sábado, 30 de abril de 2011

Saraivada de estevas




Trás-os-Montes,

aqui, o céu juntou-se à terra!
e, em saraivada de estrelas,
a manhã abriu-se em vasta
e perfumada toalha de estevas
de flores, de branco, bordadas em ponto matiz,
em fio doirado, amarelo, de cheias delícias,
suaves ternuras, subtis! vidas de amor,
em vermelho ponteadas de dor!
Em todo o seu esplendor!

A terra floresce em estevas primaveris!


Texto enviado por Arinda Andrés

Foto: João Costa

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Passeio da Pascoela foi adiado!

INFORMAM-SE TODOS OS INTERESSADOS, QUE A ORGANIZAÇÃO DECIDIU HOJE DE MANHÃ, ADIAR ESTE PASSEIO, FACE À AMEAÇA DE CONTINUAÇÃO DO MAU TEMPO, FICANDO A SUA REALIZAÇÃO PREVISTA, EM PRINCÍPIO, PARA O PRÓXIMO SÁBADO.
CONTANDO COM A COMPREENSÃO DE TODOS, A ORGANIZAÇÃO ESPERA QUE NÃO DESMOBILIZEM E COMPAREÇAM NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 8 DE MAIO!
A Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, com a colaboração do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo e, por inerência, do município de Torre de Moncorvo e associação do PARM, promovem mais uma edição do passeio da Pascoela, com intuito de recuperar uma velha tradição que consistia no convívio das famílias que na segunda-feira da Pascoela iam desfazer o folar à vetusta capela de N. Sª. da Esperança (ou à Senhora da Teixeira). Com a alteração dos hábitos de trabalho, sendo impossível a participação de muitas pessoas que trabalham de segunda a sexta, a tradição caíu em desuso, mas desde há 3 anos a esta parte, tem-se procurado recriar este costume, embora colocando-o no fim-de-semana que precede a "Segunda da Pascoela".

Do programa consta a habitual caminhada pedestre pelo caminho antigo - com "juntadouro" defronte do cine-teatro, na avenida Engº Duarte Pacheco, nesta vila, às 14;30h [DO DIA 8 DE MAIO]

Uma vez chegados, os participantes poderão visitar a capela, que se encontrará aberta a todos, e depois praticar alguns jogos populares no adro, antes da merenda que inclui, obviamente, o tradicional folar.

A participação é livre e gratuita, bastando comparecer, à hora marcada, no local indicado (defronte do Cine-teatro ou da Junta de Freguesia de Moncorvo).

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Abril

Abril é o mais cruel dos meses, gerando
Lilases na terra morta, misturando
A memória e o desejo, atiçando
Raízes inertes com a chuva da primavera.

A Terra Sem Vida -T.S. Eliot

O nosso agradecimento ao Rogério Rodrigues
pelo envio deste excerto de T.S.Elliot (1888-1965), poeta, dramaturgo e crítico literário inglês nascido nos E.U.A., prémio Nobel de Literatura em 1948.

Fotos: João Costa

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Biblioteca municipal: lançamento do livro "ULTREIA, Caminho sem bermas", de A. Sá Gué

Capa do livro
Integrado no programa das comemorações de 25/04, foi apresentado finalmente em Torre de Moncorvo, no auditório da Biblioteca Municipal, o livro do nosso conterrâneo António Sá Gué, "Ultreia - caminho sem bermas", editado em Novembro de 2010 (como noticiámos aqui neste blogue), com a chancela da Lema d'Origem Editora Ldª. e prefácio do Dr. Alberto (Beto) Areosa, director do agrupamento de escolas de torre de Moncorvo, e cunhado do autor.

Tribuna, no momento da apresentação do livro, pelo Engº. Jorge Afecto
A abertura da sessão coube ao Presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Engº. Aires Ferreira, contando com a presença da Chefe de Divisão de Cultura e Turismo, Drª. Helena Pontes e do Engº. Jorge Afecto, amigo do autor, que fez a apresentação do livro, tendo começado por evocar o conhecimento entre ambos, desde o tempo em que cumpriu o serviço militar. Na verdade, o escritor António Sá Gué, nome literário de António Lopes, é, como sabemos, também um ilustre militar de carreira, ao presente com a patente de tenente-coronel.

