja Independência Lusitana, do Porto, com o n.s.: Littré. Transitou para a loja Ave Labor, também do Porto, e que foi um dos seus fundadores (1895) e V.M.

Atingiu o grau 33.

Publicou a “Apologia Sincera da Maçonaria” (Porto, 1896)

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Manuel Emídio Garcia

Nasceu em Bragança, 1838; morreu em Lisboa, 1904.

Formado em Direito. Adepto do positivismo. O seu n.s. era Augusto Comte.

Republicano, foi um dos fundadores da Associação Liberal. Iniciado em data e loja desconhecidas. Veio a regularizar-se em 1897 na loja Comércio e Indústria de Lisboa.

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Raul Rego

Nasceu em Macedo de Cavaleiros (Morais), em 1913; morreu em 2002.

Iniciado na Maçonaria em 1971 com o n.s. Erasmo.

Grão Mestre entre 1988 e 1990

Soberano Comendador do Conselho do Grau 33.

(Desenvolver, a sua obra como jornalista e historiador. Fundador do PS, ministro do 1º Governo Provisório com o maçon Adelino Palma Carlos, etc, etc.).

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CONTINUA

domingo, 12 de dezembro de 2010

Maçonaria e República em Trás-os-Montes e Alto Douro, por Rogério Rodrigues - IV

(Continuação do post anterior)
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MONCORVO
Falemos então de moncorvenses que foram maçons.

- Foto publicada in: Fernandes, Adília, De Asylo a Fundação. 100 anos de um agir em Torre de Moncorvo (1808-2008). Ed. Palimage, 2008.

1-Francisco António Meireles.

Loja "Flecha dos Mortos" de Aveiro. Diga-se que o nome desta loja se deve como homenagem a José Estêvão que neste local resistiu às investidas miguelistas no cerco do Porto.

Comerciante.

Iniciado em 1904

Com o nome simbólico de Luz Soriano, casapiano que esteve nos bravos de Mindelo e escreveu a História da Guerra Civil em 17 volumes.

Foi o fundador da loja. Atingiu o grau cinco.

Em 1909 estava ligado à loja José Estêvão de Aveiro.

Pertenceu ao Rito Francês.

Francisco Meireles foi o filantropo do Asilo com o seu nome, para crianças desvalidas e velhos sem família, hoje transformado em Fundação Francisco Meireles.

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2-Abel Adriano de Almeida Gomes

Iniciado na Loja Zambézia em Chinde (Quelimane) Moçambique.

Profissão: administrador dos prazos de Luabo e Matilde

Iniciado em 1906

N.S. Guerra Junqueiro

REAA(Rito Escocês Antigo e Aceite).

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3- José Cândido Dias

Loja a Luz do Norte do Porto

Profissão: Negociante.

Iniciado em 1907

N.S. Lamartine, o escritor ultra-romântico do Jocelyn e A queda de Um Anjo não com a nossa de Camilo, ainda e absurdamente tão actual).

Atingiu o grau seis. REAA

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4-Joaquim Firmino Miguel

Loja Marquês de Pombal de Lisboa

Oficial da Marinha Mercante.

N.S. Mouzinho de Albuquerque, o militar das campanhas de África que prendeu o Gungunhana e que, perante o tratamento menor que o rei e a monarquia lhe deram, se suicidou.

Iniciado em 1905. Atingiu o grau cinco do REAA

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5- Luís Henrique de Almeida

Loja Igualdade do Porto

Professor.

N.S. Robespierre, o revolucionário da época do Terror, guilhotinado em 1794 com, entre outros, Saint-Just

Mais tarde pertenceu à loja Fernandes Tomás da Figueira da Foz. REAA. Iniciado em 1894.

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6- Tomás Inácio da Costa Monteiro

Loja Independência do Porto

Ourives.

Iniciado em 1891

N.S. Costa Cabral. Estadista obrigado a exilar-se na sequência da Maria da Fonte. A partir de 1841, GM da Maçonaria.

