segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Conferência de Rogério Rodrigues, encheu o auditório do Museu

Momento de abertura da sessão, pela representante do Município, Drª. Helena Pontes, Chefe de Divisão de Cultura e Turismo

A conferência de Rogério Rodrigues intitulada “Subsídios para a história da Maçonaria e dos ideais republicanos em Trás-os-Montes e Alto Douro”, realizada no passado sábado, dia 13 de Novembro, encheu por completo o auditório do Museu do Ferro.

Mais de meia centena de pessoas, algumas vindas de outros concelhos nordestinos, quiseram estar presentes, algumas mais esclarecidas, outras mais curiosas por saber algo mais sobre um tema ainda rodeado de uma certa aura de hermetismo.

Rogério Rodrigues começou por dizer que não se pode compreender a implantação da República sem se conhecer a acção da Maçonaria e da Carbonária. Para os mais interessados sobre o tema indicou alguma bibliografia, em que também se baseou para elaboração desta dissertação, além de uma lista (inédita) de nomes de maçons trasmontanos iniciados em finais do século XIX e inícios do séc. XX, entre os quais alguns moncorvenses, dados que lhe foram fornecidos por um historiador seu amigo.

O conferencista Rogério Rodrigues.
Referiu Rogério Rodrigues que, desde cedo, a Maçonaria foi diabolizada pelos poderes instituídos (nos tempos da Monarquia Absoluta e do chamado “Estado Novo”), sobretudo pela Igreja. Não obstante, mesmo esta instituição religiosa teve muitos sacerdotes e até alguns dignatários de mais relevo ligados à Maçonaria, de que deu vários exemplos, como o bispo Alves Feijó (bispo de Macau, Cabo Verde, Angra e Bragança), natural de Freixo de Espada à Cinta (nasceu em 1816 e faleceu em 1874). Mesmo no “Estado Novo”, dois grandes amigos de Salazar eram maçons: Albino dos Reis e o médico Bissaya Barreto.

Relativamente a Trás-os-Montes, e começando por Torre de Moncorvo, o autor referiu alguns moncorvenses que ainda no séc. XIX tinham aderido à Maçonaria, com destaque para Francisco Meireles, cujo nome está ligado à praça central da vila, por ter sido o benemérito que deixou a sua fortuna para a constituição de um Asilo para desvalidos nesta vila, hoje Lar Francisco António Meireles. Aliás, a benemerência associada à assistência social e à alfabetização foram sempre uma das preocupações dos bons maçons. Francisco Meireles foi um importante negociante e financeiro que tendo passado a sua vida fora da sua terra de origem (foi o fundador de uma “loja” maçónica em Aveiro), tendo enriquecido, acabou por legar em testamento avultada soma para a criação do referido "asilo" moncorvense.


A numerosa assistência, escutando atentamente.

Além de F. Meireles, são conhecidos os nomes de outros moncorvenses, como Cândido Dias, negociante no Porto, Joaquim Firmino Miguel, oficial da marinha mercante (iniciado em 1905), Luís Henrique de Almeida (professor) e Abel Gomes, iniciado em Moçambique em 1906, o qual, tendo regressado, viria a ser presidente de Câmara, no período da Primeira República, em Moncorvo. Abel Gomes foi quem inaugurou o Registo Civil nesta vila, ao registar um filho, logo após a República, quando as pessoas ainda estavam algo relutantes em relação a este tipo de registo, como dá testemunho o Abade Tavares, seu amigo, na monografia da Senhora da Teixeira. Rogério Rodrigues pensa que Abel Gomes terá sido um dos instaladores do Triângulo de Moncorvo, constituído em 1911, com o nº. 155, logo a seguir ao de Bragança e de Mirandela. Informou ainda que para se constituir um triângulo eram necessários três mestres. No entanto, os fundadores do triângulo de Moncorvo foram: José António dos Reis Júnior, um jovem advogado de 27 anos, Guilhermino Augusto Vaz, farmacêutico, Miguel Frederico Mesquita (com o nome simbólico de Ferrer), de 35 anos, lavrador. Surgem depois outros como António Alberto Carvalho e Castro, empregado dos Caminhos de Ferro em Miranda do Douro e Flaviano de Sousa, o empreiteiro que justou a construção do caminho de ferro de Pocinho a Torre de Moncorvo (linha do Sabor). O triângulo de Moncorvo teve uma vida curta, tendo sido declarado extinto desde finais de 1912, pelo decreto do GOL (Grande Oriente Lusitano) de 7.08.1913, visto que só um dos "obreiros" se mantinha activo, nessa data.