O autor, António Sá Gué, usando da palavra.
Pela excelente abordagem efectuada por Jorge Afecto, deu para se entrever o conteúdo da obra - partindo de uma viagem realmente feita pelo autor em 2008, através do Caminho de Santiago. A partir dessa entra-se numa viagem outra, de cariz simbólico, esotérico e iniciático, em que o seu alter-ego, na pessoa de um Professor (antigo funcionário do "ministério do consumo", departamento da Obrigatoriedade), vai discorrendo sobre o que é e o que deveria ser uma certa "escola" que aqui se pretende que seja o Caminho e a Escola da vida. Cada etapa do caminho suscitou uma série de reflexões, pessoais, intimistas, mas na verdade dirigidas a um grupo de "alunos" ou "aprendizes". São 13 etapas, equivalentes a 13 degraus, no livro correspondentes a 13 capítulos, e, como de professor se trata, abertos com 13 "sumários", onde se explanam as respectivas lições, de uma escola que desde logo se intui que não é uma escola de crianças, na acepção normal do termo.
A mística do Caminho (de Santiago) vai-se revelando na atenção aos símbolos, monumentos, lendas e toda a magia que o envolve e, por consequência, envolve os espíritos que o percorrem, naturalmente os capazes dessa apreensão. Aí nos aparecem Rolando (o da célebre canção medieval) nos desfiladeiros de Roncesvalles, onde, moribundo depois da batalha, quebra num penedo a sua fiel espada, a Durindana... A prossegue a caminhada em demanda do mítico Graal, quiçá o ideal da perfeição a atingir por cada um...

Um aspecto da plateia, num auditório repleto.
Segundo o autor, este é um livro que se situa no plano dos princípios. Citando Kant, o objectivo último é o caminho da Liberdade. Discorreu entretanto sobre o caminho físico, o da Peregrinação jacobeia, informando que este é um caminho pré-cristão, redescoberto na Idade Média e se continua a fazer até aos nossos dias, numa busca da espiritualidade. Neste aspecto, o Caminho é uma escola de segredos da transformação da matéria, onde pontuam as igrejas românicas (e posteriores), pontes, etc., incluindo lápides com estranhos sinais que parecem pertencer a chefes de guildas de pedreiros; do mesmo modo o "professor" Daniel procura aí inspiração para a transformação das consciências, base da verdadeira revolução.
Terminou Sá Gué a sua intervenção com uma referência especial à povoação de Cebreiro, onde Wagner se terá inspirado para escrever a ópera "Parcifal". E foi ao som de Wagner que o autor leu o poema final, um hino, decerto inspirado no hino ao Sol do herético faraó Akhenaton, com que termina o livro: "Tu, que todos os dias desces em ti, / que pairas no abismo,/ que te perdes,/ mas renasces, /mostra-nos os truísmos mais banais.// Tu, que contas o tempo./ que és vida e morte,/ Princípio e Fim, / Luz e trevas, /simultaneamente/ mostra-nos o caminho.// Tu, navegante ousado, /torrente ludra,/delta pacífico,/conhecedor de todas as coisas/ agitador de consciências, /Mostra-nos a verdade.// tu que verdadeiramente nasces para todos,/ mesmo para gente que nunca existiu,/ tu, conhecedor do tamanho do mundo,/ Mostra-nos a verdadeira consciência social./ Tu, grande espírito indomável, que nos iluminas, /Tu, Delta luminoso, sobreviverás além da morte./ Nós, meros mortais, brevemente voltaremos ao pó/ E navegaremos, contigo, para sempre, neste mar da vida."