REAA

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7- António Manuel Castanheira

Loja Independência Lusitana do Porto

Industrial. Iniciado em 1892

Morava na Rua da Torrinha

N.D. Rouget. Roget de Lisle, oficial do Exército, autor da letra do Chant de Guerre pour l’armée du Rhin, que se tornou o hino nacional francês, a Marselhesa.

Atingiu o grau 31 e foi instalador da loja Igualdade do Porto e pertenceu à loja União também do Porto.

REAA

Em 17 de Dezembro de 1910 é criado pelo decreto nº. 73 o triângulo de Moncorvo. São seus fundadores:

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José António dos Reis Júnior

27 anos. Advogado.

Iniciado em 20 de Janeiro de 1911

N.S. Gorki

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Guilhermino Augusto Vaz

30 anos. Farmacêutico. N.S. Galeno, médico e filósofo romano, de origem grega do séc. II.

Iniciado em 5 Janeiro de1911.

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Miguel Frederico Mesquita

35 anos. Proprietário. Fundador do triângulo.

5 de Janeiro de1911.

N. S. Ferrer (Francisco Ferrer, maçon, catalão, fundador da Escola Moderna, fuzilado em 1909 e que chegou a ter uma rua em Lisboa, hoje Calçada à Glória).

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António Alberto Carvalho e Castro

Empregado dos Caminhos de Ferro de Miranda do Douro (escrevente)

N.S. Buíça

5 de Janº.1911

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Flaviano Eduardo de Sousa

37 anos. Fundador

Comerciante e proprietário.

5Jan.1911.

Responsável pela construção do troço de caminho de ferro do Pocinho a Carviçais.

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O triângulo de Moncorvo foi dissolvido em 7 de Agosto de 1913, pelo decreto nº. 43.


CONTINUAÇÃO (Próximo: será sobre outras personagens de Trás-os-Montes e Alto Douro)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Maçonaria e República em Trás-os-Montes e Alto Douro, por Rogério Rodrigues - III

(Continuação do post anterior)

Iniciemos então a nossa viagem.

No desenvolvimento deste preâmbulo, mais centrado nas figuras de Trás-os-Montes e Alto Douro vão ouvir falar em “Oriente”, “nome simbólico”, “lojas”, “triângulos”, “levantar colunas”, “abater colunas”.

Creio ser necessária uma explicação.

Oriente é uma obediência, a predominante em Portugal, que aceita vários ritos. Os mais praticados são o rito escocês antigo e aceite e o rito francês. É liberal e não dogmática. Tem laços de fraternidade com as lojas femininas e o Direito Humano, de maçonaria mista. Quanto à Grande Loja dita Regular que só existe a partir do início da década de 90 numa cisão provocada no GOL pelo médico Fernando Teixeira, é uma obediência anglo-saxónica, dogmática, que aceita apenas um rito (melhor dito, não aceita o Rito Francês, ainda que aceite o Rito de York), uma religião revelada e a imortalidade da alma.

Quanto ao nome simbólico ele existe no Grande Oriente, devido às perseguições a que a Maçonaria foi sujeita e também à necessidade de preservar alguns dos seus membros de serem prejudicados nas suas carreiras só por pertencerem à Maçonaria, nomeadamente no sector militar e na magistratura. Quanto à existência de uma loja, a sua constituição exige pelo menos sete mestres, bastando três para a criação de um triângulo. Abater colunas é terminar com uma loja ou um triângulo. Levantar colunas é criar uma loja ou um triângulo.

Posto isto, falemos da actividade da Maçonaria em Trás-os-Montes. Comecemos por Lamego.

João Franco enviou um telegrama cifrado a todos os administradores dos concelhos a perguntar “quais eram os empregados públicos que pertenciam às associações secretas e que faziam propaganda contra a ditadura actual”.

Esta informação chega ao GOLU, proveniente de Lamego em 1907.

A Maçonaria do Norte ou Oriente Passos Manuel, é uma cisão, entre outras da Maçonaria portuguesa, de 1832 a 1850.

Por curiosidade, refira-se que Passos Manuel iniciou Camilo Castelo Branco. Esta iniciação vem no livro de Camilo, Maria da Fonte, um texto em que tenta anular as acusações e diatribes anti-maçónicas do padre Casimiro.