Momento de convívio, no final da sessão, nos jardins do Museu

Sobre outros famosos maçons de Trás-os-Montes, o conferencista mencionou: Alves da Veiga, natural de Izeda (Bragança), licenciado em direito, um dos fundadores do PRP (Partido Republicano Português), que esteve na intentona do 31 de Janeiro no Porto, pelo que acabou no exílio, tendo regressado com a República e vindo a desempenhar cargos de relevo depois de 1910; Emídio Garcia (fundador do liceu de Bragança); o já referido bispo Feijó (de Freixo de Espada à Cinta); Adelino Samardã, de Sabrosa, que esteve ligado à disseminação da Carbonária em Trás-os-Montes; António José Claro, de Chaves; Francisco António de Campos, barão de Foz Côa, riquíssimo proprietário, filólogo, que chegou a presidente da câmara de Lisboa e que foi Grão-mestre da Maçonaria lusitana; Antão de Carvalho, da Régua, um dos paladinos do Douro, que foi ministro da Agricultura na 1ª. República, que levou à criação da Casa do Douro, já no início do Estado Novo, entre muitos outros, terminando em Raúl Rego, de Macedo de Cavaleiros, o último Grão-mestre trasmontano.

Entre os focos mais activos, em termos de República e Maçonaria, destacou ainda as cidades de Vila Real e de Chaves, sendo daqui originário (e onde se terá iniciado) o Marechal Carmona, 1º. Presidente da República do Estado Novo, apesar de depois se ter distanciado.

A finalizar, Rogério Rodrigues disse que o fim da Monarquia começou, indirectamente, com um trasmontano, de Vinhais, o regicida Alfredo Buíça (que era carbonário), e acabou com outro trasmontano, que pouco nos ilustra, e que foi o Abel Olímpio “Dente de ouro”, natural dos Estevais da Vilariça (concelho de Torre de Moncorvo), e que foi o executor da famosa "Noite Sangrenta". - Nota nossa: Este episódio foi motivo de série televisiva há pouco transmitida pela RTP, com assinatura de Tiago Rodrigues, filho de Rogério Rodrigues.

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Txt.: N.Campos

Fotos: R.Leonardo e H.Tavares

11 comentários:

Anónimo disse...

Com alguma curiosidade, não só atenta a qualidade do conferencista, como pelo tema a tratar, fui assistir à conferência em questão, àvido de compreender a importância ou o papel desempenhado pelos nossos maçons há 100 anos na implantação da Republica aqui por TMC.

Afinal, deparei com a confirmação que o papel da Maçonaria foi nulo, parece que já apanhou o comboio em andamento,e atento o tempo da criação do Triângulo e a sua curta duração foi irrito o seu papel. Por certo, os maçons era um grupo bem intencionado que se reuniria para jogarem umas suecadas ou o bridge e cansados da inação, por constatarem que nada de útil desempenhavam, extinguiram a loja.

Sei que a Maçonaria era, nesta altura, o ritual de passagem obrigatório para quem tivesse aspirações a exercer um cargo politico - se calhar como agora, passados que são 100 anos, só que os maçons actuais não são os da sueca ou do bridge, é coisa mais apurada, mais soft, mais selectiva...- e sei que alguns dos nomes referidos se limitaram a exercer uns pequenos cargos politicos na 1ª Republica, sem os meios que agora rodeiam os autarcas.

Do resto, não aprendi mais nada quanto ao papel interventivo dos maçons na implantação do ideal republicano em TMC.É óbvio que Maneis Buiças por cá não existiram ( e ainda bem) e lá está, também não sei porque haveria de ser diferente se a própria Republica foi por estas bandas implantada pelo telegrafo, limitando-se o povo a aderir, uns, por maioria, por adesivagem, outros, bem poucos, evocando pergaminhos ou costados de republicanos.

De qq. forma, é sempre bom assistir a estas conferências locais, nem que seja para compensar o fracasso e o desalento dos roteiros republicanos, publicados semanalmente pelo JN e que ficaram muito aquém do que merece a nossa República.

O impertinente.

jose albergaria disse...