Encontro de escritores do concelho, na hora dos autógrafos: o autor e a Drª. Isabel Mateus, ambos ilustres colaboradores deste blogue
Este "Tu" a quem se dirige, é, evidentemente, o Sol, a Luz e a Vida que emanam o disco solar Aton (que Akenaton associa ao deus único, rompendo assim com o politeísmo, e inaugurando a via monoteísta, pretendem alguns que inspirado no deus dos Hebreus, então escravos do Egipto), como tal a Divindade e supremo arquitecto do universo, como se intui da alusão ao "delta luminoso". Interessante que se termine com a imagem de um barco que transporta a mensagem, no fim do Caminho/Mundo, para além do (ultreia) mar, para o caminho real inca (cápac ñan), onde, efectivamente os cultos solares tiveram também lugar, como bem o demonstra a chamada "pedra do sol", no ponto mais alto da cidade perdida de Machu Picchu (revelada em 1911, precisamente há 100 anos). Há quem pense que o segredo maior dos Templários seria o conhecimento da existência de terras além-mar, e que a procura do fim do mundo - a Finisterra galega - era a busca do caminho do Sol, ou também do caminho das estrelas, através dessa estrada sideral, a Via Láctea, a galáxia onde fica a nossa casa, a Terra - aliás, a palavra "Compostela" advém de "campus stellae" (campo de estrelas), onde o sepulcro do apóstolo (Sant'Iago, ou Iacob, ou Jacob) se terá manifestado através de luzes... Não será também por acaso que o protagonista do livro se chama Daniel, nome de Profeta, que aqui talvez nos queira deixar a profecia de um novo mundo, mais além - sendo este o significado de "Ultreia" (saudação antiga dos peregrinos de Santiago, e que bem conhecemos da música folk galega, divulgada pelo grupo musical do mesmo nome).
Que nos perdoe o autor o atrevimento por estas conjecturas e extrapolações finais, resultantes da nossa leitura pessoal. - Esperemos que cada qual faça a sua, pois o livro é como uma pedra que salta da mão do autor e vai bater não se sabe onde...
Texto: N.Campos; Fotos: João Pinto Vieira Costa

No Centro de Memória: exposição de pintura de Ana Pinho e Gomes da Rocha

Integrada nas comemorações do 25 de Abril, foi inaugurada a exposição de pintura de Ana de Pinho e Gomes da Rocha, intitulada "Ao Deus dará", a qual ficará patente até ao próximo dia 22 de Maio.



Momento da inauguração (o casal de artistas e sua filha, com o Presidente da Câmara) - foto de João Pinto V. Costa


Composta por algumas dezenas de quadros, o casal de artistas faz questão de dizer que não possuem "escola", mas estão atentos à "escala", pintando "ao deus dará", o que não é inteiramente verdade, pois nota-se uma linha de coerência estilística entre algumas obras, sobretudo as que parecem representar máscaras africanas. A esta influência não terá escapado Gomes da Rocha, dado o seu contacto com as terras africanas, uma vez que cumpriu o serviço militar na Guiné.
Ana de Pinho apresenta também domínio da técnica pictórica e mestria na composição, revelando um apurado sentido estético, fruto de um olhar treinado e longo contacto com a Arte, facto a que não será alheia a sua actividade profissional de Designer de Interiores.



Quadro de Ana de Pinho, intitulado "Cravos" (aguarela e lápis de cera sobre papel) - foto de João Pinto V. Costa


Ana de Pinho nasceu em S. João da Madeira, mas viveu toda a infância e adolescência em Paris, onde desde cedo se começou a interessar pelas artes plásticas. Artista autodidacta, dedica-se também à escrita nas horas vagas. Realizou a sua primeira exposição no Ateneu Comercial do Porto em Abril de 2010. Esta é a sua 2ª. exposição. Momento da inauguração da exposição, no Centro de Memória - foto de João Pinto V. Costa
.

Gomes da Rocha nasceu no Porto em 1950, foi jornalista e, ao presente, exerce a profissão de advogado. Dedica-se à pintura nas suas horas de lazer, tendo-se iniciado na arte por motivação da esposa. Expôs individualmente no Ateneu Comercial do Porto (Abril de 2009) e na Casa do Douro, na Régua (Maio 2009). Em Julho de 2009 integrou uma colectiva de pintura de sócios da cooperativa Árvore, do Porto. Em 2010 expôs pela 1ª. vez no Centro de Memória de Torre de Moncorvo, e, no mesmo ano, voltou a expôr no Ateneu Comercial do Porto, em parceria com Ana de Pinho. Expôs ainda em Mirandela (Setembro de 2010), encontrando-se representado em algumas colecções particulares e de instituições, como por exemplo, Cooperativa Árvore, Câmara Municipal da Régua e Câmara Municipal de Moncorvo.