A Maçonaria do Norte era uma tendência mais à esquerda dos maçons liberais, opondo-se ao GOL, subordinado ao cartismo e à Maçonaria do Sul ligada a Saldanha e Vila Nova de Foz Côa. O barão.

Tinha um carácter regionalista e a grande maioria das lojas era a Norte do Douro. Em Vila Real, a loja Constância Transmontana e em Bragança a Onze de Agosto.

A Onze de Agosto foi fundada em Bragança, entre 1834 e 1840. Já não existia em 1849. Só em 1910 é que veio a ser instalado um triângulo nº 153 do REAA que durou até 1914. Segue-se o triângulo 356 do RF, activo de 1923 até à clandestinidade.

Em Mirandela em 1911 foi criado o triângulo 154 do REAA. Durou até 1916.

Não deixa de ser curioso que em curto espaço de tempo foram criados três triângulos, em Bragança primeiro, em Mirandela depois e finalmente em Moncorvo. Deste falaremos a seguir. Todos estes triângulos foram criados pelo decreto nº 73 traçado pelo GM Sebastião Magalhães Lima.

Em Miranda do Douro foi criado em 1930 o triângulo 284 do RF. Desapareceu durante a clandestinidade.

Em Vila Real depois da loja Constância Transmontana abater colunas, foi criado em 1912 um triângulo que deu lugar à loja Cruzeiro do Sul activa até à clandestinidade.

Na Régua existiram dois triângulos: o 91 do REAA, instalado em 1907 e desaparecido em 1913 e o 319, do RF, instalado em 1931, desaparecido durante a clandestinidade.

Em Lamego em 1904 o triângulo 51, do REAA, filial da loja Luz da Beira, em Ferreirim. Este tri. deu lugar em 1905 à loja Esperança, 248, que abateu colunas logo no ano seguinte.

Por sua vez a loja Luz da Beira transferiu a sua sede para Lamego, mantendo-se até ao período da clandestinidade.

Em Vila Nova de Foz Côa foi fundado o triângulo 366, em 1935, nas vésperas da clandestinidade, pelo que logo se extinguiu. Sorte semelhante teve o tri 365 de Cedovim. Também em Freixo de Numão houve um triângulo 221, REAA, de 1914 a 1925, fundado pela loja José Estêvão de Lisboa, das mais antigas da Maçonaria portuguesa.

Em Chaves foi criado o primeiro triângulo em Portugal, em 1893, que durou até 1909. Em 1911 instalou-se um novo tri do REAA, 184, que se converteu na loja Tâmega, 356. Esta loja abateu colunas em 1914, mas reergueu-as logo a seguir, integrada na dissidência do Supremo Conselho. Já não existia em 1923.

CONTINUA

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Maçonaria e República em Trás-os-Montes e Alto Douro, por Rogério Rodrigues - II

CONTINUAÇÃO do "Post" anterior:

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Com o decreto 1901 de 21 de Maio de 1935 a Maçonaria foi proibida em Portugal. Curioso é que o decreto seja assinado por Óscar Carmona que fora iniciado no triângulo nº. 1 de Chaves como maçon, nunca tendo passado, no entanto, de aprendiz.

Fernando Pessoa, não sendo maçon, antes génio, místico, esotérico e mesmo cabalista, foi a grande defensor da Maçonaria, com vários artigos publicados no Diário de Lisboa.

Será redundante dizer que as grandes causas dos dois últimos séculos tiveram a influência fundamental da Maçonaria. A título de exemplo: na abolição da escravatura, na Declaração dos Direitos Humanos, na Constituição dos Estados Unidos, cuja esmagadora maioria dos presidentes têm sido maçons, na unificação da Itália com o maçon Garibaldi e o fundador da Carbonária, Mazzini, na libertação dos povos da América Latina, sob a liderança do maçon Simon Bolivar, na independência de Cuba pelo maçon José Marti, nos acordos de Camp David ( 1979, o primeiro acordo israelo-árabe) porque tanto os ministros israelita como o egípcio e o presidente dos Estados Unidos, Menchem Begin, Anwar Sadate e Jimmy Carter eram maçons. Como maçon era Salvador Allende assassinado pelo ditador Augusto Pinochet. Como maçon era Benjamim Constant um dos homens que implantou a República do Brasil e cujo pai era natural de Moncorvo, Leopoldo Henriques Botelho de Magalhães.