O meu caro amigo Nelson Rebanda deveria, também, ter ido para os jornais.
Eu, se fosse Director, nomeava-o já Grande Repórter.
Bela e eficiente descrição do evento.
Para me fazer "pirraça" não é, mas que, depois de o ler, me sinto ourado por não ter ido...lá isso sinto-me.
Claro que vou pedir ao nosso comum amigo a sua, dele, "prancha", ou "traçado de arquitectura" como se diz nos "templos" dos "maçons".
Parabéns pela inciativa, coroada de sucesso, a para todos os que (a começar por si e pela sua equipa) a tornaram possível.
Ao Rogério, a esse, em breve lhe darei uma abraço (ou são três?...)bem apertado.
Saudações.
J. Albergaria

rogerio rodrigues disse...

Agradeço o comentário do Impertinente. Mas se a ele não surpreendeu a minha intervenção( e porque é que havia de surpreender?), a mim surpreendeu-me que não tenha levantado algumas questões pertinentes durante a sessão e que as coloque agora no seu comentário. Provavelmente, eu até poderia estar de acordo e enriqueceria, por certo, um debate. Porventura, poder-me-ia fornecer elementos novos ou que eu ignoro.
Tenho um lema na minha vida:Não é sábio aquele que sabe muito, mas o que continua a aprender.
Queria também sublinhar que, no que se refere à Maçonaria em Moncorvo, lhe dediquei um muito curto espaço. Talvez o comentador saiba mais do assunto do que eu, pelo que lhe agradecia, desde já, se fosse possível, me carreasse os elementos que eu não possuo. Garanto-lhe que citarei a fonte, como é meu hábito e dever.
Dizer que Francisco Meireles não foi importante, fundando o asilo hoje fundação; afirmar que o Flaviano não foi importante, construindo a linha de caminho de ferro do Pocinho a Carviçais; dizer que Miguel Mesquita não foi importante, quando é considerado, pela generalidade dos moncorvenses mais velhos, um dos homens mais íntegros da vila; dizer que Abel Gomes não é importante, quando basta ler o trabalho sobre a N. Sra da Teixeira ( propriedade sua) do abade Tavares, é não estar a ser justo para com estas figuras.
Não tiveram dimensão nacional? Claro que não. Mas a importância das pessoas mede-se pela sua dimensão nacional?
Quanto ao resto, na parte maior da minha intervenção, temos primeiros ministros, ministros, almirantes, criadores ( os autênticos criadores) da Casa do Douro, temos escritores como Trindade Coelho,etc,etc.
Por último, que o comentário já vai longo ( sem querer entrar em interpretações subjectivas ou preconceituosas ou sustentadas ideologicamente) gostaria de dizer uma pequena coisa ao respeitável comentador: nunca por nunca, por educação cívica, por respeito pelos outros, assinei um texto, um comentário sequer que não fosse com o meu nome. Orgulho-me dele, como certamente -- e estou muito crente nisso-- o comentador se orgulha do seu. Sem azedumes nem ressentimentos, mas sempre a aprender, quando concordo e quando discordo. Rogério Rodrigues.

Anónimo disse...

Antes de mais, um agradecimento ao Amigo J.Albergaria pela generosidade da sua apreciação (sempre exagerada, mas enfim), pois o que valeu, no caso vertente, foi a excelente palestra do Rogério. Mesmo o comentário do Impertinente parece-me que não desmerece o trabalho do Rogério, que considero rico de informação, sobretudo num sector sempre algo reservado ao conhecimento dos leigos (apesar de, como disse o conferencista, estar muita coisa na bilbiografia).

CONTINUA

Anónimo disse...