Quadro de Gomes de Pinho, intitulado "Gata e gato" - foto de João Pinto V. Costa


Esta exposição pode ser visitada no horário normal de expediente da Biblioteca Municipal e Centro de Memória de Torre de Moncorvo.

sábado, 23 de abril de 2011

Páscoa moncorvense

Decorrem as celebrações da Semana Santa em Torre de Moncorvo, com a solenidade habitual. Na igreja da Misericórdia reverencia-se o andor de Cristo carregado a Cruz (foto de Rui Leonardo).


Depois do jejum, vêm as iguarias pascais típicas da nossa região: o folar e as famosas amêndoas cobertas de Moncorvo (fotos de N.Campos).

Hoje à noite realiza-se a missa da benção da água e do fogo sagrado e amanhã a procissão da Ressurreição.

A todos os nossos seguidores e Amigos, desejamos-lhes uma boa Páscoa!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Comemorações do 25 de Abril em Moncorvo

(Clicar sobre o cartaz - para AMPLIAR)

No âmbito das comemorações do 25 de Abril, destacamos estes dois eventos culturais, a saber, o lançamento de mais um livro do nosso amigo e colaborador deste blogue, António Sá Gué, intitulado "Ultreia" (em redor do Caminho de Santiago) e uma exposição de pintura de Gomes da Rocha e Ana de Pinho.

A não perder!!


Em Abril papoilas mil


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terça-feira, 19 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (42)

À volta da ceifa

Antes de partir para a as malhas, deixem-me contar-lhes uma estória, em torno das ceifas, que todos os freixenistas conhecem e que eu acho uma delícia.
Dedicado a todo(a)s o(a)s freixenistas aqui vai o “Arroz dos Mazouqueiros”.

O Zé era um raparigalho como tantos outros daquele tempo. Enfezado, ranhoso, permanente ranhoso, educado pela lei do pontapé e da bofetada. Desde bem cedo que começou a levar as vacas ao lameiro, a acarrejar água para casa, a dar corpo ao adágio de que trabalho de menino é pouco, mas quem o perde é louco.
Nesse dia, a mãe mandou-o levar a janta aos segadores que andavam na courela que traziam arrendada ao Dr. Antoninho, lá para os lados do Cabecinho, já quase a entrar no termo de Freixo.
Sem resmungar lá foi, e logo que pôde fez o caminho de regresso. O recado da mãe tinha sido bem explícito: nada de vadiar pelos montes, de fazer hortinhas nos caminhos, ou de andar à cata dos ninhos. Nada de mandriar! Mal os homens acabem de comer vem depressa porque há muito trabalho a fazer.
Era sempre assim, o trabalho nunca se acabava.
Ele assim fez.
A mãe, mal o viu entrar em casa, estafado pelo calor e pelo peso da cesta, ansiosa, provavelmente, devido a algum pecadilho a consumir-lhe a paciência logo lhe perguntou:
- Ó Zé, o arroz chegou?
- Chegou! Mas foi mesmo à justa – responde ele todo lampeiro - os segadores a pousar o garfo e o arroz a acabar.

António Sá Gué

P.S.: Boa páscoa a todos!

Passeio pelas fontes e chafarizes de Torre de Moncorvo

Como anunciámos oportunamente, realizou-se ontem um percurso pelas fontes e chafarizes da freguesia de Torre de Moncorvo, como forma de assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, este ano dedicado ao tema da "Água, Património e Cultura".
Apareceram cerca de duas dezenas de participantes, sendo de realçar que a maior parte eram jovens e crianças.
Aqui fica a reportagem:
Observando a Fonte Carvalho, uma antiga fonte de arcada, cuja obra de cantaria remonta ao início do séc. XVII. Ao lado possui uns tanques onde bebiam os animais, além de uns lavadouros, onde o povo da Corredoura vinha lavar a roupa.