Poderemos falar das grandes figuras universais e nacionais que pertenceram â Maçonaria. Voltaire, quis ser iniciado aos 90 anos, tendo como padrinho o embaixador norte-americano em Paris, Benjamim Franklin, Ian Fleming, o inventor da penicilina, Churchill, Kipling, prémio Nobel de Literatura que escreveu um belíssimo poema sobre a sua loja em Lahore, na Índia, Mozart que criou expressamente uma ópera com toda a simbologia maçónica, A Flauta Mágica, Charlie Chaplin, o Amstrong do jazz e o outro Amstrong, o primeiro homem a pisar a Lua.

Entre os portugueses, a plêiade intelectual pertenceu à maçonaria. Na religião temos o bispo de Betsaida, o bispo de Elvas, o cardeal patriarca de Lisboa (Manuel Bento Rodrigues da Silva), o bispo de Angra e de Bragança, natural de Freixo de Espada à Cinta, etc..

Nos militares temos Carvalho Araújo, Sarmento Beires, Gago Coutinho, Óscar Monteiro Torres, Humberto Delgado, almirante Sarmento Rodrigues (proposto para candidato à Presidência da República em 1958 e vetado pela PIDE por ser maçon), além dos grandes republicanos Machado dos Santos, Cândido dos Reis, Carlos da Maia, Ladislau Parreira.

Na cultura temos, entre muitos outros, João de Barros, Bocage, Camilo Castelo Branco, Feliciano de Castilho, Trindade Coelho, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Filinto Elísio, Gomes Ferreira, Branquinho da Fonseca, Garrett, Alexandre Herculano, Vitorino Nemésio, Rodrigues Lapa, Teixeira de Pascoaes, Camilo Pessanha, Antero de Quental, Inocêncio da Silva.

Nas artes e na música podemos encontrar Domingos Bontempo, Alfredo Keil que musicou o hino nacional, Carlos Mardel, o arquitecto húngaro responsável pela reconstrução do Baixa Lisboeta e do Terreiro do Paço, após o terramoto de 1755, Rafael Bordalo Pinheiro, Abel Salazar, Domingos Sequeira.

No teatro Estêvão Amarante, António Pedro, Varela Silva, Armando Cortês, Raul Solnado.

No campo empresarial o Ricardo Covões, do Coliseu dos Recreios, Grandella dos armazéns, Amadeu Gaudêncio, responsável pelas obras de reconstrução do Palácio Maçónico depois do 25 de Abril.

O Palácio Maçónico sediado no Bairro Alto, que algumas turmas de História da Escola Secundária dr. Ramiro Salgado (de Moncorvo) já visitaram, tinha sido ocupado pela Legião. Em 1974, houve uma deliberação para o edifício ser entregue ao então PPD. O comandante Simões Coimbra fora amigo do pai do almirante Pinheiro de Azevedo, então na Junta de Salvação Nacional. Apresentou as razões porque o Palácio devia regressar à Maçonaria. Fora comprado ao pai de José Relvas, o homem da Casa dos Patudos em Alpiarça, fotógrafo e artista e grande republicano e maçon, Casa de que foi responsável durante alguns anos um homem que tem investigado o Ferro em Moncorvo, Jorge Custódio. O Palácio foi entregue à Maçonaria que teve direito a uma indemnização de 2500 contos, em despacho assinado por Mário Soares, Henrique de Barros, maçon, cunhado de Marcelo Caetano e o primeiro presidente da Assembleia de República e, finalmente, imagine-se, pelo ministro das Finanças do Governo de então, Medina Carreira. Refira-se, que os três primeiros presidentes da Assembleia da República foram maçons: Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes e Teófilo Carvalho dos Santos.

CONTINUA