CONTINUAÇÃO

O que faltou - penso eu que seria isso que o Impertinente quis dizer (sem querer fazer de advogado) - foi informação sobre as formas de intervenção desses maçons no terreno, no caso de Trás-os-Montes, pois muitos, os das adesões mais antigas, saíram de cá havia muito, iniciaram-se lá fora, só tinham de trasmontanos o facto de cá terem nascido, como foi o caso do próprio Buíça (este da Carbonária), pelo que, quando muito, só tinham por si, em termos de trasmontanos, o factor genético e, mais importante, de origem social (cristãos-novos ávidos de liberdade/libertação). Sobre os outros, os residentes, ou que voltaram às origens (caso de Abel Gomes), a adesão aos princípios maçónicos e republicanos pode fazer-se tanto no plano das convicções, como me parece se poder comprovar no caso de Miguel Mesquita, como no tal "segundo interesse" que sugere o Impertinente, como sempre acontece em todos os tempos, seja em relação a "clubes" ou partidos. Se os membros do triângulo de Moncorvo o constituíram ou se organizaram para jogar à sueca/bridge, ou para discutirem ideias e planos de acção (e porque não tudo junto, pois muitos negócios e realizações se combinam à mesa, no seguimento dos ágapes e de uns charutos, nem que fosse depois da parte ritual), isso só o saberíamos se tivessem ficado actas ou documentos mais concretos que, naturalmente, o conferencista não conseguiu descobrir (e, possivelmente, nunca se descobrirão, pois até podem nunca ter existido). Pas de documents, pas d'Histoire! Assim, só resta a extrapolação: e a extrapolação é a que o Rogério fez, inclusive no comentário ao comentário: o "Asilo" F. Meireles está aí, mais de 100 anos depois, a intervenção cívica desses cidadãos terá ficado, mesmo a título de exemplo, para os seus contemporâneos. E essa, parece-me, terá sido (e acho que continua a ser, do que sei) a grande preocupação dos maçons: mais do que realizações materiais, creio que a ideia é a construção de uma coisa que se chama "cidadania", o "citoyen" da revolução Francesa, por oposição ao "súbdito" do Ancien Règime. De como isto se repercute na sociedade e se traduz no resto, é dificilmente mensurável porque não é palpável. Mas é minha convicção que uma sociedade se realiza na diversidade. E não deixa de ser notável como também aqui, há 100 anos, certos ideiais por cá proliferaram, mesmo apesar da efemeridade do tal "triângulo", a par, certamente, de outros, considerados "reaccionários", que, naquele tempo, eram os monárquicos. Por vezes não há coisa pior que os unanimismos, pelo que todos, cada qual à sua maneira, fizeram falta, e decerto fizeram, animando o panorama político local (e nalguns casos, de que maneira!), como se demonstra por aí em publicações recentemente dadas à estampa. E não foi só por Moncorvo, como Rogério Rodrigues demonstrou: alguns, partindo do local, pensaram global e actuaram de tal modo persistentemente, que conseguiram êxitos fundamentais para benefício de toda uma região, como a duriense, por exemplo, como foi o caso de Antão de Carvalho e os chamados Paladinos do Douro, a quem se deve a Casa do Douro. Se não fossem estes idealistas (para além dos tais oportunistas e adesivos, e, mesmo destes adesivos, nem todos terão sido maus, mas simplesmente "pragmáticos", como hoje se diria) muita coisa teria ficado por fazer e a região trasmontana talvez tivesse continuado mais atrasada ainda.

Bem, por aqui me fico, pois é com agrado que verifico que a discussão final que não houve no auditório, ao menos está a haver aqui.
Cumprimentos a todos,
N.

Anónimo disse...

Requiescat in pace

Não tem que agradecer o meu comentário. Escusa é de se sentir melindrado quando eu fui bem claro sobre o que eu queria aprender, e parece que fui o único que não aprendi : qual o papel dos maçons na propagação do ideal republicano aqui em TMC, em especial, sobre os fundadores do triângulo 155 o J.A.R.J. o G.A.V. e o M.F.M., por si apontados como maçons.
É que acabei de ler dois livros e uma revista editados pelo municipio e também aí não me elucidaram sobre a questão. Deve ser defeito da minha pessoa ou dos meus óculos que não me deixam ver.

Nunca falei em Francisco Meireles, Flaviano, Miguel MNesquita, Abel Gomes e muito menos em "Dimensão Nacional", daí não sou justo ou injusto com eles.
Agradeço é que não extrapole o que eu não disse.

Lamento informá-lo que não possuo qualquer elemento sobre a maçonaria em Moncorvo por, ao contrário de alguns, não ter acesso privilegiado ao seio desta uma vez que não uso avental nem luvinhas brancas da seita da primalhada.
Posso é alvitrar é que leia os jornais publicados aqui em TMC, o Radical de 1911 e as 3 séries do Alma Transmontana e depois falaremos acerca do papel interventivo de alguns na propagação do ideal republicano.

Nomear Trindade Coelho como grande republicano ou maçon e olvidar o que este escreveu acerca da república no seu livro A minha candidatura por Mogadouro, não me parece que seja o melhor caminho.

Agradeço também o seu comentário final e passo a esclarece-lo : a alcunha O Impertinente surgiu numa resposta tipo brincadeira a um comentário muito antigo no Nelson, que sempre conheceu a identidade do dito, alcunha que só foi utilizada neste blog em alguns comentários que, reconheço agora, não têm qualidade face à novel chegada do R.R. ao blog e aos seus interessantes comentários, e daí dar aquela por terminada.