Diz a tradição que uma mulher que vinha de madrugada lavar a roupa para a fonte Carvalho, quando viu, à meia-noite, a alma penada de um juiz que se acabara de suicidar na vila. Este episódio, que a fez perder os sentidos, está registado no livro "Contos ao luar de Agosto -I" de autoria da moncorvense Júlia de Barros Biló. Na foto de cima, uma jovem leu um trecho dessa história aos outros participantes - um convite à leitura deste livro, que se encontra na Biblioteca Municipal.


E o passeio prosseguiu até à fonte de Santiago, onde se falou de uma antiga igreja dedicada a este Santo, além de nos encontrarmos nos Caminhos de Santiago. Esta é outra fonte do século XVII, da época filipina, o que demonstra que no tempo dos Filipes (reis de Espanha e Portugal), se fizeram bastantes obras de hidráulica, não só em Moncorvo, como no resto destes reinos...


Outra fonte que pode remontar ao período filipino (sec. XVI-XVII) é a das Aveleiras. No entanto há registo de já aqui ter havido um chafariz no séc. XV. Os jovens apreciam um relevo com o brazão de armas do município de Torre de Moncorvo (a torre com os dois corvos).


Fonte de Santo António. Mais uma paragem para mais uma leitura de poemas dedicados a esta fonte, igualmente de autoria da Drª. Júlia Biló, neste caso do livro: "Somos poeira, somos astros". Foi lido um poema em que a autora se refere à tradição segundo a qual quem beber nesta fonte casa cá na terra!

Descida pela Rua do Cano - e explicou-se que o "cano" era uma conduta de água subterrênea que encaminhava a água desde a serra para o chafariz que estava na praça, uma obra notável dos fins do séc. XVI e que funcionou até ao final do séc. XIX, altura em que o dito chafariz foi desmontado.

Este é o novo chafariz da praça, recuperando as peças centrais que sobraram do antigo chafariz. Foi explicado aos participantes que este chafariz foi reconstruído em 1998, cerca de 100 anos depois de ter sido apeado, sendo possível saber qual era o seu aspecto através de uma fotografia antiga que tinha sido tirada antes de o desmontarem. A praça de Moncorvo ficou muito valorizada com esta belo monumento, sendo um bom exemplo de recuperação do património realizado no fim do séc. XX, depois das pedras da taça e depóstio do chafariz andarem aos tropeções durante quase um século.

Junto aos vestígios da muralha do castelo, mais um chafariz aqui implantado no final do séc. XX. Há quem diga que as pedras do tanque teriam a ver com o antigo chafariz filipino da praça, mas é duvidoso. O certo é que este resulta da junção de duas metades que estiveram encostadas à muralha do castelo, em cada lado do escadório, obras também do final do séc. XIX. Nesta foto, ao fundo, entre o 2º. e o 3º. banco, estava ainda um tanque que servia para os animais de transporte beberem.Finalmente, a fonte mais recente, construída em 1997, no antigo Rossio de Moncorvo, hoje praça General Claudino, projecto da Arquitecta Ana Rodrigues, no âmbito de uma intervenção urbanística neste espaço. Esta fonte procura recuperar a forma dos antigos tanques e, sobretudo, a sonoridade da água corrente, numa praça um bocado árida e tórrida em dias de verão. Evoca ainda o poço que se sabe ter existido nesta praça ainda no séc. XVIII e que poderia vir dos tempos da construção da igreja matriz, onde matariam a sede os pedreiros e carregadores da obra. No final foi servido um pequeno lanche nos jardins do museu.

Reportagem de N.Campos e João Pinto V. Costa

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dizzi Dulcimer - concerto na igreja matriz de Moncorvo


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Tal como anunciado, realizou-se ontem, na Igreja Matriz, pelas 16.00h, o concerto de Dulci Trio - Renaissance, integrado na Temporada de Música Antiga no Douro. Os presentes puderam apreciar uma selecção de temas musicais do período da Renascença brilhantemente interpretados por Dizzi Dulcimer, Emily Eduards e Francesca LaFae. Foi um concerto único, num cenário à altura da interpretação musical.