Uns, como eu, usam alcunhas do tipo o impertinente e parece que como tal são uns cobardes, outros, na sua vida dupla, usam alcunhas do tipo : Robespierre, Danton, Cavaleiro Andante, Ferrer ... e são uns heróis porque defendem em exclusividade a fraternidade,o homem liberto de dogmas e, quando trajados a rigor e após farto repasto, acompanhado de bebidas finas e charutadas a preceito, juram que são os maiores na causa.
A mim, metem-me ....

Bye, Bye

O impertinente ( for ever )

Jorge Bird disse...

Parabéns ao Rogério pela excelente prancha com que nos brindou.

Satisfaz saber que "...a intervenção cívica desses cidadãos terá ficado, mesmo a título de exemplo, para os seus contemporâneos. E essa, parece-me, terá sido (e acho que continua a ser, do que sei) a grande preocupação dos maçons: mais do que realizações materiais, creio que a ideia é a construção de uma coisa que se chama "cidadania"...como Rogério Rodrigues demonstrou: alguns, partindo do local, pensaram global e actuaram de tal modo persistentemente, que conseguiram êxitos fundamentais para benefício de toda uma região..."

Quem veio, à procura de saber como funcion(a)(ou) a Maçonaria é óbvio que ficou na mesma...! Ficando a saber apenas que todos os Maçons referenciados tiveram uma atitude cívica correspondente aos ideais que juraram defender.

A fácil e pacífica adesão do "Povo" à implantação ("por telegrafo) da República, não terá ocorrido graças ao trabalho desenvolvido pelo triângulo? Penso que sim!

Na Maçonaria nada se ensina e tudo se aprende...!

Abç.
Bird

Jose albergaria disse...

Caro senhor Impertinente,
Fique com a impertinência que se lhe cola ao "petit nom" que escolheu para esta debulha de argumentos, de razões e de questões.
Até me parece ajustado ao modo, que usa, ao estilo, ao recorte banal, para "debater" neste espaço com o Rogério Rodrigues.
A si não conheço, nem os seus méritos, nem às suas competências criticas.
Contudo, pelos seus dois comentários já deu para perceber que tem maus figados.
Conhecendo eu o Rogério Rodrigues, de quem sou amigo faz já uns 14 anos, mas que cruzei em Paris, num projecto jornalístico dirigido a imigrantes,em 1968, acho que o amigo impertinente vai por mau caminho.
1/ Se esteve na Conferência, podia, devia, não sei como dizê-lo,teve a oportunuidade de com ele dialogar/polemizar, olhos nos olhos, em directo, ao vivo e a cores;
2/Vir, meio avinagrado, tecer considerações, emitir bitaites e tentar "desconsiderar" um dos melhores Moncorvenses da sua, dele Rogério, geração, já me parece uma quase aleivosia;
3/Se acha que o Rogério Rodrigues tem desmerecimentos, porque não lhos atirou à cara, no Sábado que passou?
Ele há pessoas assim.
Sem carácter para,frontalmente, dizerem o que pensam.
Eu, que sou assertivo, amigo dos meus amigos, admirador confesso do Rogério Rodrigues (com quem discuto muitas vezes e com quem, muitas das vezes, desacordámos...), meu mestre em muitos lances da vida, digo-lhe, caro impertinente, o seguinte:
1/ Não gostei do que escreveu;
2/Não gostei do modo como o fez;
3/Menos ainda gostei do tom grossseiro que emprestou ao segundo "comentário".
É para o lado que você dorme melhor? Admito que sim.
Mas, pelos amigos, que considero e respeito, MUNCA levo desaforo para casa.
Passe mal,
J. Albergaria

rogerio rodrigues disse...

Caro amigo, por favor não se melindre. Não sei quem é pessoalmente, mas reconheço que o seu nível intelectual seria ainda mais do que é, se não tivesse tantos preconceitos sobre o que não conhece. Como disse na minha intervenção no Museu, não sou nem historiador nem investigador. Não tenho capacidade para tanto. Apenas um leitor compulsivo. Não li a Alma Transmontana. Apenas li alguma coisa da Alma Nacional do evolucionista António José de Almeida onde ainda escreveu o Raul Proença. Sobre o tema sugiro um livro de Fernando Piteira Santos: A Alma Nacional e Raul Proença ( edições Europa- América).Comosabe na Maçonaria houve crises e divisões, aliás como em todos os partidos. Basta recordar que o PRP se transformou em três partidos: o Democrático (Afonso Costa), o Evolucionista( António José de Almeida) e o Unionista (Brito Camacho). E todos eles tinham maçons.
Na Maçonaria não há luta de classes e a religião e a política, segundo determinam as Constituições de Anderson, ficam à porta do templo. E se quer que lhe diga conheço excelentes maçons monárquicos, democratas-cristãos, sociais-democratas, socialistas. Só não conheço maçons comunistas.E só sei que nenhum sistema totalitário, que nenhuma ditadura aceitam a Maçonaria.Por alguma coisa será.E nem todos se charuteiam ( passe o neologismo) nem se banqueteiam, antes trabalham gratuitamente em insitutições para crianças desvalidads como, por exemplo, o mais que secular Internato de S. João, onde até hoje ainda não houve nenhum escândalo como a da Casa Pia ou do Convento das Trinas ou da Rosa Calmon.Que os maçons têm defeitos? Pudera. São homens com todos os seus defeitos e qualidades, mas serem maçons torna-os melhores. Acredite.
O meu mundo não é do reino da História.Como já lhe disse, estou sempre disposto a aprender. Vale. Carpe diem. Rogério Rodrigues