Dia Internacional dos Monumento e Sítios comemora-se hoje - com passeio às fontes da vila


(Clicar 2 vezes sobre o cartaz, para AMPLIAR)


Ver mais em: http://www.torredemoncorvo.pt/torre-de-moncorvo-celebra-dia-internacional-dos-monumentos-e-sitios e http://parm-moncorvo.blogspot.com/2011/04/18-de-abril-dia-internacional-de.html

PARTICIPE!!

domingo, 17 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (41)

Outras ceifas: ainda a tarde

Uma brisa, muito leve, levantou-se por momentos, e eles, os pecadores daquela Divina Comédia infernal, por momentos não se vergaram sobre a tríade de regos que, em cada seitourada desferida, parecia tornar-se ainda mais longa. Ali se mantiveram erguidos, a aliviar as culpas, a saborear aquele breve e doce encanto. Ali permaneceram com a zoeira da cigarra na nascer-
-lhe na alma, a encher-lhe os ouvidos, como se fosse praga omnipresente em todos os círculos. Por momentos aliviaram a rigidez muscular, enquanto olhavam o horizonte ondulado e escutavam a cantilena repetitiva do cuco que, a Zabelinha contava em segredo, para melhor entender o futuro e conhecer o número de anos que teria de ficar solteira.
- Ainda não é tempo de atar? – instou o Ti Marcolino, quando viu o Sol a querer afocinhar nos montes.
- Sim, sim vão sendo horas - respondeu o Adérito.
E antes de se dirigirem aos eitos, desenhados pela regularidade, quase arrepiante, das gavelas que se tinham ceifado ao longo do dia, dirigiram-se à carvalheira onde o macho continuava preso. Beberam ambos pela mesma cântara de barro, limparam os beiços com as costas das mãos, e ataram ao cinto um bom manhuço de vencelhos que debaixo da albarda da animália, escondidos dos tórridos raios solares, ainda permaneciam húmidos.
Braçada após braçada, as gavelas iam sendo abraçadas uma a uma até adquirirem tamanho de molho, e ainda com as praganas metidas no pescoço eram atados por mãos musculadas que, auxiliadas por joelhadas firmes e secas ajudavam a dar-lhe a sua forma final.
- Não vem lá água! – acautelou o Ti Marcolino quando viu surgir no horizonte uma nuvem mais negra.
Para bom entendedor meia palavra basta, todos perceberam que antes de acabar o dia era preciso juntar os molhos, construir o rilheiro porque caso surgisse algum aguaceiro inoportuno e indesejado sempe ajudaria a proteger tão preciosa colheita.


António Sá Gué

sexta-feira, 15 de abril de 2011

concerto de Dizzi Dulcimer, na igreja matriz de Moncorvo no próximo dia 17/04

(clicar sobre as imagens para AMPLIAR)
Realiza-se no próximo dia 17 de Abril (Domingo), pelas 16 horas, na igreja matriz de Torre de Moncorvo, um concerto de saltério (antigo instrumento de cordas sobre caixa de ressonância, que na Idade Média se usava frequentemente na música litúrgica), pela consagrada artista britânica Dizzi Dulcimer - sobre esta artista e a execução do instrumento, ver, por exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=TxjpYHhfRyI (clicar sobre o link)

Este concerto é promovido pela "Turel", com produção de "Demiparati", tendo como parceiras as seguintes entidades: Diocese de Bragança-Miranda, Turismo Porto e Norte de Portugal, Turismo do Douro, Missão do Douro, Ministério da Cultura, sendo co-finaciada pelo QREN e ON-2.

A não perder!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tarde Ambiental e Agrícola no Museu

Tendo em vista a sensibilização para a importância da Agricultura e preservação do meio ambiente, o Museu do Ferro promoveu, no passado sábado (9 de Abril), uma "Tarde Agrícola", envolvendo algumas jovens e duas técnicas da Fundação Francisco António Meireles. O museu tem procurado o envolvimento de diversas entidades na sua programação, desde o Agrupamento de Escolas aos Lares, procurando assim o melhor envolvimento entre a comunidade e o espaço museológico. Por outro lado, esta iniciativa integrou-se como acção de estágio de Liliana Branco, aluna do curso de Educação Ambiental, na Escola Superior de Educação de Bragança (IPB). Aqui ficam algumas imagens:
Arrancando ervas daninhas (evitando os herbicidas químicos), no canteiro das amendoeiras. Transporte das ervas para o compostor, para se fazer adubo orgânico ("composto", vulgo "estrume") Apanhando laranjas biológicas (estas não recebem tratamento químico) para sumo natural.
Esta actividade teve o apoio do Município e do PARM (parceria de gestão do Museu do Ferro), da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo e da Fundação Francisco A. Meireles.


Txt. e fotos de N.Campos

domingo, 10 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (40)

Outras ceifas: a da tarde

O Sol, serenamente, continuava na sua ascensão até ao zénite. Lá do alto, na sua supina venerabilidade, mostrava-se incapaz de revelar compaixão pelos mortais que ali continuavam a repetir gestos incessantemente: seitourar, sempre em golpes de três, envencilhar e pousar, seitourar, envencilhar... Ali continuavam agarrados a um sentimento de humildade que desafia a própria santidade, presos a uma sapiência de amor pela fecundidade da terra que dilui a fronteira da existência e não-existência humana.
Já não havia suor que arrefecesse os corpos, nem água que matasse a sede. Não fora a cântara de água que a Zulmira trouxera embraçada e assente na anca, quando veio trazer a janta, já devorada à sombra do carrasco, não tardariam a surgir miragens insanas na tremulina que surgia no horizonte. Preso pelos arejados chapéus de palhinhas de abas largas, mercados na feira dos 23 na vila, o lenço tabaqueiro avermelhava nos cachaços tisnados e, em movimentos cíclicos, mãos ásperas como o restolho, levavam-no à testa e absorvia o suor. O sal, que nem só tempera, corroía e descolorava, pela constante evaporação, os costados e os sovacos dos andrajos garridos daquelas almas pecantes que, naquele vórtice infernal, cumpriam pena.
As sombras alongavam-se.

António Sá Gue

(Continua...)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Feira Medieval foi um sucesso!

Como aqui anunciámos, teve hoje lugar a representação de uma feira medieval em Torre de Moncorvo. Já há anos se tinham ensaiado experiências similares, mas sem a dimensão da que hoje teve lugar, com o agrupamento vertical de Escolas em peso, alunos, funcionários e professores, e amplo envolvimento da sociedade civil, associação de comerciantes, GNR, autarquia local e uma empresa de animação de eventos (Cryseia, de Lamego). Tendo coincidido com o último dia de aulas e com um dia de feira a adesão do público local foi excelente, e as ruas da vila encheram-se de um colorido de outros tempos... Não esquecendo que a feira é um acontecimento económico e social que aqui se continua a realizar há mais de 700 anos, tendo sido criada por D. Dinis, entre 1285 e 1287 (não se conhece a data exacta da primeira carta de feira). O mesmo rei, por carta de 2.11.1319, para lhe reforçar a importância, criou uma feira anual com um mês de duração. Por sua vez, D. João I viria a criar uma feira franca, já no séc. XIV. Evocando esses bons tempos medievais, aqui tivemos hoje um cortejo em que pontuaram o rei e a rainha (supostamente D. Dinis e a rainha Santa Isabel), com as restantes classes sociais da época (clero, com bispo e tudo, nobreza e povo). . Aqui fica a reportagem: As ruínas do Castelo há muitos séculos que não viam um espectáculo assim - foi como se tivessemos entrado na máquina do tempo.... Pendões desfraldados ao vento, o colorido dos trajes dos tempos medievos alegraram as vetustas pedras... O Bispo, o Rei, a Rainha, nobres ou pagens, guarda real e etc., na complexidade do xadrez do reino, aqui representados... Na eterna praça, o comum dos mortais: o povo de todas as idades assiste e aplaude. Deu-se o milagre das rosas: viva a rainha!.... viva o rei!... E o cortejo espraiou-se depois pelo burgo, através da eterna rua das Flores, a viela que liga as duas praças (a do poder civil e a da Igreja)...
Grande concentração no adro da "Catedral" - a soldadesca prepara-se para a peleja, num torneio amigável para moncorvense ver....

E aos depois uma voltinha pela feira, onde, além das barraquinhas das vendas, até se poderia apreciar a cria...
Na taberna, duas belas estalajadeiras...

...e um frade já bem fornecido...


... enquanto um pobre leproso mendigava!