MendoCorvo disse...

Sobre a polémica decorrente do tema deste "post", a Administração do Blog tem a dizer o seguinte:

O tema deste post, tal como da conferência no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, é, como se esperava, algo susceptível de suscitar alguma polémica, como se viu aqui. “Polémica” vem do grego: “polemos” que, ao que parece, quer dizer “guerra”. Ora a “guerra” nasce, ou por conflito de interesses, ou por divergência de opiniões no seio de uma mesma sociedade, sobre um determinado assunto. Surgiu, por causa de obviar a este tipo de conflitos, a “política”, ou arte de dirigir a “cidade” (= Polis). Assim, tradicionalmente, desde a velha Atenas do século V a.C, a Política surge como arte de gerir a Cidade e dirimir as contendas resultantes dos interesses. Política, no sentido nobre do termo, implicou outra palavra derivada: “polir”. E a “politesse” dos franceses, poder-se-ia traduzir entre nós por “polidez”, como atributo de cidadania (que vem do latim “civitate”/cidade < lugar habitado pelos “cives”, os cidadãos, que, como tal, fazem parte da “Civilização”). Assim, ser-se “polido” em grego, é ser-se “civilizado” em Roma. – É normal, na paixão dos debates de ideias, haver, por vezes, expressões ou insinuações menos felizes, que podem ferir susceptibilidades. Mas é preciso ter calma e não cair na tentação de se aumentar o ruído. Vem isto a propósito dos comentários que, sem censura foram postados sobre este “post”. Já todos percebemos a divergência de pontos de vista entre o Impertinente e o Rogério Rodrigues. Se, inicialmente, houve uma ligeira crispação, penso que o último comentário do Rogério encerrou o assunto. O José Albergaria expressou a sua solidariedade com o Rogério e verberou impenitentemente o Impertinente, porque não o conhece. Se este assistiu à conferência no Museu e não quis aí pronunciar-se e o preferiu fazer aqui, amadurecendo posteriormente a ideia que porventura fez do que ouviu, tem esse direito. Não nos pareceu que fosse excessivo na apreciação crítica, por isso postámos o seu comentário, apesar do pseudónimo, já que são aceites pseudónimos e anónimos desde que não sejam para insultar ou denegrir pessoas.
- CONTINUA

MendoCorvo disse...

CONTINUAÇÃO:

A troca de “galhardetes”, a nosso ver, não descambou, felizmente, nestas situações, constituindo até um bom momento de debate tipo “fórum” de discussão, aqui no blogue. Achamos que houve algum “ruído” na comunicação, pois em alguns passos pareceu que os polemistas não estavam a alcançar bem o que o outro estava a querer dizer e isso é o problema dos debates em diferido, em vez de serem em directo, “tête à tête”. Porque conhecemos o “Impertinente”, sabemos que em momento algum ele procurou desmerecer o Rogério e temos a certeza absoluta de que não existe aqui qualquer má vontade pessoal, pois de outra forma os seus comentários não seriam publicados. Houve apenas alguns considerandos pouco abonatórios sobre a maçonaria e os maçons que podiam ferir susceptibilidades, mas, em democracia, o princípio da liberdade de expressão/opinião e do contraditório têm que se respeitar.
Assim, porque todos já entendemos os pontos de vista de cada um, entende a Administração do Blogue que este assunto fica encerrado. Outros comentários sobre o tema só serão postados se não forem para repetir o que já se disse, e desde que haja elevação no debate de ideias (e sublinhamos a palavra “ideias”).
A Administração do TORRE.Moncorvo