Por todo o santo dia durou o evento e ao cair da tarde, em frente do paço (do concelho), a festa iria continuar....


...com uma Ceia medieval (ou quase, não fossem alguns anacronismos)...
Os ritmos medievos vieram das terras de Miranda, com as sonoridades de gaita de foles, bombo e caixa de guerra. Do lado esquerdo, a mesa real presidindo à Ceia... Salientamos a preocupação da Organização em envolver os alunos, professores e população em geral, num acontecimento ao mesmo tempo lúdico e pedagógico. No entanto, o mesmo poderá ser potenciado, no futuro, como cartaz turístico, a divulgar amplamente, em data convencionada. Porque não no feriado municipal, ou no dia do foral dionisino (12.04.1285) que fundou o concelho de Torre de Moncorvo? - fica a sugestão.

Txt. e fotos de N.Campos (excepto a do "leproso", cedida por Camané Ricardo)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Feira medieval, amanhã em Torre de Moncorvo

Amanhã, dia 8 de Abril, o Agrupamento Vertical de Escolas de Torre de Moncorvo, com o apoio do município, promove uma Feira Medieval, propiciando uma viagem no tempo pelas ruas do centro histórico desta muy nobre villa da Torre de MemCorvo. Aqui fica o programa:


Programa


09:30 – Saída do Cortejo Real para a Praça Francisco Meireles

10:00 – Abertura da Feira pelo Rei e anunciado pelo Arauto nas escadas do Castelo


10:05 – Espectáculo Teatral


Peça “ O Milagre das Rosas”


“Cantiga de Amor”


Torneio a Cavalo


Luta de guerreiros


10:40 / 17.30 – Feira Medieval no Largo General Claudino


Venda de bens e produtos


Animação de Rua


19.30 – Ceia Medieval

domingo, 3 de abril de 2011

Quadros da transmontaneidade (39)


Outras ceifas: a manhã

Quando o Ti Marcolino desmontou do macho, deixando-se escorregar albarda abaixo, já os jeireiros protegiam aos dedos de eventuais naifadas da seitoura com os grossos dedais de atanado e, sempre com chalaças pelo meio, decidiam quem tomaria o primeiro eito.
Ainda ele não tinha chegado com os pés ao chão e já o macho, sempre irrequieto, se desviava para derriçar um tufo de espigas que se lhe metiam olhos dentro.
- Rais te partam, demónio dos quintos dos infernos – maldisse o Ti Marcolino ao mesmo tempo que se equilibrava e lhe puxava o rabeiro com força. Prendeu-o, de rédea curta, à carvalheira que ficava à mão direita do portelo.
O Sol já lá vinha, os jeireiros, com o barulho de corte das seitouras e o roçagar das espigas metidos nos ouvidos nem escutaram a praga do Ti Marcolino. Havia que aproveitar a fresca, antes que o Sol ameaçasse queimar tudo e todos, antes que o tapado se transformasse numa das portas infernais de Dante.
O Ti Adérito prensado entre os outros, ao sentir as espigas a tocarem-lhe nas nalgas desencadeado pelos movimentos mais impetuosos do Ti Albano, que vinha no seu encalce, em boa verdade ao sentir-se acossado pelo seu persegudor desencadeou a primeira picardia:
- Estás folgado… – acusou ele – passa p’rá frente.
Riu-se. Mas nem por isso diminui a frequência dos golpes da seitoura, nem por isso deixou de envencilhar com destreza as mancheias que se iam acumulando na mão esquerda e ia colocando atrás de si. O Ti Joaquim, afamada na arte, continuava mais à frente alheio do despique dos seus seguidores.
E, pouco a pouco, seitourada após seitourada, iam-se desenhando os cortes, o restolho ia dando lugar ao ondular encantado da seara. As gavelas, montes de trigo, militarmente alinhadas iam demarcando os eitos já segados, sempre no mesmo sentido, sempre a aproveitar do declive do terreno, sempre a começar no baixos e acabar nos altos.
Quando apareceu a Isabel, a filha Ti Marcolino, com o cesto da parva à cabeça, já o Sol andava na coroa do velho carvalho.


António Sá Gue

(Continua...)